Contra os rótulos acadêmicos

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“Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado se quiser voar!

(Se quiser voar)
Raul Seixas

O meu doutorado – acho que já comentei isso – tem uma perspectiva multidisciplinar ou, para utilizar a linguagem “da moda”, procura estimular uma “ecologia de saberes”. Apesar de haver aulas tradicionais de direito “dogmático”, há também muita discussão sobre temas sociológicos e políticos dentro de uma abordagem multicultural. É uma saudável mistura de conhecimentos que certamente irritaria os puristas kelsenianos. Além disso, a gente não estuda apenas a visão “hegemônica” – eurocêntrica e anglosaxônica -, mas também procura estudar outras fontes de saber vindas, por exemplo, da África, da América Latina e da Ásia.

Essa troca de experiências tem sido bem interessante e, pelo menos para mim, tem servido para comprovar uma idéia que eu já tinha antes: do ponto de vista ético, não há tanta diferença quanto aos objetivos almejados pelos seres humanos, ainda que os rótulos ideológicos e as perspectivas culturais sejam completamente antagônicas.

Esse rótulos ideológicos, a meu ver, são a principal fonte de discórdia desnecessária, pois impedem, de antemão, qualquer tentativa de diálogo cordial e produtivo. Ninguém gosta de opressão, de discriminação, de desrespeito ao semelhante etc. Todos querem um mundo melhor para todos. Apesar disso, suas idéias só serão ouvidas se você estiver vestindo a camisa do mesmo time do seu interlocutor. Se você for marxista, não interessa nada do que Adam Smith disse, ainda que existam muitas idéais semelhantes vindos desses dois pensadores econômicos. Se você for anti-marxista, tudo o que Gramsci disse é besteira, ainda que existam algumas semelhanças com as idéias de Hayek ou de Popper, por exemplo. Ou você é feminista ou é machista. Ou você é pró-meio ambiente ou é pró-indústria. Ou você é pró-direitos sociais ou é neoliberal. E assim, todo debate está fadado ao dissenso.

Lembro que, assim que cheguei aqui em Coimbra, um colega que conhecia o meu texto da katchanga me perguntou se eu era “procedimentalista”. Olhei meio assustado e respondi que não. Ora, mas você não criticou a ponderação de valores?, perguntou ele.

Todo pensamento tem que ser rotulado, não importa o conteúdo. Parece que assim fica mais fácil ser contra ou ser a favor de uma idéia sem se dar ao trabalho de compreender o que o outro quer dizer. É uma preguiça intelectual querer generalizar tudo. Também é um erro grave achar que ou você está comigo ou você é contra mim.

Se você pegar um texto escrito pelo George Soros e entregar para ser lido pelo Hugo Chavez em pleno Fórum Mundial Social, pode ter certeza de que será aplaudido efusivamente. Do mesmo modo, se você pegar um texto do Boaventura de Sousa Santos e pedir para o Bill Clinton ler em Davos, também haverá aplausos de aprovação sincera. Na essência, os discursos são muito semelhantes, o que demonstra que há muito mais coisa em comum do que os rótulos deixam transparecer.

Tome-se a seguinte frase como exemplo: “A era do terror implantada pelo governo Bush após os ataques terroristas de 11 de setembro representa a maior afronta às liberdades e aos direitos humanos jamais vistas na história dos EUA”.

De quem é? É minha, mas poderia ser tanto de Zygmunt Bauman, quanto de Karl Popper, se ele estivesse vivo. Aliás, o George Soros, no seu livro “A Era das Falibilidades”, defendeu alguma coisa parecida (não li, só folheei na livraria).

Se todos estão de acordo, por que não dialogam? Por que, ao invés de trocarem insultos grosseiros, não tentam delimitar os pontos controversos de forma honesta? Por que não há união para fazer valer aqueles pontos em que os interesses convergem? Por que é preciso ser sempre ou isto ou aquilo, ao invés de ser um pouquinho de cada coisa, aproveitando o que o outro tem a oferecer de melhor?

Por isso, de agora em diante, vou evitar ao máximo usar rótulos para se referir a idéias.

E para ser coerente, não vou chamar essa minha escola de pensamento de coisa alguma. Quem quiser fazer parte é só ser contra os rótulos acadêmicos e se preocupar mais com o conteúdo das idéias.

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36 Respostas to “Contra os rótulos acadêmicos”

  1. Adriano Costa Says:

    Belo post, Big George. Talvez um pouco anárquico; algo niilista; leves pitadas de pós-positivismo, com uma conclusão deveras kafkiana.
    E viva a diferença!

  2. Raul Nepomuceno Says:

    Esse Drica… Hehehehehehehehe. Moço patusco, esse Dricão!

    Mas, George, lá vou eu polemizar… Você consegue mesmo se desvencilhar dos rótulos? Por que se referiu, no próprio post, aos “puristas kelsenianos ” como prováveis intolerantes ao tipo de programa que você está cursando? Será que não há sobre a face da Terra nenhum “kelseniano purista” que também gostaria de participar desses debates?

    Um abraço,

    Raul.

  3. Raul Nepomuceno Says:

    P.S. Não quero que fique a impressão de que discordo do que você disse no post. Pelo contrário, não apenas concordo como gostei muito da forma como você expôs os prejuízos dessa rotulação toda. Gostei principalmente da parte: “Por que é preciso ser sempre ou isto ou aquilo, ao invés de ser um pouquinho de cada coisa, aproveitando o que o outro tem a oferecer de melhor?”.

    Raul.

  4. Raul Nepomuceno Says:

    P.S. (2) Aliás, essa semana mesmo estudei com o pessoal lá da faculdade as Escolas Hermenêuticas, da Escola da Exegese à Escola do Direito Livre, passando pela Jurisprudência dos Conceitos e pela Teoria Pura do Direito, ressaltando também a contribuição da Tópica e das teorias argumentativas. Vejo em todas essas doutrinas algo de importante a ser assimilado, ainda que haja alguns equívocos graves, no meu modo de entender.

  5. George Marmelstein Lima Says:

    Drica,

    esse seu comentário foi muito flamenguista…

    George

  6. George Marmelstein Lima Says:

    Raul,

    é verdade, os rótulos estão em toda parte e parece que não dá pra se livrar deles. O problema é quando eles viram plumas de pavão…

    George

  7. Caceres Says:

    Hahaha, gostei. Quero participar dessa escola de pensamento que não se chama de coisa alguma. Por mais que possa ser impossível se livrar dos rótulos vale a pena tentar.

  8. luiz meirelles Says:

    compartilho deste entendimento. na religião isso é absurdamente evidente. ou você é católico ou é evangélico. ou acredita em deus ou é ateu. se escolhe uma delas como resposta a uma eventual (e quase sempre inquisitória) pergunta, corre absurdo risco de sofrer uma discriminação, seja por meio de um olhar, seja por meio de um “ah tá.” com tom desaprovador.

    portanto, sempre que me perguntam algo sobre religião, prefiro recorrer a uma única e objetiva resposta: sou todas elas e mais um pouco.

  9. svencarioca Says:

    George & Raul

    Não há problemas na minha opinião de usar rótulos para enquadrar os outros que nestes rótulos. Quando vou ao mercado gostaria que o pote de Maionesa tem um rótulo pois assim saberei do conteudo do pote. Ideias podem ser comparados aos embalagens do supermercado. Há vários tipos de maionesa e de ketchup, da mesma forma que tem vários interpretações e seguidores de Lock, Hegel, Marx, Kelsen ou Habermas que podem fascilmente ser rótulados.

    O que cada ser humano, e especialmente os acadêmicos e intellectuais devem tentar o máximo é escolher uma destes rótulos. O cachorro quente merece maionesa, ketchup, mostarda, batata palha, queijo ralado, uma salcicha ou linguiça etcetera. Se tiver só um pão e uma linguiça, não seria um cachorro quente. O saber do intellectual não deveria ser formado pelos ideias de uma ou duas pensadores, mas do seu pensamento próprio sobre o maior número de obras que pode ler.

  10. svencarioca Says:

    Arrrggg,

    Esqueci colocar a palavra mais importante no meu comentário:

    O que cada ser humano, e especialmente os acadêmicos e intellectuais devem tentar EVITAR o máximo é escolher uma destes rótulos.

    Evitár é a palavra crítica na frase.

  11. h. perpetuo Says:

    Eu penso, talvez esteja pensando errado, mas quando leio uma obra, seja la de quem seja, e observo que a teoria, ou o conceito que ele defende, talvez esteja certo, prefiro acreditar que esse conceito sempre esteve dentro de mim, tal pessoa apenas nasceu primeiro, e desenvolveu, e expresso em idéias talvez de forma cristalina ou não.
    Sim Seven, certamente desenvolvemos conceitos a partir de ideologias que seguimos, mas a essência daquilo que tal doutrinador diz, já está em vc, mas precisa ser regada para poder um dia dar frutos, tem pessoas que protegem a teoria de que ladrão é bandido e merece somente xilindró, outros preferem acreditar que ele talvez teve motivos ou necessidades, e merece uma visão melhor do que se passava em sua vida, para um dia ele reverte o processo e voltar a sociedade com uma mente melhor, se vc nasce em berço de ouro e um dia na rua é roubado, vai querer que ladrão apodreça nas grades, agora se vc nasce em favela, e vc quem muita gente que sai pra roubar pq o filho da passando fome e essas coisas, talvez pense diferente, porem cada caso é cada caso.

    Um exemplo talvez nada a ver, Existe 6 caminhos para vc poder chegar ao seu destino, so que dentro de cada caminho a outros caminhos ligados aos outros que vc excluiu, e dentro desses novos caminhos, a novos atalhos para poder chegar ao seu destino, agora se vc pega apenas um caminho e ignora esse outros caminhos pq tem ligações com aqueles que vc ja excluiu, talvez nem chegue ao seu destino, tem outro também, aquele garoto que sai de casa pra comprar o pão, e volta sem os dois, talvez gastou o dinheiro, ou perdeu, ou foi roubado e etc…

    Estudo primeiramente pra saber quem eu sou realmente, posso descobrir, e se um dia descobrir, ou ja ate descobri e não sei.
    Confuso ne, é pq não sei de nada ainda

    Mas uma coisa é certa:

    “Compreender que há outros pontos de vista é o início da sabedoria” THOMAS CAMPBELL

  12. Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato. Says:

    George e colegas,

    O tema é deveras interessante, principalmente a parte sobre o Georg Soros ser aplaudido (seu texto lido por Chavez). Será que ele tem se dado bem com as crises financeiras mundiais? Digo, será que com pessoas passando fome e perdendo seus empregos, ele não tem ficado rico, quando não, participado da aplicação prática da “teoria dos jogos” nas bolsas de valores do mundo todo?

    No outro post eu já havia mencionado Thiago de Mello e seus “Estatutos do homem”. Agora parece acertado mencionar Tommaso Campanella e Thomas Morus e sobre “a Cidade do Sol” e “Utopia” respectivamente.

    A perfeição pretendida, idealizada, precisaria de inúmeras modificações, inclusive a já mencionada, qual seja, de que não se rotulem idéias e ideólogos e seus séquitos. Porém, só isso?

    Entendo que não!

    As pessoas devem se colocar no lugar de outras pessoas. Isso implica que sejamos, ainda que por alguns instante, Nazistas, Pedófilos, Assassinos comuns, Serial Killers, Genocídas, Sádicos, Sodomítas, Homosexuais, e também, nós mesmos, acaso não sejamos alguns dentre aqueles.

    Todavia, falando do Brasil, o Juiz não pode fazer isso, ele é (cidadão do Solar e de Utopia) imparcial. O Promotor e o advogado são parciais, o que dificulta a assunção do outro ponto de vista, dito ex adverso.

    A sociedade não cogita tal procedimento, e o único que já vi assumir verdadeiramente uma perspectiva macabra, foi Jorge Luis Borges, vivendo na pele de um Nazista em suas últimas horas antes de sua execução (Deutsches Requiem in: Obras Complestas v. 1 p. 641/646).

    Em um ponto o texto tem razão: A divisão sempre foi duplo binária, ou está do meu lado, e é como eu, ou está contra mim, e é meu inimigo. É aquela velha percepção de que: ou é Mr. Hyde ou é Dr. Jekyll.

    A cada dia que passa as pessoas estão menos interessadas em ser seus inimigos e pesadelos, situação sem a qual, jamais haverá verdadeiramente liberdade e igualdade, e por consegujnte, o produto final e acabado desses dois: A democracia.

    Não adianta fulando escrever sobre a Sociedade aberta – Open Society (Popper) e sicrano criar uma ONG filantrópica com o mesmo nome (Soros). Acabe sendo uma atitude bélica, sem se colocar no lugar das outras pessoas, pois mais vil que lhos pareça. Assim o penso. Eu mesmo, confeso que as idéias que aqui expus não me são muito agradáveis, e tenha certa dificuldade de encampar certas pessoas e atitudes, mais estou cada vez mais cônscio de que fora disso, não há essência de democracia, quando muito, apenas forma, em ato de travestir outros interesses inconfessáveis.

  13. Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato. Says:

    Perdoem os erros de Português! Agora percebi, são vários.

  14. Caio Graco Says:

    Eu diria que esse post foi “alanshoriano”…

  15. BOLANOS Says:

    1) O que parece é que o George quer ser reconhecido como algo novo no “mercado de juristas”.
    Nada de rotulá-lo com marcas criadas por outros juristas. O que deseja é criar algo novo. Quem sabe um rótulo novo?

    2) Quanto à Kelsen, respondendo ao Raul: Um Kelseniano provavelmente adoraria participar desses debates. Nao como jurista, mas como um curioso pela disciplina tratada por outras ciencias.

    Acho que são poucos os debates de que Kelsen não participaria. Talvez não animasse a debater SOBRE NÚMEROS. Parece-me que Kelsen tinha grande apreço pela Matemática, mas não alçou voos maiores na Ciência dos nobres. Coitado! Também não escapou do velho trauma que acompanha 9 entre 10 bons juristas: ter fracassado na ciência mais bela. Bonita por isso:
    1) pegue dois homens, não importando se estão trajando TERNOS RISCA DE GIZ ou bermuda com havaianas. Submeta-os a problemas cabeludos de matemática, alguns insolúveis. Ao término de 1 dia, ou até em menos tempo saberemos qual deles é melhor em Matemática.
    2) Não adianta lero-lero para convencer a platéia de ignorantes nem técnica de retórica (lero-lero disfarçado com citações a perder de vista, com sociólogos, filósofos amarelados, e português rebuscado).

    Há…!!! não faltarão os que afirmarão que falta para a Matemática o que sobre no Direito: a incerteza. Esses não precisam ser contestados, basta que eu diga quem são:
    1) Estudantes semi-analfabetos que entram no curso superior. Afinal, para um estudante que não sabe nem a taboada não há nada mais animador do que o Curso de Ciências Jurídicas. Qualquer reposta vale, basta justificar… Eu? Ficar 3 ou 4 dias para resolver um probleminha de matematica? Em 3 ou 4 dias leio a coleção completa do Pontes de Miranda. E mais. Se não entender nada do que ele escreveu, discordo dele; vou atrás do Caio Mário da Silva Pereira pra ver se entendo/concordo com ele…. Se tudo der errado pego o Venosa e passo a concordar com ele de “cabo a rabo”. Talvez o melhor seja nem estudar. Crio teorias e afirmo que são de autores alemães.
    2)Os bons alunos também adoram o Direito. CDF´s gananciosos pelo poder, às vezes, melhor, raras vezes, futuros promissores nas ciências puristas, acabam escolhendo o Direito. Pensam sabiamente o que pode ser traduzido no seguinte provérbio: “Em Terra de cego, quem tem olho é rei!

    Pelo que me lembre, Kelsen se interessou bastante por outros ramos das CIÊNCIAS FÁCEIS, digo, digo, CIÊNCIAS HUMANAS. Nem preciso lembrar de que sobre o tema justiça KELSEN “bateu a pau” qualquer filosofinho de meia tigela que se aventurasse a tratar sobre o assunto.

    3)Encerro com OBAMA. Foi muito feliz nesse comentário: “Quero os Estados Unidos com mais engenheiros e menos ADVOGADOS”

  16. Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato. Says:

    Mais engenheiros, e menos advogados. Sonho de 10 entre 9 déspotas. Nem Deus quer advogados no Céu, segundo a anedota. Senão São Pedro começa a querer cobrar pelo trabalho, pelas horas extras, etc.

    Obama adora tanto essa idéia que para ele, sonegadores de tributos e exploradores de imigrantes ilegais devem fazer parte de seu governo.

    Obama mais parece um Lula que frequentou Harvard, ou seria Lula um Obama que não a frequentou e saira das montadoras para os Sindicatos e de lá para o poder?

    Vamos ver quando será o primeiro mensalão!

  17. George Marmelstein Lima Says:

    Caio,

    agora que você falou, realmente lembrei de um episódio em que o Alan Shore fala algo muito parecido para o Denny.

    Tá lá no post sobre o Alan:

    “O que me incomoda é que, neste país, sempre temos que adotar lados: você está conosco ou é contra nós; você é republicano ou é democrata; é vermelho ou azul. Ninguém encara mais uma questão e luta pelo que acredita ser o certo. Mas é a nossa capacidade de pensar que nos torna humanos. Ultimamente, parecemos querer rifar o dom do raciocínio em troca da boa sensação de pertencer a um grupo”.

  18. Igor Says:

    Um bom texto sobre rótulos e uma proposta de comunhão de ideias no lugar do dissenso. E já redundou em comentários lamentáveis.

    Admiro as ciências exatas e penso que o raciocínio jurídico seria muito beneficiado com uma abordagem mais técnica por parte de seus teóricos. Mas qualquer análise que se resuma a dados matemáticos acarreta distorções, para não dizer aberrações.

    É o que fez o Bolanos ao retirar uma frase do Barack Obama de seu contexto original, usando-a de maneira completamente distorcida. Em “A audácia da esperança” Obama escreveu isso dizendo que sonhava com os Estados Unidos tendo muito menos conflitos sociais – e daí uma menor necessidade de advogados – e mais investimento na produção de riqueza – o que demandaria mais engenheiros.

    Quão diferente é o sentido original da frase dentro e fora do contexto. Mas um físico ou um matemático que só pensa em números não se preocupa muito com o contexto. O importante é verificar se a fissão nuclear funciona. Se isso gera uma bomba que vai matar cem mil pessoas em meio segundo, é um detalhe que já não diz respeito às ciências exatas.

    Por outro lado, o mundo jurídico tem opiniões demais e dados de menos – como no segundo comentário do Thiago, uma concentração de rótulos. E, à medida em que as pessoas tratam suas opiniões como verdades, não admitem alterá-las. Como as opiniões contrárias também são dogmas e igualmente carecem de dados concretos, tem-se uma fogueira de muita vaidade e pouco conteúdo.

    Mas, George, eu não consigo imaginar sequer um fragmento de texto do Boaventura passando por algo do Bill Clinton. Mesmo entre os democratas, a visão de mundo e os discursos são demasiadamente antagônicos. Já entre aqueles com muita retórica e pouca consistência, há uma curiosa proximidade.

  19. Igor Says:

    Adendo: Obama aproveitou uma frase de efeito do Akio Morita, que nos anos 80 disse haver algo errado em um país que produz mais advogados que engenheiros.

  20. Caceres Says:

    Pode crê, me lembrou o grande Alan Shore. Por falar nisso, e aquele livro sobre o “Boston Legal”, está suspenso até o fim do doutorado?

  21. Rafael B. Says:

    Concordo, só não acho bom o exemplo do Soros. Ele é bem intervencionista (especialmente se comparado com a média de pessoas ligadas ao setor financeiro).

    Já que usei rótulos, acho que eles servem sim, como meio de sintetizar análises. Ou seja são posteriores ao estudo dos argumentos e idéias do outro. O problema é que as pessoas vivem num mundo de chavões e então o que deveria ser uma síntese (alguma coisa próxima de facilitar um caminho ao entendimento de alguém) torna-se a própria análise.

    sei lá se me fiz entender.

  22. Caceres Says:

    Acho que Rafael apresentou algo interessante, a questão dos rótulos enquanto sínteses. Cada pessoa vai precisar, em sua obra, de conceitos operacionais, para poder não deixar sua literatura cansativa. Essas sínteses devem ser usadas para facilitar as coisas.

  23. Jamil Says:

    Thiago

    Com todo o respeito, juiz imparcial é paradoxo inominável. Nunca existiu juiz imparcial.
    Neutralidade na condução do processo não significa nunca imparcialidade no julgamento, exatamente porque ele julga, emite sua opinião no julgamento (tese-antítese-síntese).

  24. Jamil Says:

    Bolanos,

    Diz pra mim: sem lero-lero, qual é o valor de “X”?

  25. BOLANOS Says:

    Jamil,

    O x sozinho é uma letra do alfabeto, sem valor algum para a Matemática. Essa foi meu filho que respondeu, um frangote de 4 anos…

    Não me venha com perguntas matemáticas… Pegue o livro do Malba Tahan… encontrará dezenas de problemas contextualizados… Um livro para crianças, mas que, no Brasil, é para adultos estudiosos hehehe

    abraço

  26. Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato. Says:

    Jamil,

    concordo com você, por isso me referi a Tommaso Campanella e Thomas Morus e sobre “a Cidade do Sol” e “Utopia” respectivamente. Nesses dois lugares, eles são imparciais. Aliás, sequer precisa-se dele, mas se precisar, ele será….lá e apenas lá.

  27. Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato. Says:

    Em tempo, e sem perder o fio da meada, ou o de Ariadne:

    Já que se está a falar de rótulos e conteúdos, e em algum ponto falou-se de Barak Obama, sugiro uma discussão sobre dois textos, que mencionam um livro em comum:

    Roberto DaMatta, o prestigioso sociólogo, falando sobre a questão do mito racial em Obama:

    http://www.e-agora.org.br/arquivo/Obama-e-o-mito-do-presidente-negro-nos-EUA…-/

    E Martinho da Vila, o prestigioso Sambista, falando sobre o mesmo tema de DaMatta:

    http://sambadobrasil.wordpress.com/2008/06/12/artigo-obama-vai-dar-samba/

    E ambos, mencionando o livro “o Presidente negro ou o choque de Raças” de Monteiro Lobato (disponível em vários lugares para download: 4shared, esnips, scribd, etc. Mas vale a pena a aquisição deste livro, profético e supostamente ficcional, escrito na decada de 20 do século passado).

    Falar ou se referir a alguém como “o Presidente negro”, “o presidente operário”, ou “presidente do sexo feminino”, tal qual os Hermanos se referem a Edson Arantes do Nascimento (El Negro Pelé) não traria já em si uma propaganda, um rótulo, que de maneira alguma deveria ser explorado (a)?

    No texto do prof. DaMatta, a menção a um filme chama a atenção, no que tange a construção das identidades (como ele mesmo afirma), “Adivinhe quem vem para jantar”, de Stanley Kramer,

    E menciona:

    “No momento mais crítico do filme, o cosmopolita Dr. Prentice (Sidney Poitier) diz para seu pai, um humilde carteiro (Roy Glen): “O problema, papai, é que você se pensa como um homem de cor, mas eu me penso como Homem!””

    Não deixa de excluir determinada condição, em que pese o fato de incluir outra. Não buscaria a essência universalista do ser, em vão, já que por mais que se busque tal condição, as pessoas preferem a singularidade que as ligue a outros, e com isso, a busca pela dissensão?

    Essa é minha humilde indagação.

    Falar em um Viés historicista, Marxista, Leninista, Stalinista, Trotskysta, Nazista, Fascista, Capitalista, Liberalista, Neoliberalista, Conservadorista, etc e “istas” de todo gênero, número e grau, é apenas uma maneira de englobar e empacotar no mesmo saco, teóricos e teorias.

    O colega Sven disse que isso de certa forma é bom, pois permitiria uma boa ida ao supermercado, sem surpresas e discrepâncias quanto a informação da embalagem e o conteúdo dela.

    Indago que partir do particular para o universal (ou vice-versa) não é muito aconselhável, ainda mais depois que Arthur Schopenhauer identificou essa atitude a uma das várias maneiras de tentar vencer um debate sem precisar ter razão. A famosa dialética erística, não muito lembrada, mas que serviu para Schopenhauer desmascarar Hegel (como algumas pessoas pensam).

    Penso eu que os rótulos servem menos para escolhas pessoais do que para refutações de outras idéias. Permite que não se escolha o produto única e esxclusivamente por causa da cor da embalagem, pela capa, tornando desnecessária a compreensão.

    Serve ao menos de experiência. Prova-se que o partido tal é tão ou mais corrupto quanto os demais, e que a cor da pelo não exime seu ninguém de escolhas e atitudes erradas.

    Ah, e sobre o livro de Monteiro Lobato, propriamente dito, há quem veja um certo viés racista, principalmente no desfecho da trama. Será mesmo? De cabelos lisos e feitio “esbranquiçado”, predileções por loiras, todo Lobato pode ter um pouco de razão. Ou serão apenas rótulos e aparências, sem maiores implicações?

  28. Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato. Says:

    Ah, e sem me alongar muito:

    Quanto a uma frase do post:

    “Se todos estão de acordo, por que não dialogam?”

    É que por mais que se tente, balas de rifles, ou sermões e parábolas de escrituras não dialogam com inimigos.

    Que o diga Frederico Garcia Lorca sobre a ditadura de Franco. Lorca não tinha religião, e isso dificultou o adiamento de seu fuzilamento.

    Olga Bernário Prestes sobre o fascismo de Vargas. Olga até tinha religião, só que era a religião que seus inimigos não gostavam.

    e tantas outras vítimas do Salazarismo, Franquismo, Getulismo, Fascismo, Nazismo …ismo….ismo…ismo….ismo etc.

    Aliás, eles tem até um direito específico a ser aplicado : O Direito penal do inimigo. Isso mesmo: Direito do autor, e não do fato. Como já mencionei, criaram até tribunal de Autor: Nuremberg. Muito aplaudido até hoje.

    Se somos todos irmão em uma grande confraria, somos Esaú e Jacó, Caim e Abel, etc. Um réquiem a Roberto Lyra Filho e Machado de Assis que bem apreenderam essa questão.

  29. h. perpetuo Says:

    tava off pq Bolanos? seja bem vindo novamente.

  30. Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato. Says:

    Também a propósito, leia-se criticamente o seguinte conto e a atitude do Professor Loteca e de seus admiradores. O curioso é que vejo muitos de meus antigos professores no conto. (Babel ou a Apologia do Falso Intelectual) de autoria do Prof. Arnaldo Godoy, no livro Chuva de Sapos, S/D.

    Babel ou a Apologia do Falso Intelectual (*)
    (A mim mesmo.)

    11 de dezembro de 1996. Nesse dia a pequena cidade, que pode ser qualquer uma, viveu uma euforia inusitada, uma comemoração inesquecível. Urras, vivas, bravos, apupos, foguetes, gritos, palmas, apitos, relinchos.

    Frenesi em torno do mais célebre habitante, o professor Loteca. O título era honorário, ele nunca entrara numa sala de aula. E o nome não era da pia batismal nem dos assentos cartorários. Fora dado por um antigo prefeito que creditara à cidade uma sorte muita grande em contar com o professor. Sorte maior do que uma vitória no jogo da loteria. Daí, Loteca.
    Ninguém sabia de onde ele vinha. Sabia-se que ele chegara à cidade há mais de dez anos. Surgiu no horizonte com um traje escuro que raramente tirava e com uma mala de couro, que a julgar pelos selos, estampas e carimbos, estivera em muitos e insondáveis lugares. A mala era um mistério, como ele mesmo.

    Também ninguém sabia verdadeiramente do que ele vivia, de onde tirava o pão, se fora casado, se tinha filhos, parentes ou religião, embora fosse amigo do padre. Era o professor quem cuidava da contabilidade da igreja. Vivia num pequeno quarto, num cubículo, onde deixava suas poucas roupas e seus livros, que nos últimos anos foram pouco abertos. Eu pude orçá-los, catalogá-los, e eis o resultado da sumária pesquisa:

    a) um código penal, brochura, com um marcador indicando a seção dos crimes contra o patrimônio;
    b) uma monografia, chamada de “Comentários ao artigo 171 do Código Penal”. Para os jejunos em ciências jurídicas, o artigo 171 do Código Penal descreve o crime de estelionato: “Obter para si, ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena – reclusão de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa”
    c) uma velha carteira emitida pelo serviço de atendimento ao prisioneiro exemplar;
    d) um dicionário de filosofia, cuja dedicatória pude copiar e que reproduzo: “A v. que passa as horas meditando nas ações humanas, uma guia para um reencontro com a verdade e com a existência”. Anoto que o nome do doador era ilegível;
    e) dois romances policiais, um dos quais ilustrado com cenas de violência explícita; o professor sublinhara com caneta vermelha a descrição do esquartejamento;
    f) uma Bíblia, convencional, dos Gedeões, e outra, em linguagem de hoje, edição evangélica.

    O professor era da a escrever e redigia cartas e mais cartas para pessoas humildes. Para algumas ele cuidava da escrita e de depósitos bancários, serviços que fazia a honorários módicos, que diretamente sacava das contas. É oportuno registrar que ninguém se sentia lesado por ele. Ele era muito querido, admirado por sua erudição. Não havia dia em que as pessoas não disputassem sua companhia na mesa.

    Naquele 11 de dezembro o professor estava radiante, ou “maniqueísta”, como ele gostava de dizer quando abraçava todos. Se ele tivesse a documentação exigida pela justiça Eleitoral certamente seria prefeito ou vereador. Mas ele perdera os papéis, em algum lugar…

    Estava “maniqueísta” porque naquele 11 de dezembro recebera um telegrama. De Paris! Formou-se uma interminável fila na porta do correio. Todos queriam tocar o telegrama com suas próprias mãos…Ele era…de Paris…Ninguém na cidade colocara as mãos em coisa vinda de tão longe. O agente do correio estava encabulado, estranho. Ele era presbítero de igreja protestante. Parece que, impaciente, ele não via a hora de sair da agência. Recebera um dinheiro inesperado e queria comprar algumas coisinhas para sua mulher. O agente estava com um ar de remorso. Coisa de protestante, ou de quem andou prevaricando.
    Em pouco tempo toda cidade sabia da nova.

    O professor vencera um concurso de contos, ganhara o prêmio Guimarães Rosa, outorgado por altíssima e cultíssima comissão de lieteratos. Certamente dificílimo. O professor levara o nome da pequena cidade para o coração da Europa.

    Difícil era explicar o que era um concurso. Mais difícil ainda era explicar o que era um conto. Alguém disse que concurso era como uma corrida de cavalos. Um bando de animais correndo atrás de um prêmio ridículo. Assim, todos entenderam o que é um concurso. Mas o que é um conto é duro explicar.

    a) conto é uma história curta, disse alguém;
    b) conto é uma mentira com cara de verdade, disse outro;
    c) conto é uma receita de doutor para dor de barriga, disse um terceiro;
    d) conto é o que se escreve na nota de um ou dois contos, disse mais um;
    e) conto é o que a gente diz que é conto, disse o Seu Carlos de Andrade, dono da farmácia;
    f) conto é o desenho do paraíso, disse o coroinha:
    g) conto é uma história de crime, disse o Seu Edgard;
    h) conto é o que aconteceu na missa do Galo, disse o seu Assis, que trabalhava com seu machado, ele cortava lenha;
    i) conto é o que a gente sente dentro da gente, disse a Dona Clarice;
    j) conto é um morango mofado, disse o menino Caio, que aliás morreu pouco tempo depois;

    Não importa. Não chegaram a conclusão alguma. Mas sabiam que era algo muito importante. Muito importante mesmo.
    E pelo fim da tarde a cidade reuniu-se junto à torre da companhia de luz. Intuitivamente repetiam o que certamente se passaria, na mesma hora, na Torre Eiffel. Embora não dessem conta, o charme era protagonizar-se por aqui, o que certamente estava acontecendo lá. Paris. Paris. Paris.

    Um ar de orgulho, se superioridade, envolvia a expressão de toda a gente. De boca a boca a constatação de que apenas dois brasileiros haviam brilhado na França. Santos Dumont com o 14-Bis (que ninguém também sabia o que era) e o professor Loteca, com o conto, que também ninguém sabia o que era. Os jornais do Brasil certamente não deixariam de noticiar a façanha. Pena que jornais não chegavam na cidade. Mas isso é apenas um pormenor, de somenos importância, que não tirava autoridade e legitimidade do Professor.

    – Mais cumu é qui intendero no istrangero? Perguntava Matilde, dona da pensão, que já ouvira dizer que nossa língua não era muito bem entendida no mundo todo.
    – Ele escreveu em outra língua, justificava o padre, que não continha seu orgulho para com o conterrâneo;
    – Outra língua? Era a pergunta que a cidade estupefata se fazia. Como é que alguém poderia chamar porta por outro nome? E maia, e arroz, e feijão, e tubaína, e arreio, e charrete, e missa, e dia, e árvore, e chuva, e bode, e vaca, e noite, e São João, e casa, e cama, e mesa, e banho, e escada, e prego, e martelo, e enxada, e adubo, e vela, e lenha, e banha? Como seria (para eles) que todas essas coisas são internacionais, especialmente o feijão (como é que alguém viveria sem feijão) mas, nomes diferentes? É, só o professor para escrever em outra língua…

    Eu também devo registrar que o professor tinha desafetos. Pessoas enciumadas de seu cabedal de conhecimentos. O professor não deixava por menos. Quando encontrava um inimigo lançava invectivas:
    – Não tenho medo de ninguém. Estou sempre pronto para discutir e provar meus pontos de vista. Como diria Kennedy, a sorte favorece os audaciosos…

    Ante uma citação tão apropriada e tão precisa, os inimigos saíam de mansinho. Roíam por dentro. Gelavam até a medula. Tremiam de raiva. Como alguém pode saber tanto?

    A honestidade dessa narrativa exige que eu diga que o professor não tinha idéias próprias…Citava o tempo todo. E muito bem… E quando queria valer-se de idéia alheia, iniciava a citação com uma locução que o celebrizou: “segundo aquela máxima”…” E tocava o barco. Anoto algumas preciosidades que certamente orientarão o bem falar e o bem citar:

    a) Segundo aquela máxima de Sócrates, nada vem do nada;
    b) Segundo aquela máxima de Juvenal, a natureza não dá saltos;
    c) Segundo aquela máxima de Pilatos, uma mente sã numa cabeça bonita;
    d) Segundo aquela máxima de Herodes, vinde a mim as criancinhas;
    e) Segundo aquela máxima de Ovídio, amar é uma arte;
    f) Segundo aquela máxima de Napoleão, melhor do que perder a guerra é ganhar a guerra;
    g) Segundo aquela máxima de Cristo, crescei-vos e multiplicai-vos;
    a) Segundo aquela máxima de Descartes, é o início que coroa a obra;
    h) Segundo aquela máxima de Getúlio Vargas, o homem é o gato do homem;
    i) Segundo aquela máxima de D. João VI, independência ou morte;
    j) Segundo aquela máxima de Tibério, Alea est jacta alea Alea (esta ele citava assim mesmo, em grego, do Novo Testamento)

    Vestido apropriadamente, de escuro, o Professor Loteca foi à torre de eletricidade viver sua apoteose, ou nostalgia, como ele preferia dizer. Que noite nostálgica!!

    Com dificuldade, parando para abraçar a todos, ele chegou ao estrado que o machadeiro Assis montou para a solenidade.
    Falou e encantou a multidão. Disse que escrevera duas versões do seu conto, uma em latim e outra em francês, e que não era poético vertê-los para o português.

    Eu reproduzo sua palavras:
    “- Conterrâneos e contemporâneos: conterrâneos porque vivemos na mesma terra e contemporâneos porque sonos iguais, pensamos com as mesmas têmporas. (aplausos). Faço o uso da palavra porque segundo aquela máxima do Vaidoso São Francisco, minha grandeza é também a do Brasil! (aplausos). Lamento que não entendam a língua que usei em minhas obras mas os sons são universais e a beleza das idéias tocará todos os corações, como a espada de São Jorge tocou o anjo Gabriel!” (aplausos).

    E abrindo um pedaço de papel, começou a ler seus contos, o primeiro em latim (o que emocionou o padre) e o outro em francês (o que emocionou o relojoeiro).

    Ei-los:
    “Puela cantat. Magistra educat. Aquila volat. Puellae cantant. Magistrae educant. Aquilae volant. Discipula salat. Poeta recitat. Agricola laborat. Ranae natant. Reginae regnant. Nautae navigant” (aplausos)

    E continuou, agora, com a segunda versão:
    “Bonjour mês enfants! Bonjour, monsieur Le Prefesseur! Nous allons commencer notre leçon. Ou est Le livre? Le livre est sur la table. Le livre est-il ouvert ou fermé? Le livre est ouvert; il n’est pás fermé! Que voyez-vous ici? Je vois cinq crayons de couleur. Les couleurs de ces crayons sont-elles belles? Oui, Monsieur le Professeur; ells sont belles. Nommez des objets scolaires. Le livre, le cahier, le crayon, les crayons de couleur, la gomme, le stylo, le porte-plume, la plume” (Aplausos. Mais aplausos. Ainda aplausos. Mais aplausos).

    Em seguida, o professor explicou que precisava ir a Paris receber o prêmio. Mas não tinha como. Era honrado, honesto, mas pobre. O prefeito adiantou-se com um cheque em branco, para todas as despesas. Todos queriam colaborar. O professor tinha em mãos toda a riqueza da cidade. Ele agradecia. Até os inimigos invejosos fizeram questão de doar seus níqueis.

    Era muita cultura para uma cidade tão pequena, tão pacata. Que nunca esqueceu aquele 11 de dezembro. Foi o último dia que viram o professor, que jamais voltou. Ninguém esqueceria. Especialmente a mulher do agente do correio, que foi encontrado morto, esquartejado, como na cena do livro do professor. Perto do morto, o filhinho que chorava. A criança tinha o nariz escorrendo e usava uma camiseta azul, onde lia-se: Torre de Babel.” (* in: Chuva de Sapos, GODOY, Arnaldo Sampaio de Morais. S/E/ S/D)

  31. hugo segundo Says:

    “Em 3 ou 4 dias leio a coleção completa do Pontes de Miranda….”

    Não poderia haver mais eloqüente atestado de falta de conhecimento a respeito do que se escreve, pois nem os índices das obras dele poderiam ser lidos nesse tempo.

    E, por sinal, Pontes de Miranda conhecia matemática também.

  32. Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato. Says:

    Quem sabe se os intentos do Padre Antônio Vieira de entregar o nordeste aos Holandeses tivessem dado certo, a formação jurídica de FC Pontes de Miranda (que ocorreu no nordeste) permitisse a criação de obras completas que pudessem ser lidas em alguns dias. E quem sabe o nordeste fosse realmente levado a sério! E não apenas se falasse em transposição do velho chico para facilitar a irrigação do polígono da maconha!

  33. Caio Graco Says:

    George, era exatamente a esse episódio que eu me referia…

  34. Teoria Feminista do Direito e Prostituição « Direitos Fundamentais - Blog Says:

    […] há também muitos homens que são adeptos da teoria feminista. Assim, já na linha do movimento “abaixo os rótulos”, proponho que ouçamos os argumentos que as feministas têm a oferecer, sem desprezar de plano […]

  35. Catarina Vitorino Says:

    Caro Prof. George,

    Gosto da discussão “sobre temas sociológicos e políticos dentro de uma abordagem multicultural. Também considero que seja “uma saudável mistura de conhecimentos” que envolve uma visão mais aberta a conceitos e valores que vige na sociedade em que vivemos (numa Era considerada da informação e do conhecimento). A diversidade cultural é brilhante e presente, não há como negar o quanto acrescenta e nos possibilita observar o diferente como merecedor de igual respeito, deixando de lado tamanha rotulação. Parabéns pela defesa!

    Uma abraço

  36. Catarina Vitorino Says:

    Caro Prof. George,

    Gosto da discussão “sobre temas sociológicos e políticos dentro de uma abordagem multicultural. Também considero que seja “uma saudável mistura de conhecimentos” que envolve uma visão mais aberta a conceitos e valores que vigem na sociedade em que vivemos (numa Era considerada da informação e do conhecimento). A diversidade cultural é brilhante e presente, não há como negar o quanto acrescenta e nos possibilita observar o diferente como merecedor de igual respeito, deixando de lado tamanha rotulação. Parabéns pela defesa!

    Uma abraço

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