Ainda os direitos dos animais (Libertação Animal)

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Há algum tempo, tomei conhecimento das idéias do polêmico filósofo Peter Singer. Já li e recomendo o seu “Ética Prática” e o seu “Um Só Mundo”. Ainda não li o seu mais polêmico livro, que é o “Libertação Animal”, mas ele já está na minha lista.

A crítica abaixo, escrita pelo filósofo português Desidério Murcho, dá uma visão geral desta última obra com muita clareza. Por sinal, recomendo a todos que conheçam o blog “De Rerum Natura“, de onde extraí o referido texto. É um excelente blog para quem tem interesse em filosofia da ciência e outros temas ligados às ciências naturais. Já está na minha lista de favoritos. O Desidério também participa de um interessante blog específico sobre filosofia: Crítica Na Rede, vinculado a um portal de filosofia que possui inúmeros textos interessantes. Vale a pena.

Aqui vai o texto do Desidério Murcho (até o fim é tudo dele):

Como muitos dos debates internacionais que animam a opinião pública, as universidades e os intelectuais dos países mais desenvolvidos, o problema dos direitos dos animais tem passado despercebido em Portugal. Temos até o caso de Barrancos a lembrar-nos até onde a crueldade portuguesa pode ir em nome da tradição (como se qualquer tradição, só por ser uma tradição, devesse ser respeitada — afinal, também a escravatura era uma tradição milenar e foi abandonada). Com a publicação em Portugal da obra Libertação Animal, de Peter Singer, a Via Óptima vem dar aos portugueses a possibilidade de participar no debate internacional de ideias e de repensar algumas das suas convicções mais enraizadas. Esta obra foi originalmente publicada em 1975 e foi responsável pela vitalidade dos mais importantes movimentos em prol dos direitos dos animais. A edição a que agora temos acesso em português, traduzida por Maria de Fátima St. Aubyn, é a edição revista de 1990.

O livro tem 6 capítulos, dois prefácios (referentes às edições de 1975 e de 1990), três apêndices e várias fotografias ilustrativas do modo como os animais são tratados. Os apêndices apresentam uma útil bibliografia comentada, indicações que ajudam a viver sem pactuar com a crueldade para com os animais, e ainda uma listagem de organizações que, um pouco por todo o mundo, lutam contra o modo como tratamos os animais. O editor português incluiu nesta lista, e bem, referências a organizações congéneres portuguesas.

O primeiro capítulo é semelhante ao capítulo 2 da obra Ética Prática e tem por título “Todos os animais são iguais”. Trata-se de discutir a ideia de igualdade e de mostrar que restringir esta ideia aos seres humanos é uma forma de “especismo” — um preconceito indefensável e semelhante em tudo ao racismo. A ideia de igualdade é muitas vezes mal compreendida pelo grande público. Pensa-se que as mulheres e os negros ou os ciganos têm os mesmos direitos que as outras pessoas por serem iguais às outras pessoas. Mas isto esconde ainda uma forma de racismo e de sexismo. Em primeiro lugar, os homens são muito diferentes das mulheres: têm sexos diferentes. Mas daí não se segue que os direitos das mulheres se subordinem aos direitos dos homens. Em segundo lugar, é óbvio que há pessoas mais inteligentes que outras. Newton ou Einstein ou Descartes foram mais inteligentes do que a maior parte de nós; mas daí não se segue que tenham mais direitos do que nós. Em conclusão: não é por os ciganos, negros, etc. serem iguais aos outros seres humanos que têm os mesmos direitos. É verdade que são realmente iguais, em termos genéricos, nomeadamente quanto à inteligência; mas mesmo que não fossem, isso não determinaria que tivessem menos direitos. Afinal, um deficiente mental não tem a mesma inteligência de uma pessoa normal, mas não deve ser discriminada por isso.

Quando compreendemos a igualdade correctamente, compreendemos que é difícil não a alargar aos outros animais; discriminar com base na espécie é tão aleatório como discriminar com base na etnia ou no sexo. O que é moralmente relevante para ter direitos é a possibilidade de sofrer. Dado que os animais podem sofrer, têm direitos. No primeiro capítulo, Singer procura mostrar que a correcta compreensão da noção de igualdade implica que os animais têm direitos, respondendo a muitas das objecções que é comum levantar neste ponto do debate: será que os animais sofrem realmente, ou serão meros autómatos incapazes de sentir dor por não terem alma, como defendia Descartes? Será que faz sentido falar de direitos dos animais quando eles não têm sequer a noção do que é um direito? Singer responde com imparcialidade, rigor e bonomia a estas e outras objecções.

O segundo capítulo, intitulado “Instrumentos para a investigação” apresenta a realidade das experiências científicas com animais. Tanto este capítulo como o seguinte baseiam-se em ampla documentação. O autor conduziu uma investigação sobre o modo como os animais são usados na investigação científica — e os resultados são surpreendentes. A ideia que se tem geralmente é que as experiências com animais permitem avanços importantes em medicina, o que ajuda a salvar vidas humanas. Isto é falso. Grande parte das experiências científicas com animais são levadas a cabo por psicólogos que estudam o comportamento dos animais em situações anormais. Por exemplo: colocam um cão vivo numa espécie de forno, o qual aquecem lentamente até o cão morrer por ser incapaz de suportar o calor. Dão choques eléctricos a ratos e cães, para determinar como reagem a situações de dor permanente. Grande parte deste capítulo consiste em descrever experiências deste género, com base nos relatórios publicados nas revistas da especialidade.

Além de grande parte das experiências com animais levadas a cabo pelos cientistas ser perfeitamente irrelevante para o progresso do conhecimento, não é também verdade que algumas experiências sejam determinantes para salvar vidas humanas. Na verdade, nunca tal coisa aconteceu; e o contrário está mais próximo da verdade. Alguns avanços médicos cruciais que salvaram milhares de vidas jamais teriam sido alcançados caso se baseassem em experiências com animais: “a insulina pode provocar deformações em coelhos e ratos pequenos, mas não nos seres humanos. A morfina, que actua como calmante nos seres humanos, provoca delírios em ratos” (p. 53). E a penicilina é tóxica para os porquinhos-da-índia.

A maior parte das pessoas que defendem os direitos dos animais estarão dispostas a concordar com os argumentos do autor até chegarem ao capítulo 3, intitulado “Visita a uma unidade de criação intensiva”. Neste capítulo descreve-se a forma como os animais que comemos são tratados pelas modernas unidades de criação intensiva e o sofrimento a que são sujeitos. E é aqui que começam as dificuldades para o defensor dos animais, pois agora não se trata só de uma opinião sobre coisas que não o afectam; para ser consequente, o defensor dos direitos dos animais terá de deixar de comer animais, dado que é o nosso gosto por carne e peixe que determina o modo como os animais são tratados. O modo como as galinhas, os porcos e as vacas são tratados nas unidades de criação intensiva é descrito de forma imparcial, com base nas revistas da especialidade.

Dada a forma como os animais são tratados para produzirem carne, ovos e leite, que pode o defensor dos direitos dos animais fazer para ajudar a resolver a situação? O tema do capítulo 4, “Ser vegetariano”, defende um estilo de vida vegetariano como resposta a esta questão, para que o defensor dos direitos dos animais não seja hipócrita e inconsequente, defendendo com palavras o que contraria nos seus actos: “É fácil tomar posição acerca de uma questão remota, mas os especistas, como os racistas, revelam a sua verdadeira natureza quando a questão se torna mais próxima. Protestar contra as touradas em Espanha, o consumo de cães na Coreia do Sul ou o abate de focas bebés no Canadá enquanto se continua a comer ovos de galinhas que passam as suas vidas amontoadas em gaiolas, ou carne de vitelas que foram privadas das mães, do seu alimento natural e da liberdade de se deitarem com os membros estendidos, é como denunciar o apartheid na África do Sul enquanto se pede aos vizinhos para não venderem a casa a negros” (p. 152).

Surpreendentemente, há ainda outras razões para abandonar o consumo de carne. A produção intensiva de animais para abate é, em termos ecológicos, um disparate. “São necessários cerca de 11 kg de proteínas em ração para produzir o 1/2 kg de proteína que chega aos seres humanos. Recuperamos menos de 5 % daquilo que investimos” (p. 155). As fezes dos animais que são produzidos para abate contribuem em larga medida para o efeito de estufa; as urinas contaminam os solos e os lençóis subterrâneos de água. A água é consumida em grandes quantidades pelos animais para abate, contribuindo assim para o esgotamento progressivo das reservas de água potável. “A água necessária a um boi de 500 kg faria flutuar um contratorpedeiro” (p. 157). Os animais para abate são alimentados com rações que são produzidas a partir de cereais que os seres humanos podem consumir directamente, de forma muito mais vantajosa. “Se os americanos reduzissem o seu consumo de carne em 10 % durante um ano, libertariam pelo menos 12 milhões de toneladas de cereal, que […] seria suficiente para alimentar 60 milhões de pessoas” (p. 156).

O capítulo 5, intitulado “O domínio do Homem” procura dar conta das origens históricas do especismo. O pensamento grego, romano e cristão é profundamente especista — coloca os animais fora da consideração moral, tratando-os como meros objectos inanimados. A ideia de ver um animal a sofrer e de explorar o seu comportamento nessa situação tem raízes antigas, subsistindo ainda nos dias de hoje em espectáculos como a tourada. Peter Singer acompanha a história do especismo, que começa a tornar-se cada vez mais difícil de sustentar, sobretudo depois de Darwin. Mas trata-se de um preconceito de tal modo enraizado que mesmo T. H. Huxley, um dos maiores defensores do darwinismo, compreendendo que não há um fosso biológico entre nós e os outros animais, continua a acreditar nele, resistindo à refutação do especismo. Mas “a resistência à refutação é uma característica distintiva de uma ideologia. Se os fundamentos de uma posição ideológica lhe forem retirados, encontrar-se-ão novas construções ou, então, a posição ideológica permanecerá suspensa, desafiando o equivalente lógico da lei da gravidade” (p. 197).

O capítulo final do livro, “O especismo hoje”, apresenta objecções e respostas à causa dos direitos dos animais e alguns dos resultados prometedores a que já se chegou. Diz-se por vezes que os animais não podem ter direitos porque não têm deveres nem entendem o que é ter direitos. Mas os deficientes mentais e os bebés também não têm deveres nem compreendem o que é ter direitos — e no entanto têm direitos. Afirma-se também por vezes que os seres humanos não podem passar sem comer carne; mas isto é pura e simplesmente falso, como o atestam os milhões de vegetarianos saudáveis em todo o mundo. Também se coloca por vezes a questão de saber por que motivo nos devemos coibir de matar os animais para comer, se os animais se matam uns aos outros com o mesmo fim. Mas ninguém acha que podemos matar outros seres humanos para comer, apesar de sabermos que os animais matam seres humanos para comer se tiverem oportunidade de o fazer.

Libertação Animal é uma obra de leitura obrigatória. Pela clareza, seriedade e honestidade. Pelo rigor lógico. Pela inteligência dos seus argumentos. Está de parabéns a Via Optima. E quando uma editora está de parabéns, somos todos nós que ganhamos.

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13 Respostas to “Ainda os direitos dos animais (Libertação Animal)”

  1. Thiago Lied Says:

    Os argumentos nos colocam “contra a parede”.

  2. H.Perpétuo Says:

    “Toma distraído” como dizia meu velho Pai,, rsss…

  3. George Marmelstein Lima Says:

    Pois é. Os argumentos de Peter Singer são desconcertantes. Ele segue uma lógica muito bem elaborada e consegue, realmente, nos fazer pensar no assunto (estou falando aqui particularmente do Ética Prática).

  4. Renan Says:

    Boa tarde George. Sempre acompanho o blog, mas nunca participei. Hoje faço minha estréia. Primeiramente, parabéns pelos posts sempre muito interessantes e instigantes e, principalmente, pela maneira corajosa de encarar a sua profissão e seu projeto de vida, fatos com que muito me identifico.
    QUanto aos direitos dos animais, realmente, os argumentos de Singer são fortíssimos. Contudo, vejo o mundo como algo a ser descoberto, um denso evolucionismo e, nesse passo, sinto que ainda não temos o espírito necessário a alcançar o respeito aos direitos dos animais. Não quero dizer que eles não existam, mas meu enfoque reside na imprescindibilidade em respeitar os direitos do próximo enquanto ser humano. Há tantos direitos fundamentais humanos negligenciados todos os dias! Faria sublimes voos delirantes antes com a utopia humano-jurídica do que com a libertação animal. Isto porque ainda prefiro chorar com as desgraças humanas…
    Abraço George e parabéns!!!

  5. George Marmelstein Lima Says:

    Renan,

    também concordo com você. Na verdade, ainda não li o “Libertação Animal” por medo de ficar com crise de consciência toda vez que comer uma picanha.

    Hehehehe

    George

  6. Maria perpetua Says:

    nao gostei de voces sao parvos

  7. Guilherme Feldens Says:

    Ola, leio a algum tempo o blog, mas nunca havia me manifestado.
    Eu não li a obra, apenas li a crítica transcrita.
    Inobstante o fato de haver bons argumentos, não vejo com bons olhos esse tipo de coisa, querer regular direitos aos animais, sugerir estilo de vida de vegetarianismo, dentre outros. Primeiro, estamos em vantagem unica e exclusivamente pela capacidade de raciocinar, o processo de evoluçao de sociedade jamais passou pela participaçao de animais. Fora que, se for haver tal defesa, haverá uma irremediavel evoluçao o seguinte sentido: Os animais invertebrados também serão protegidos? afinal, sao classificados como “animais” tambem. Assim, passaremos a conviver e respeitar direitos de aranhas, escorpioes, formigas e outros?
    Será que não será um claro sinal de preconceito a violação das outras formas de vida, vegetal, bacteriana, fungos e viral? Porque apenas a vida “animal” seria protegida? Nesse diapasão, haveria de ter uma terrível revolução, ja que´pesquisamos medicamentos para aniquilaçao de muitas dessas formas de vida. Alem disso, as ultimas citadas vivem de invadir as demais.
    Outro ponto que acho bem relativo é a da vida em matadouro, ou de animais que vivem apenas para serem abatidos. Oras, se por um lado eles irão morrer, por outro, estão livres do stress causado pela vida selvagem. Qualquer um que assista programas de reino animal ja deve ter ficado com pena de algum filhote que, com menos de algumas horas de vida, já é devorado por um leão ou outro predador qualquer. Um bezerro tem, nesse prisma, uma vida muito mais tranquila e segura do que de um filhote de zebra, que pode ser abatido a qualquer momento.
    Obviamente, os maus tratos devem ser combatidos, porque isso sim é errado. Esportes onde a ideia seja a violencia contra o animal deve ser abolida, pessoas que agridem seus cãos e gatos, papagaios e afins, isso deve ser reprimido, mas sem esse exagero desmedido.
    Tenho certo preconceito contra determinadas formas de filosofia, pois as mesmas vem sem qualquer utilidade prática para a sociedade. Enquadro essa dos animais nesse rol, porque devemos considerar, primeiro, que o autor do livro nao deve ter muito com que se preocupar, como pagar contas, comprar leite pros filhos, nao deixar a conta bancaria estourar, podendo dai filosofar sobre os direitos dos animais, segundo que em um mundo onde lutamos para tentar acertar as relaçoes humanas, surge uma proposta de libertação animal, que vincularia o vegetarianismo, mas que ai nao calcula impacto ambiental para produçao de vegetais como base de escala mundial, convivencia e direito de defesa contra ataques animais, entre outros assuntos que se tornariam necessarios e relevantes.
    Concluindo, gosto do blog e da iniciativa do blogueiro, so nao concordo com esta teoria, creio que há coisas de extrema importancia para que nos preocupemos em jurisdicionar do que direito aos animais.

  8. George Marmelstein Lima Says:

    Guilherme,

    também não li o “Libertação Animal”. Por isso, minha “defesa” do Peter Singer baseia-se no “Ética Prática”.

    Inicialmente, é difícil debater com alguém que acha que o tema não é importante. Para mim, é um dos pontos mais relavantes na teoria dos direitos fundamentais, pois envolve o próprio conceito de dignidade. Se o que nos torna dignos de respeito e consideração é a razão, como você diz, então devemos excluir desse rol os deficientes, ou as crianças, ou os fetos, ou as pessoas que estão dormindo.

    O “círculo da dignidade” sempre foi excludente: mulheres, escravos, deficientes etc, somente há pouco tempo alcaçaram algum status jurídicos decente. Esse círculo foi se ampliando gradativamente até atingir um patamar muito bom para os seres humanos: todos somos dignos. O que Peter Singer propõe é que ampliemos o círculos ético para considerar também os animais com dignos de alguma consideração e respeito.

    A base da ética de Peter Singer é o sofrimento. É por isso que ele diz que animais que sentem dor merecem não sofrer. Esse é o direito básico de qualquer animal que possui um sistema nevorso desenvolvido. Se você não pode maltratar uma criança também não deveria maltratar um animal.

    Ele disse isso muito antes de nossa constituição prevê uma cláusula proibindo a crueldade com os animais. Pode ter certeza que, de algum modo, a teoria dele influenciou nossa constituição nesse ponto.

    Sugiro que leia com atenção o livro do Peter Singer, pois os argumentos que você utilizou são tão frágeis que não dá nem pra levar em conta numa discussão mais séria.

    Discordo de muita coisa que o Peter Singer defendeu. Inclusive, não estou tão seguro assim quanto à dignidade animal, que ele equipara à dignidade humana. Mas posso garantir que o livro dele foi um dos livros mais impressionantes que já li em toda minha vida. (estou falando do Ética Prática)

    George

  9. Guilherme Feldens Says:

    George
    Eu so acho que o conceito da dignidade deve vir de humanos para humanos, pelo menos a partir dai se tem relaçoes juridicas. Não sei quais pontos voce defende ou não, nem pretendo conhece-los, pois meu post foi sobre a consideração da ideia da dignidade animal.
    A teoria da excludente tem seu fundamento, mas como eu disse, deve ser mantida para as relaçoes humanas.
    Desculpe se eu ofendi por nao me importar pelo tema, mas eu acho extremamente temerária a ideia de igualar animais a humanos, ja temos tantos problemas etico-juridicos sem soluçao…
    O Etica Pratica nao li, quem sabe no futuro eu leia ele, mas a teoria sobre animais eu discordo e, sem ofensas a quem pensa o contrario, acho irrelevante para a sociedade.

  10. Guilherme Feldens Says:

    AH esqueci de mencionar, o que nos torna dignos de sermos respeitados não é o fato da razão mas sim de sermos seres humanos, independente de genero ou qualquer forma excludente, diga-se humana, ja criada, como raça superior, escravos, deficientes, homossexuais, entre outras formas de diferenciação e discriminação.
    Inobstante a teoria do sofrimento, não considero a mesma suficiente para equiparar humanos e animais em direitos ou mesmo em dignidade.

  11. A Ética da Eternidade – Parte II (Ética Religiosa vs. Ética Laica) « Direitos Fundamentais - Blog Says:

    […] por sua defesa do direito dos animais, cuja argumentação principal foi desenvolvida no livro “Libertação Animal”. Para ele, a dor é má seja aquele que sofre. Inversamente, o prazer e a felicidade são bons, […]

  12. Mariana Says:

    Parabéns pelo texto. Sou vegetariana há 3 anos e afirmo que é plenamente possível. Sou super saudável e me alimento muito bem com alimentos variados e saborosos. Ter sensibilidade com o sofrimento dos animais faz parte da nossa evolução. Não podemos mais ignorar que os animais sofrem, bem como os danos ao meio ambiente que esse mercado causa. Nunca entendi a diferença entre o cachorrinho de estimação e o boi, a galinha, o porco, o peixe. Todos esses animais possuem sentimentos e merecem respeito e amor.

  13. Carlos Guimarães Says:

    Muito interessante a perspectiva de todos os que aqui contribuíram para uma rica leitura sobre o termo, não importa em que grau um possível resultado seria considerado em relação à praticidade social, como alguns questionam. Claro que temos muitos problemas sociais humanos para resolver, mas a história mundial mostrou e ainda continua mostrando que a evolução humana nunca se deu de forma unânime e nem crescente e constante. Vide grandes descobertas em épocas de guerra. Conhecimentos que usamos até hoje, mas que foram descobertos com intenções de combate, que na verdade nada tinham de interesses sociais a não ser em defesa do próprio povo e ao infortúnio de outro, enfim, guerras são quase sempre originadas por questões de disputa de poder ou de soberania ou ainda por tirania. Então, qualquer questão levantada sobre quaisquer assuntos devem sempre ser consideradas como pontos passíveis de valorização na prática humana, embora nunca sirva para uma grande maioria, até porque o que é bom para um, pode não ser absolutamente nada para outro. Mas indiscutivelmente tolir opiniões apenas por serem contrárias às próprias já se justifica por si só como um preconceito. A base da filosofia humana está em vislumbrar entendimentos que sejam úteis ou não num dado momento da história da humanidade. Se nossas mentes forem sempre imediatistas, estaremos fadados ao fracasso em relação a qualquer tentativa de crescimento cultural, moral, social e espiritual ou a qualquer outro foco de visão a que estejamos prontos a absorver com otimismo. Somente assim é possível estabelecermos viabilidades de direcionamento de questões abordadas no mundo atualmente em função de grupos independentes a adotarem tendências a posturas radicais, sejam lá de qual natureza forem. Vide questões das doenças na África do Sul, divergências religiosas no oriente médio, misérias distribuídas em toda parte do mundo, onde a alimentação básica nem ao menos pode ter o luxo de opção. Todas as questões são importantes e “devem ser” discutidas com respeito, pois tudo o que se refere ao bem estar humano, sem nenhum tipo de rotulação fanática, será de grande valor para a humanidade de um modo geral. Mais ainda quando a consciência do ser humano despertar para uma concepção coletiva social e espiritual conjuntamente. Sem considerarmos detalhes tão fundamentais da concepção de vida humana, jamais poder-se-á atribuir maiores ou menores valores à superioridade da raça humana sobre todas as outras. Enquanto meios físicos forem os únicos e exclusivos métodos de interferência na vida humana. Existirão guerras, dentre os inúmeros tipos, as frias, oficializadas, políticas e concensuais. Cabe aqui também dizer que uma forma de preconceito incide em se colocar em posição autárquica com cunho próprio. A humanidade continua rumando para a diferenciação social em inúmeras esferas. O interesse em colocar com sustentabilidade a concepção da importância da valorização sobre a diferença de privilégios humanos sobre os outros animais é uma árdua e admirável tarefa, que deve ser tratada de forma respeitável e paciente. E quando o ser humano entender que é superior aos animais por não ter a necessidade de matar e fazer sofrer os animais considerados de raça inferior, assim também estará contribuindo para trabalhar em prol de sua própria raça sem se ater às diferenças, será uma atitude natural. Se você e eu formos incapazes de defender um animal, que diferentemente de nós não usa de sentimentos conscientemente mal-intencionados e ações premeditadas para nos fazer mal, e ao contrário, só nos prestam auxílio, carinho e sofrem muito ao serem explorados como fonte de lucro direto e indireto, sendo usados para testes de laboratório, força de tração, comércio, e ainda vítimas da indiferença, irresponsabilidade e violência por desequilíbrios emocionais e espirituais humanos, então estaremos grandiosamente iludidos ao pensarmos que somos a espécie mais evoluída neste planeta. Contudo o processo dessa conscientização já foi iniciado, não cabe a nós impormos à força e nem saberemos quando estará vigorando de forma inânime, se é que um dia estará, mas o objetivo nem deve ser este, sabemos que hoje em dia ainda existem povos que vivem sob conceitos de seus antepassados aborígenes ainda, e qual o mal nisso? O mal está na negligência de quem já tem o conhecimento e a concepção e ainda luta consigo próprio, essa é a maior guerra, o desprendimeto. A inaceitação da individualidade como ser pensante. Seguir a maioria ainda é uma herança primária do ser humano. Não sejamos bisões guiados ao penhasco. Então saibamos pelo menos entender que, embora em escala reduzida frente ao volume global, porém de forma constante e multiplicativa, contribuímos direta e indiretamente para o sofrimento e mutilação de muitos animais ao longo de nossas vidas, e isso nada mais é do que uma herança que muitas vezes passamos a vida inteira sem questionar. E a partir do momento em que houve a oportunidade de nos depararmos com o assunto, é nobre que nos atentemos a ele e procuremos nos aprofundar a ponto de podermos ter argumentos suficientes para tomar alguma postura de adesão ou de indiferença pacífica e respeitosa. Muitos estudiosos ainda se dividem em relação à base mas não em relação ao conceito adotado. A saber; bases sociais, morais ou espirituais? Essa questão nós devemos definir primeiro antes de nos envolvermos com a polêmica abordagem, pois em muitos pontos o perfil social, moral e espiritual das pessoas as levarão a desistir ou a adotar uma consciência individual ou coletiva sobre o assunto. É bem interessante desmembrarmos a abordagem do assunto em formas mais triviais e compreensíveis para que sejam permitidas maiores compreensões àqueles que optam pelo desinteresse ao assunto em função de se depararem com raciocínios menos convidativos e acabam mantendo uma visão arraigada aos primórdios tempos. Imaginemos que com a experiência de vida desenvolvida em cada uma das pessoas que se depararam com tal pauta, seja feita uma análise própria e individual a ponto de se descobrir a razão da palavra dignidade e respeito à vida. Qualquer espécie usa de seus meios para sobreviver mesmo que para isso tenha de conduzir outras ao sofrimento e à morte por não terem conhecimento da dor alheia ou outras alternativas alimentares. Porém, as espécies que têm racionalidade e assim várias outras opções não adotadas, incidem no parasitismo e da indiferença “consciente” à dor alheia e aos princípios da violação dos direitos de liberdade à vida natural sem discriminação de espécie. Observe que, legalmente, apenas quando em defesa própria o ser humano pode imprimir a morte de outrem de forma consensualizada, defesa essa há séculos definida em artigos civis e criminais rezados nas leis da maior parte dos países no mundo. Se um dia a escassez de alimento chegasse ao ponto da permissão da morte humana para alimentação? Seria justo que alguém morresse para garantir a um outro o almoço? Na verdade o que já ocorre é quase isso, apenas nos sentimos ilusoriamente corretos por nos julgarmos seres superiores subjulgando as espécies inferiores. Imagine que um leão ou um tubarão nos decepe as pernas ou até mesmo todo o corpo para uma simples refeição que lhe será útil por apenas alguns dias… Qual seria a culpa do animal? Nenhuma, ele vive das oportunidades e tem seus limites podendo inclusive sucumbir à fome frente à escassez de alimento e sem outras alternativas, ainda é sabido que ele não faz a distinção racional que compete aos seres humanos sobre o valor filosófico ou não de uma vida. E quando fazemos tal qual o voraz mamífero ou peixe, imprimindo a morte direta ou indireta para termos satisfeitas parte das nossas necessidades fisiológicas de soluções plenamente alternativas? Pense nisso? Estaremos nos diferenciando dos animais em que? Então também não deveríamos ser dignos dos direitos que a nós mesmos concedemos como espécie diferenciada. Pois indiferentemente dos animais terem ou não noções de direitos quiçá pleiteados a eles no futuro, nós humanos devemos ter. E esse é, dentre outros, um grande diferencial que nos coloca, ou deveria colocar, à frente dos animais irracionais que, sem necessidade real alguma, arduamente nos servem de alimento e contribuem como utensílios pessoais e souvenirs…

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