Isso vai cair na prova

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Este post que o Raul postou no seu Jardim me lembrou de um texto que eu havia escrito no mês passado e esqueci de postar. Aqui vai:

O professor é uma espécie de arquiteto de escolhas no sentido de que o formato da sua aula interfere na assimilação da matéria pelos alunos. Temos o poder de interferir, ainda que em caráter não determinante, nas escolhas tomadas pelos alunos: ir tomar cerveja no barzinho da esquina ou assistir aula? Prestar atenção na aula ou ficar trocando mensagens pelo celular?

Para perceber isso basta ver um exemplo banal. Se o professor fizer a chamada no início da aula, é provável que haja uma debandada de alunos antes do término se a aula não estiver suficientemente interessante. Por outro lado, se a chamada for feita apenas no final e sempre no final, é provável que os alunos cheguem atrasado de propósito para perder alguns minutos de uma aula entediante, ganhando assim alguns minutos de papo furado no corredor. O momento da chamada, portanto, interfere na quantidade de alunos na sala, embora não tenha qualquer efeito quanto ao grau de concentração dos alunos.

Dizer que o professor é um arquiteto de escolhas significa dizer que a decisão sobre prestar atenção ou não na aula é, em última análise, do aluno, mas tal decisão pode ser influenciada positiva ou negativamente a depender da estratégia adotada pelo professor. Cabe, pois, ao professor “dar um empurrãozinho” ou “dar uma cutucada” para que o aluno faça a melhor opção. Obrigar o aluno a assistir aula “na marra” é um atentado contra a sua liberdade de escolha. Por outro lado, é perfeitamente compatível com o espírito de liberdade acadêmica adotar medidas proporcionem um ambiente em que o aluno se sinta estimulado a estar lá presente de corpo e alma por sua própria conta. Cabe, pois, ao professor fazer com que a aula se torne interessante.

Na minha experiência como docente, tenho percebido que toda vez que digo que uma determinada matéria “vai cair na prova” ou então que tal matéria “costuma ser cobrada em concursos públicos”, os alunos param o que estão fazendo para prestar atenção na aula. É como se acionassem uma espécie de “botãozinho vermelho” de “REC” em seus cérebros e passassem a assimilar tudo o que será dito.

Infelizmente, os alunos não têm uma reação tão positiva quando digo que um determinado assunto é importante para as suas vidas ou para o aperfeiçoamento de sua visão crítica ou algo do gênero. Os alunos querem resultados mais palpáveis como “nota boa” ou “aprovação em concurso”. Se um determinado assunto é potencialmente capaz de mudar sua visão de mundo, isso pouco importa. O importante é o que vai cair na prova.

Imaginem então a dificuldade de um professor de filosofia do direito para convencer os alunos a prestarem atenção na aula. Os alunos, de antemão, já vão para aula de filosofia com o propósito de não prestar atenção, já que aquela matéria não costuma ser cobrada em concursos. Em regra, os alunos não estão interessados em filosofia: querem algo mais concreto, que dê resultados imediatos. Filosofar para quê se, no final, o conhecimento cobrado nos concursos mais importantes é o conhecimento jurídico? – eis um pensamento muito comum. E não adianta a aula ser boa: parece que existe uma alergia inata às divagações filosóficas por parte dos alunos.

Fiz o seguinte teste que comprovou minha hipótese. Uma das minhas aulas de direito constitucional mais interessantes  é uma aula introdutória em que faço um retrospecto do surgimento da teoria dos direitos fundamentais. A aula é bem dinâmica. Há vídeos do holocausto, trechos do filme “Julgamento em Nuremberg” e uma abordagem geral do jusnaturalismo, juspositivismo e pós-positivismo. Em geral, os alunos ficam vidrados e saem da aula parabenizando o professor. É uma aula, de fato, caprichada, além do normal, para que os alunos simpatizem desde o início com a matéria. E acho que meu objetivo é atingido a contento. (Aqui o slide da aula sem os vídeos)

Pois bem. Repeti praticamente a mesma aula na disciplina filosofia do direito. Os alunos gostaram, mas não se empolgaram tanto quanto os alunos de direito constitucional. Acharam legal, mas não ficaram tão vidrados quanto eu percebo que os alunos de constitucional ficam. Como explicar essa reação menos empolgada dos alunos de filosofia do direito?

Acredito que seja por causa da idéia de que aquela aula é de filosofia do direito. Se fosse uma aula que valesse a pena “levar a sério”, certamente o resultado seria outro. Como tudo aquilo não será cobrado em concurso, então é perda de tempo para o aluno mais imediatista. Infelizmente, a realidade é assim.

Existe uma expectativa de que a disciplina filosofia seja cobrada nos próximos concursos para magistratura federal em todas as regiões. É um projeto interessante do Conselho da Justiça Federal, pois exigirá do candidato não apenas conhecimentos jurídicos, mas também um leque mais amplo de saberes, o que certamente é saudável. O risco é transformar o ensino da filosofia em um ensino massificado e pouco crítico, totalmente contrário ao espírito da filosofia. De qualquer modo, acho que vale a pena correr esse risco, já que, hoje, a filosofia está tão em baixa que qualquer coisa é melhor do que nada. Portanto, de agora em diante, vou poder falar para os alunos da filosofia: isso vai cair em concurso.

A propósito, para os alunos que estão lendo o post, isto não vai cair na prova.

***

As noções de “arquitetura de escolhas”, “empurrãozinho”, “cutucada” etc., usadas neste post, fazem parte de um livro muito interessante que li recentemente: “Nudge: o empurrão para a escolha certa”. Depois comento.

Sobre a cobrança de Filosofia do Direito nos concursos públicos da magistratura federal, confira esta notícia.

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14 Respostas to “Isso vai cair na prova”

  1. Raquel Alves de Godoy Says:

    Caro George,

    Mitigou-se a elitização nas carreiras jurídicas. Conheço gente simples, sem “linhagem real” ou “sangue azul”, que passou para juiz. Mas há um preço alto a ser pago, pois nada é de graça.

    Nesse cenário, muitos acadêmicos e concurseiros gostam das questões filosóficas, sobretudo aquelas ligadas ao Direito, mas encontram dificuldade, por absoluta falta de tempo, até mesmo para dar conta do conteúdo programático das provas de faculdade ou do concurso público.

    Logo, pelo que parece, que o termo “imediatista” não é o mais adequado para se referir às pessoas que lutam por uma vaga em concursos. De uns dois ou três anos para cá, o mundo dos concursos transformou-se em algo alucinante. Há muita gente estudando, e estudando para valer. Isso sem contar o fenômeno da interiorização dos cursinhos preparatórios.

    Em tal contexto, quem precisa trabalhar acaba saindo em certa desvantagem. Para tais pessoas, AINDA QUE ELAS GOSTEM DE FILOSOFIA, não há como tirar o foco das matérias básicas do certame. É preciso ser realista em face dessa impossibilidade material. Portanto, creio que não se trata de “considerar perda de tempo”, mas sim de adotar uma postura objetiva frente ao alvo traçado.

    Salvo engano, no seu antigo site pessoal, você disse que tinha sido aprovado no concurso de Técnico Judiciário da Justiça Federal e que ficou apenas algum tempo, pois não estava dando conta de conciliar o trabalho com o estudo para outras carreiras. Diante disso, você abandonou serviço público e voltou-se exclusivamente aos estudos, dedicando cerca de oito horas diárias. Contudo, a maioria dos brasileiros, por uma questão de sobrevivência, não se pode dar ao luxo de largar um cargo público efetivo só para ficar estudando, embora isso fosse o ideal e provavelmente encurtaria o caminho até a posse.

    Em suma, a realidade dos acadêmicos e concurseiros brasileiros (muitos vivem de bolsas de estudo como o Prouni) nem sempre permite que eles invistam o parco tempo que lhes resta em questões que, pelo menos num primeiro momento, não serão utilizadas para que possam melhorar de vida. Não se trata de menosprezo ou desinteresse.

  2. George Marmelstein Lima Says:

    Raquel,

    acho que um aluno de oitavo ou nono semestre, que esteja mais próximo de se formar, tem toda razão em focar seu tempo no estudo de matérias que são cobradas em concursos ou na prova da OAB. Porém, estou falando de alunos de segundo ou terceiro semestre, que estão iniciando o estudo do direito e, portanto, precisam criar uma boa bagagem teórica. Os dois primeiros anos da faculdade devem servir para isso mesmo. Não adianta se preocupar em concurso público assim que entra na faculdade.

    Concordo com você no sentido de que o aluno que se preocupa em passar em concurso está sendo perfeitamente coerente com seu objetivo de vida. Também tive que sacrificar boa parte do meu tempo decorando artigos de lei totalmente inúteis.

    Por outro lado, nada justifica que um aluno no início da faculdade sinta uma aversão ao pensamento crítico que a filosofia proporciona.

    George

  3. Joao Paulo Says:

    George,

    Alem da tatica “isso vai cair na prova”, ha uma outra que considero muito boa: a filosofia do direito pode ajudar a solucionar RELEVANTES PROBLEMAS JURIDICOS DA ATUALIDADE.

    Veja o caso das NORMAS REPETIDAS no ordenamento juridico. Qual a relevancia de UMA NORMA JURIDICA INFERIOR QUE REPETE UMA NORMA JURIDICA SUPERIOR. A pergunta eh filosofica, porque nao ha resposta previa no ordenamento juridico. Mesmo assim, sua resposta pode ajudar a solucionar DOIS GRANDES PROBLEMAS ESTRITAMENTE JURIDICOS. Primeiro, o caso das NORMAS LEGAIS QUE REPETEM NORMAS CONSTITUCIONAIS. Admitir que a repeticao eh inocua implica nao admitir nenhum RECURSO ESPECIAL com fundamento em OFENSA A ESSAS NORMAS “OCIOSAS”. Segundo, o caso das normas das Constituicoes Estaduais que repetem normas jah obrigatorias ao Estado-membro DA CONSTITUICAO FEDERAL. Nesse caso, jah ha posicao do Supremo Tribunal Federal a respeito, que PREFIRIU A PRATICA A COERENCIA TEORICA.

    Veja como um problema dos mais tolos DESCAMBA PARA A FILOSOFIA DO DIREITO. Kelsen, por exemplo, no TEORIA PURA DO DIREITO, considera nao HAVER NENHUMA RELEVANCIA NA REPETICAO. Segundo o mestre, nao pode ser considerada juridica uma norma no meio do ordenamento juridico sem relacao com uma norma SUPERIOR OU INFERIOR.Trata-se de norma que nao descumpre formal ou materialmente a norma superior, tampouco cria norma inferior. Eh uma norma sem nenhuma relevancia juridica, pois estah desconectada das demais normas do ordenamento juridica. Nao pertence ao mundo juridico, pois nao ha como qualifica-la com seus codigos proprios (licito e ilicito). Dai considerar o autor que essa norma nao merece o adjetivo “juridica”, eh mero texto.

    Ha ainda outros problemas juridicos que sao solucionados com a ajuda da filosofia.
    Vejo com muito ressalva a tentativa de COLOCAR MATERIAS DE FILOSOFIA EM PROVAS DE CONCURSO. Primeiro, porque a consciencia filosofica deve ser estimulada, nunca obrigada. Segundo, porque a falta de tempo justificada dos concurseiros faria com que lessem manuais sobre filosofia. O risco de ler uma ideia resumida demais OU ATEH ERRADA DE UM FILOSOFO EH MUITO GRANDE.
    Esses dias o Luis Flavio Gomes afirmou, e repetiu no seu livro, que o KELSEN NUNCA SE INTERESSOU PELA VALIDADE DAS LEIS, confundia os planos da validade com existencia. Ha aih uma das maiores injusticas com quem construiu as principais bases teoricas para existencia da jurisdicao constitucional. De outro lado, tambem se confunde a ideia de anulabilidade com “nulidade de pleno direito”, essa ultima bastante criticada pelo autor, justamente por nao se compatibilizar com sua proposta de um ordenamento hierarquizado.

  4. Tânia Says:

    Excelente seu artigo. Identifiquei-me com ele de diversas formas. Quando estava no mestrado dei aula de Filosofia do Direito e ficava frustrada com a pouca emplogação dos alunos. Fiz malabarismos acadêmicos para conseguir algum entuasiasmo, e o cinema foi um dos chamarizes. Se Platão era “uma chatice”, passava o Matrix, porque, além da dinâmica de uma possibilidade de outra leitura, o Neo era um mito mais real que o fiolósofo da caverna. O mesmo tema na aula de Direito Constitucional assume contornos completamente diferentes.
    Creio que isso tem influência no nosso imaginário desde a graduação, quando a grade curricular já definia o que era ou não “importante” em termos de estudos. Algumas disciplinas eram oferecidas de forma optativa para completar créditos, outras por pura iniciativa de um ou outro professor.
    O curriculum dos cursos jurídicos já efetuaram algumas mudanças, mas ainda há muito a caminhar.
    O magistrado, assim como qualquer operador jurídico, deve ter uma fomação que vá muito além da jurídico-formal, sob pena de enxergar a sociedade de forma estanque e buscar a solução dos conflitos tão somente nos códigos, como a elaborar uma sentença matemática.
    Por isso mesmo, o projeto do CNJ é importante.

  5. Hugo Dias Perpétuo Says:

    O que não justifica e não pode ser tolerado é esse cataclismo das faculdades e universidades se transformando em verdadeiros “cursinhos” preparatórios, que estampam em seus anúncios que a instituição aprovo tantos a mais que a outra faculdade, não como uma evolução do pensamento de seus alunos, e sim como pura “Merchandising”, pois esse papel te preparar o aluno para concursos não pode ser ofertado pelas faculdades, tem que ser pelos cursos ou pelo desenvolvimento literário em sua “solidão”, pois o verdadeiro papel dessas instituições que hoje estão com sua verdadeira origem distorcida não é a preparação em sentido único, e sim com o condão de “pré”-parar-para-ação, por isso o uso da filosofia é indispensável para criar uma visão critica para ajudar o aluno no seu caminhar.

    Educação que é a ação ou efeito de educar “formar a inteligência, o coração e o espírito”(Laudelino Freire), vem de “educatio” que nas palavras de Freire é disciplinamento, instrução e ensino, isso mesmo, instrução! bem no estilo Schopenhauer, em que a informação é ineficaz sem a instrução, e esta última funciona como meio para que o aluno desenvolva a habilidade para colocar a mão na massa e fabricar os melhores biscoitos, bem no estilo Oswald de Andrade. E é ai que entra o professor a ser Harry Houdini, para dar esse “empurrãozinho” ao aluno, porem quando essa “cutucada” não é satisfatória, o professor tem que dar um passo adiante, e se for o caso, derrubar os muros e celas que insistem em manter a mente do aluno em cárcere, isso para que o aluno conquiste a liberdade, por isso que o professor deve conduzir o aluno ate o conhecimento, e não simplesmente colocar uma coleira eu sua mente e puxar como se fosse um cachorro.

    Certamente muitos querem investimentos a curto prazo, e é o caso dos alunos pelo menos aqui em Brasília, onde passar em um concurso, é a meta da maioria dos alunos(desde o primeiro dia de aula isso fica claro quando o professor pergunta para o aluno pq escolheu fazer Direito), pra não dizer todos(pois ainda existe os perdidos igual eu), por isso entendo a expressão “imediatista”, com certeza muitos querem a estabilidade, não que esta conduta seja errada, mas se somente ela for valorizada, o compromisso de ser servidor perde todo seu valor e toda a essência do que é ser verdadeiramente um servidor publico(servir o publico, a sociedade), muito bem clarificado no nome, mas de difícil absorção, já é um conceito totalmente escasso mas necessário entre o novos e ate antigos servidores. Isso são as inegáveis más consequências do capitalismo selvagem, onde o aluno que tem ate uma oportunidade de estudar, pretende passar em um concurso para alimentar o ego, pois é visto de modo diferenciado pelo demais alunos da faculdade, ou pq almeja um carro novo, roupas da moda, mas sem esquecer o que os alunos mais desejam e pensam, a Moleza a passividade. É ai que entra aquela velha frase feitas pelos alunos “quando eu passar, vou descansar e viajar muito”, esquecendo que é a partir dai que o trabalho dele acabou foi de começar.

    Esse problema de saber em qual hora colocar a chamada, me lembrou aquela antiga regra que tinha no pique-esconde, quando ia escolher se o primeiro a ser pego ia ser o próximo a procurar, ou se seria o ultimo, ficando a pequena duvida no ar, pois se fosse o primeiro, os restante se entregariam, pois a brincadeira não teria mais graça, mas se fosse os último, a brincadeira ficava mais legal, mas várias vezes muitos eram os primeiros a se entregarem, pois tinha quase toda a certeza que o restante iria ser pego também, então sugiro nesse caso, um comportamento que meu professor utiliza (Mario Drumond, de DIPúblico, que agora também administra Constitucional 2) em não fazer chamada, sua aula não é muito dinâmica, é mais ou menos interessante, sua prova é fácil, mas mesmo assim sua sala sempre tem um numero de pessoas bastante razoável, a matéria era fácil, mas parecia que muitos iam para a aula mais por prazer, ou até pelo fato de não ser um dever. Certamente não aconselho esse tipo de conduta, para não concretizar um vácuo na sala de aula de filosofia, mas aconselho o professor no primeiro dia de aula dizer que não existe chamada, tentar passar que aquela aula de filosofia é semelhante aquelas de recreação em Educação Física na escola(AI MIHA CRÍTICA DE COLOCAR FILOSOFIA EM CONCURSOS PÚBLICOS, POIS JÁ DEVIA TER PITADAS DE FILOSOFIA NO DECORRER DA PROVA, E NÃO UM ESPAÇO DESTINADO SOMENTE PARA FILOSOFIA), e que todos então ao ali como forma de prazer(se bem que filosofia também seja um dever, mais isso deixa que cada um descubra no decorrer da matéria), mas mesmo que a aula não tenha chamada, nas aulas sempre haverá pontos para completar na média, e dessa forma, a aula não se torna aquela em que só o professor fala e o aluno fica meio preso em falar com medo dos restante dos alunos(já quase a dormi) dizer que esse bla-bla-bla já está enchendo o saco. O professor pode passar um texto para ler em casa, um dia faz uma pequena passagem sobre tal filosofia, e na outra aula bem mais dinâmica com um debate bem no estilo Ágora na Grécia, uma aula ao som de verdadeiras musicas para descontrair, para mexer com o sentimentos das pessoas, isso sem deixar a razão de lado, e sem esquecer que cada um tenha a oportunidade de desabafar, sem ser visto pelos outros aluno como um Chato-Jabor-Mirim, então uma aula com bem mais sabor, envolvendo talvez uma disputa sadia, como pequenos prémios como chocolates e doces, ou pequenos clássicos da literatura filosófica. O professor só pq não consegue tirar o aluno de dentro do presidio, não deverá também se juntar a eles, e sim criar mecanismos que faça com que os detentos pelo menos tenham uma janela para apreciar o sol e sonhar com a liberdade, e que o desejo dos professores também sejam realizados, que é a expansão da filosofia até mesmo onde a luz não brilha.

    Abraços…
    Hugo Dias Perpétuo.

  6. Joao Paulo Says:

    Grande Hugo dias,

    Tambem sai do esgoto do ensino juridico: brasilia. De uma faculdade privada “reconhecida” pelos donos do poder que tem o MARCELO ALEXANDRINO ( pra nao dizer da SILVIA POPOVIC) NA BIBLIOTECA, mas que soh ha pouco tempo adquiriu o LEVIATA, DE HOBBES. Aqui, o Nelson hungria eh citado, mas nao eh lido. O Pontes de Miranda eh discutido POR DOUTORES EM PROCESSO CIVIL NA VISAO DO MARCOS BERNARDES DE MELLO. O Kelsen eh o “HOMEM DA PIRAMIDE”, nada mais que isso. Anotacao de aula vira tratado. O Pedro Lenza eh doutrinador segundo a CESPE.

    Acho que a culpa disso nao eh dos CONCURSOS, mas dos que fazem as provas dessas merdas, quase TODOS MANCOMUNADOS COM AS MAFIAS DOS CURSINHOS JURIDICOS. Pegue as provas dos ultimos concursos. Eh soh informativo… ninguem quer saber do HUNGRIA NEM DO PONTES… SABER O QUE PENSAM OS MINISTROS DO STJ E DO STF eh mais importante. Tudo materia que nao exige raciocinio nenhum, em que se aprende numa manha, sem livros nem porra nenhuma, numa aula de video conferencia.

    Se querem selecionar alguem com base em INFORMATIVOS DE JULGADOS, PELO MENOS QUE COBREM A RAZAO DOS JULGADOS. Pelo que eu tenho visto, BASTA SABER NUMERO DE SUMULA OU O DISPOSITIVO DOS JULGAMENTOS QUE VOCE FECHA A PROVA. Aih entra no Tribunal os decoradores de codigo e de sumulas… que viram os professores, que, por sua vez, (in)”formarao” OUTROS SERVOS, seres que sempre PRECISARAO DE UM MESTRE NA VIDA. Aih estah o ciclo da desgraca!!!

    Tenho que discordar de voce num ponto… pra mim, nao eh SOH CONCURSEIRO que faz tudo por dinheiro. Todos estamos nessa barca, meu caro. Fazemos tudo pelo dinheiro… largamos filhos, diversoes, conversas com amigos, prazeres descompromissados, enfim, a propria pratica da virtude pela vontade de ter, OU MELHOR, de SER QUEM NAO SOMOS. Chego a me perguntar quem eh melhor: O HOMEM OU A PROSTITUTA. Afinal, essa vende o corpo pelo dinheiro, aquele, a alma.

  7. Guilherme Feldens Says:

    Como academico prestes a entregar a monografia, venho me manifestar de forma a ter identificado varias vezes coisas que fiz e agi na faculdade, desde que entrei em 2005. Honestamente, filosofar é um ato de intelecto, que deve ser feito apenas sob vontade própria.
    Eu entendo que o desinteresse pela filosofia jurídica enquanto matéria seja porque é abstrata demais. Muitos que entram na área de direito, estão atras de dinheiro, outros estão atrás de resolver problemas do mundo. E resolver problemas do mundo, apesar de hipotético, se da por meio de coisas mais concretas e práticas.
    Por exemplo, uma aula introdutória de Constitucional que aborde a filosofia constitucional desembocará do abstrato para o concreto. Logo o aluno passa a entender o raciocínio filosófico que lhe é apresentado. Entretanto, aulas de filosofia não saem do abstrato. São discussões de conceitos abstratos que, depois de 1 hora e meia, te levam a uma conclusão que muitas vezes não é aproveitada para nada. Daí surge o desinteresse.
    Fora que filosofar é algo praticado por todos, ainda que de forma inconsciente, desde que tenham tempo. É por isso que de todos os grandes filósofos da história, não encontramos camponeses, servos, escravos, operários. Assim, como foi dito, muitos que pretender passar em concursos mal tem tempo para o conteúdo formal, jamais irá se dedicar como deveria para filosofia.
    Mas, pelo que entendi, a crítica ou ponto nodal do texto vem a ser que os alunos deveriam se interessar mais pela matéria de filosofia jurídica, pois esta vem a ser importante para a formação do futuro operador do direito.
    Em termos.
    Como eu disse antes, muitas pessoas que entram no curso de direito, pretendem ganhar dinheiro, outras, mais sonhadoras, querem resolver os problemas do mundo, corrigir as injutiças, etc. No caso de quem quer ganhar dinheiro, sua filosofia é ganhar dinheiro e não libertar sua mente, não filosofar. Não sei se isso é certo ou errado, é um estilo de vida, é uma opção. Em relação a quem quer mudar as coisas, essas pessoas só vão precisar de filosofia no dia em que pretenderem aumentar seu grau de convencimento. E mesmo assim, vao buscar qualificação específica. Quem quer mudar as coisas se prende a situações práticas. Só buscaram origens filosoficas de uma situação quando isso for importante para atingirem seu objetivo prático (um bom exemplo é o advogado criminalista, que para inocentar seu cliente, poderá se valer de teorias filosóficas que busquem explicar que, no fundo, os motivos que levaram seu cliente a vida criminosa esta em um conjunto de fatores sociais, e etc, que impliquem que não havia outra conduta exigivel da pessoa, que não aquela). Entretanto, um academico que vire defensor público porque acredita que poderá ajudar os pobres e assim promover justiça social logo aprenderá coisas práticas envolvendo processo civil que não criem óbice para seus recursos de uma forma geral. Não tem como fugir disso.
    Por experiencia pessoal, o metodo que meu professor de filosofia usou era muito bom. Ele criava grupos de 3 ou 4 alunos, e a cada grupo direcionava um livro. Dai, ao decorrer do ano, eram apresentados trabalhos sobre cada capítulo do livro determinado. Fazia chamada para que as apresentações tivessem plateia. Eu li Teoria Pura, do Kelsen. Algumas coisas achei bem interessante, mas certas coisas que ele dizia eu eram um tanto quanto desnecessárias.
    Para encerrar, não gostaria mesmo de ver filosofia caindo em concursos. Que caia na OAB, que é o filtro dos formados, quem souber alguma coisa acaba entrando, depende so de si. Mas em concursos não é bom.

  8. Hugo Dias Perpétuo Says:

    Então nobre Paulo,

    É difícil acordar e perceber que sua “fortaleza tremeu, e que quase tudo ao seu redor, de melhor já se corrompeu”, mas ai você pensa: enquanto existir vida, existirá esperança, e ao olhar no espelho pra fazer a barba de manhã para ir trabalhar, a imagem que reflete é de um monstro que também já foi corrompido.

    Certamente todos gostam de dinheiro, mas tem que ser homem e não um “prostituto da alma”, está ai a grande diferença, concurseiro que pensa em dinheiro ta enrolado, pois a vida pública não dar esse dinheiro todo, e sim estabilidade, quer dinheiro? abre uma barraquinha de dog(Um cara da Asa Sul ficou rico com isso), por isso quero lhe corrigir o equivoco, eu não disse que concurseiro e somente concurseiro faz tudo por dinheiro, sei muito bem disso, porem só afirmei que concurseiro que se preste, não faz pensando SOMENTE em dinheiro.

    Agora estou em total acordo com você quando mencionou a parte de abandonar muitos verdadeiros valores da vida pela busca de dinheiro, que “pretende ser o que não é ou pensa que é algo que não é”, isso certamente é o passo que falta para cair no abismo, por isso deixo um trecho de uma frase que li no de Rerum Natura do livro de Clausi Alsina que se encaixa não muito perfeitamente ao caso, mas que resume o homem como ele é, e deverá ser.

    “Um homem é como uma fracção, cujo numerador é o que ele é e cujo denominador é o que ele pensa que é. Quanto maior for o denominador, mais pequena é a fracção”.

    Guilherme, é verdade que entre grandes filósofos não encontramos servos, camponeses e escravos, mas com o tempo, encontramos descendentes de servos e escravos, em que o ódio e o rancor contra tudo que é mal está no sangue, e este sendo usado de forma racional, pode verter justiça.

  9. Vitor Ramalho Says:

    Prezado George, acho que você já mencionou sobre a internet como direito fundamental. A notícia abaixo trata sobre o assunto.

    http://blog.estadao.com.br/blog/link/?title=finlandia_torna_acesso_a_internet_banda&more=1&c=1&tb=1&pb=1

  10. George Marmelstein Says:

    A idéia do post foi precisamente denunciar a pré-compreensão dos alunos em relação à filosofia (do direito). Existe essa falsa idéia de que filosofia não serve para nada. Essa falsa idéia não é destituída de motivos. Muitos professores de filosofia contribuem para esse quadro ensinando uma filosofia etérea que paira no vazio, sem nenhum significado prático. Muito melhor, a meu ver, é ensinar pensamento crítico, argumentação, detecção de falácias, método jurídico (e científico), entre outros temas que afetam o dia a dia do profissional do direito. É a maior besteira saber se havia direito na ilha de Robison Crusoé. Muito melhor é partir de um problema concreto (tipo: qual a legitimidade do STF para decidir sobre temas tão polêmicos?; existe alguma situação em que é justificável, do ponto de vista ético, descumprir uma lei? e assim por diante). É isso que tenho tentado fazer, mas sem muito sucesso ainda.

    George

  11. Joao Paulo Says:

    Feldens, pela madrugada:

    nao confunda MANUAIS DE FILOSOFIA DO DIREITO COM FILOSOFIA DO DIREITO. Os dois sao feitos para ganhar dinheiro. Nem por isso posso considera-los SERES DA MESMA ESPECIE. O primeiro eh fruto de criacao, o segundo eh obra de um intermediario, de um automoto, cujo resultado DAH NO MESMO QUE A INFORMACAO GERADA PELO ULTIMO ELO DA CORRENTE DOS PARTICIPANTES DA BRINCADEIRA “TELEFONE SEM FIO”: INFORMACAO DESVIRTUADA OU ERRADA.

    Eh bom lembrar que CAPA NAO MUDA CONTEUDO DE LIVRO. O fato de um livro levar o nome de FILOSOFIA DO DIREITO nao implica considera-lo como pertencente a especie. Vah nessas livrarias nao especializadas (como SICILIANO E CULTURA) e veja varios exemplos dessas porcarias, quase sempre prefaciados POR OUTRO MERCENARIO DO DIREITO. As vezes tem ateh mais de um… sabe como eh… a classe dos poderosos eh bem unida. Fossem essas obras prefaciadas por verdadeiros juristas, a INFORMACAO AO LEITOR DEVERIA SER VERDADEIRA, deveria ser uma “condenacao” proferida contra o autor do livro em solidadariedade com a editora por CRIME AMBIENTAL, por crime contra a sociedade, QUEIMAR ARVORES A TOA.

    Num ponto concordo com VOCE: QUER FILOSOFAR, FILOSOFE SOH. Sou ainda mais radical: DEFENDO O FIM DAS AULAS DE FILOSOFIA DO DIREITO. Para filosofar, basta TEMPO, VONTADE, CAPACIDADE E BIBLIOTECA. Pra que um MESTRE PARA ENSINAR ALGO AOS OUTROS? Os tais mestres soh atrapalham o desenvolvimento do ser humano. Criam seres automatizados, com visoes perifericas, COM A SENSAZAO MAIS MENTIROSA DE PODER QUE PODE EXISTIR: A POSSE DE UM CADERNO COM ANOTACOES.

    Vou mais alem: EXTERMINEMOS AS ESCOLAS E FACULDADES. No lugar dessas imundices construamos lugares DE SOCIALIZACAO. Nos centros de socializacao nao haverah aulas nem porra nenhuma. Um professor fica A ESPERA DOS INTERESSADOS… quem quer DISCUTIR AS IDEIAS DUM AUTOR VAH AO ENCONTRO DO MESTRE E TAGARELE COM ELE. Os que se consideram sabichoes nao estao obrigados a frequentar as aulas. Nao seria produtivo forca-los a ir ateh o encontro do mestre, pois estao com a mente fechada, as vezes ateh com razao. Jah o destino dos malandroes, garanhoes e playboys deve SER UM DIA COM UM RECREIO ETERNO. Pasmem! Isso pode ser ateh produtivo. Vai ver o ocio canse. Pelo menos uns 2 ainda sejam recuperados com base nessa estratagema. Se nao forem recuperados, pelos menos nao construiriemos SERES HUMANOS INFELIZES OU REVOLTADOS por nao poderem exercer a liberdade. Veja: uma escola dessas sai melhor pra todo mundo: o OTIMO ALUNO TERAH UM PROFESSOR QUASE A SUA DISPOSICAO ( e o melhor, NAS ESCOLAS PUBLICAS); os seres medianos tambem aprenderao melhor com aulas sem tumulo e com o DIALOGO PROPORCIONADO ENTRE O TUTOR E OS GENIOS OU AS VEZES COM UM MONOLOGO DO ULTIMO. Jah os malandroes terao o destino que quiserem impor. Pelo menos no sistema implantado, SUAS ESCOLHAS DE TRAQUINAREM EM SALA DE AULA NAO INTERFERIRAO NO APRENDIZADO ALHEIO.

    Alem dos ganhos com aprendizado, poderiamos ter uma reducao de despesa com a solucao tracada. COM A GRANA GASTA PARA GARANTIR UMA GUELA SADIA PARA OS PROFESSORES, GREVES COM FAIXAS COM OS TITULOS DE “TRABALHADORES INDISPENSAVEIS” COMPRARIAMOS LIVROS. Garanto que com a fortuna gasta com esses mestres DAH PRA MONTAR A MAIOR BIBLIOTECA DO MUNDO. Dah pra por ateh uma aguinha mineral e um ar condicionado para refrescar melhor a caixola, para filosofar melhor. Tudo isso SERIA PUBLICO.

    O resultado do projeto seria a saida de um mundo COM APOSTILA E MESTRES PARA OUTRO COM LIVROS E SEM MESTRES. Pode ser arrogante a tese, mas nao eh nada mais que a aplicacao PURA E SIMPLES DAS IDEIAS ILUMINISTAS: o desenvolvimento do proprio homem, o que soh pode ocorrer com a derrubada dos mestres autorizados a ensinar. Afinal, um homem que NECESSITA DE UM MESTRE NAO EH UM HOMEM, ELE UM ASPIRANTE A ESSA CONDICAO.

  12. Roberto Bolanos Says:

    Algumas questoes, nobres cavalheiros:

    Se a filosofia do direito eh tao importante, por que os filosofos nao dao aula de “filosofia do direito”, nada mais que um ramo da filosofia?

    Outra: basta ler filosofos para SER CONSIDERADO FILOSOFO DO DIREITO? Se sim, para que serve um curso universitario DE FILOSOFIA?

    SE OS MAIORES FILOSOFOS DO DIREITO DA ATUALIDADE NAO SAO JURISTAS, O MELHOR NAO SERIA TOMAR CAFE EM AULA DE JURISTAS FILOSOFOS? pelo menos nao seriamos MEDIOCRES PROMISSORES.

    COMPRARIA OU NAO UM LIVRO DE DOGMATICA ESCRITO POR UM NAO JURISTA? Se nao, por que acreditaria que um filosofo “serio” faria o contrario?

    Minhas respostas:

    1)Estah aih o motivo do descredito do estudantes quanto a arte de filosofar. Na caixola dos jovens paira a ideia de que basta uma mente livre, baseada no postulado “soh sei que nada sei”, para se tornar um filosofo. Pensam marotamente que para ser um filosofo do direito basta saber o conteudo sobre o que se busca divagar e ter uma mente livre. O exemplo disso estah na frente deles: UM PROFESSOR DE DIREITO DANDO AULA SOBRE FILOSOFIA DO DIREITO.

    Quanto a mente livre, nao ha controversia: todos acham que preenchem o primeiro requisito para se tornar filosofo. Uns ateh acham que a maconha misturada ao reggae proporcionaria esse efeito aos que nao o possuem naturalmente. Quanto ao requisito de SABER EXAUSTIVAMENTE SOBRE O OBJETO A SER PESQUISADO, HA QUANTO AOS ALUNOS, PELO MENOS EM MEDIA, A PERCEPCAO DE QUE SABEM MENOS QUE O PROFESSOR DE DIREITO SOBRE DIREITO. Com base nessas premissas estabelecem a saborosa e preguicosa conclusao: basta que eu ponha a caixola pra funcionar no primeiro dia util subsequente ao termino da faculdade para que eu me transforme num Filosofo do Direito. Agora nao VEJO UTILIDADE EM FILOSOFAR. Ainda nao conheco perfeitamente o objeto sobre o qual pretendo FILOSOSAR. O que ha eh apenas um monologo DAQUELE QUE DIVAGA SOBRE O QUE CONHECE BEM. No futuro quem sabe conversaremos um pouco.

    2) Uma boa pergunta. Acho que nao ha ma-fe. Muitos acham que a materia pertence ao Direito. Sinceramente acho que a filosofia tem um metodo. Nao sei qual eh, mas tenho a absoluta conviccao que nao EH A LEITURA PURA E SIMPLES DE TODOS OS FILOSOFOS DE A A Z.

    3) Uma otima opcao, sem nenhuma duvida.

    4)Cada macaco no seu galho. Nao defendo a ideia de um JURISTA QUE SOH SABE NORMA JURIDICA. Defendo que um jurista seja o mais culto possivel, que conheca todos os campos do conhecimento. No entanto, se quer conhecer o PLATAO, leia a obra do Platao, nao a de um jurista que comente sobre ele. Quer conhecer habermas, leia o proprio Habermas, nao um jurista que escreve sobre “como compreender o habermas”. Nao entendeu o Habermas, compre um livro de algum filosofo que tenta explica-lo. Assim como nao compro um livro de filosofo sobre dogmatica juridica, tambem nao o aconselho a fazer o contrario. MUDEMOS ENTAO A MAXIMA POPULAR: CADA MACACO CANTA DO SEU GALHO, TODOS ESCUTAMOS…

  13. PRDJ Says:

    Mein Kampf. Está escrito “Main”.

  14. Guilherme Feldens Says:

    Joao Paulo
    onde foi que eu confundi isso?
    nem falei sobre livros e manuais.
    comentei sobre aulas e sobre o interesses dos academicos sobre direito e nao sobre filosofar.
    releia meu post

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