Archive for Maio, 2012

A Despedida da “Crítica”

Maio 31, 2012

Li, com muita tristeza, o texto de despedida da revista digital “Crítica na Rede”, dirigida por Desidério Murcho:

A Crítica Despede-se

É difícil dizer se me interessei por filosofia por causa da “Crítica” ou se me interessei pela “Crítica” por causa da filosofia. O certo é que as duas coisas nasceram juntas, quase ao mesmo tempo. Provavelmente, sem a “Crítica”, eu não teria partido para a filosofia com tanto interesse.

Deixo aqui, portanto, a minha gratidão e o meu pesar pelo fim dessa preciosa revista de conhecimento.

 

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20 anos da morte de Giovanni Falcone

Maio 24, 2012

Há exatos 20 anos, o juiz italiano Giovanni Falcone foi assassinado. Falcone, todos sabem, é o principal símbolo do combate à máfia italiana, especificamente a Cosa Nostra. Ele conduziu um processo dificílimo envolvendo cerca de quatrocentos mafiosos. Foi assassinado no cumprimento de seu dever, num atentado bárbaro, em que dois carros foram explodidos, matando não só ele, mas também sua esposa e seguranças. (E ainda havia quem dizia que “La máfia non esiste”).

Ano passado, estive na Sicília, participando de um curso de direito anti-máfia e fiquei comovido com a presença do juiz Falcone na cultura siciliana. Falcone é um ícone e seu nome e imagem são a toda hora lembrados. Tive a oportunidade de conhecer o local do seu assassinato:

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Marcelo Neves, Transconstitucionalismo e STF

Maio 13, 2012

Transconstitucionalism

Em um colóquio em Braga, na Universidade do Minho, tive a oportunidade de assistir a palestra “Transconstitucionalism”, proferida por Marcelo Neves. Aliás, já comentei o seu livro aqui mesmo neste blog. O referido livro também será publicado em inglês, pela Oxford Press, o que certamente vai ampliar enormemente a sua projeção internacional. Mais uma vez, recomendo a sua leitura, pois, na minha ótica, esse é um dos mais importantes livros do direito contemporâneo.

A palestra, como não poderia ser diferente, foi brilhante. Marcelo Neves fez uma síntese do livro em cerca de cinquenta minutos, deixando a todos, inclusive os vários juristas estrangeiros lá presentes, impressionados.

Fiquei particularmente feliz em conhecê-lo pessoalmente, pois descobri que, além de um jurista de primeira linha, Marcelo Neves é um ser humano iluminado: simples, humilde, sem qualquer arrogância. É um autêntico acadêmico, disposto a ensinar e a apreender com o outro, sempre ajudando a quem merece e precisa. Percebi que toda a sua proposta de alteridade e de inclusão não é apenas um discurso da boca pra fora: é um sentimento sincero de quem pratica a metáfora do “ponto cego” (o outro pode nos ajudar a enxergar melhor).

Além disso, Marcelo Neves é um nome fortíssimo para ocupar uma das próximas vagas no Supremo Tribunal Federal. Se essa tendência se concretizar, o STF dará um salto gigante em termos de qualidade. Como nordestino que sou, não posso deixar de sentir orgulho de ver os nordestinos brilhando pelo mundo. E como Ayres Brito – o último nordestino no STF – irá se aposentar em breve (deixando saudades, certamente), só posso torcer para que a sua vaga seja preenchida por alguém à altura.


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