Grândola, Vila Morena

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A primeira vez que escutei a música “Grândola, Vila Morena” foi através de uma versão “punk-rock” da banda paulista 365, lá nos bons e velhos anos 80. (Clique aqui para ouvir a versão “rock”. Se quiser uma versão mais “light”, é só ouvir e assistir aqui).

Já gostava da música pelo ritmo e letra. Passei a gostar mais ainda depois que fiquei sabendo de sua história. Quem nos conta é a Wikipédia:

“Grândola, Vila Morena” é a canção composta e cantada por Zeca Afonso que foi escolhida pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) para ser a segunda senha de sinalização da Revolução dos Cravos. A canção refere-se à fraternidade entre as pessoas de Grândola, no Alentejo, e teria sido banida pelo regime salazarista como uma música associada ao Comunismo. Às zero horas e vinte minutos do dia 25 de Abril de 1974, a canção era transmitida na Rádio Renascença, a emissora católica portuguesa, como sinal para confirmar as operações da revolução. Por esse motivo, a ela ficou associada, bem como ao início da Democracia em Portugal.

As nossas aulas do doutorado ficam a menos de vinte metros da casa em que morou Zeca Afonso, em cujas paredes podem ser lidos os versos da música “Grândola, Vila Morena”. Eis a foto:

Eis a letra na íntegra:

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

Aqui, um interessante vídeo com várias personalidades portuguesas cantando a música, inclusive José Saramago.

A letra da música tem tudo a ver com os direitos fundamentais, tanto por ser um manifesto contra a opressão quanto por ser uma ode à democracia. Lembra um pouco, a música “Pra não dizer que não falei das flores“, de Geraldo Vandré, que também foi um hino contra a ditadura no Brasil. Quem sabe não coloco as duas em minha tese de doutorado?

E por falar em músicas revolucionárias, aproveito para recomendar uma visita ao site DHNET, que tem um lista bem longa de canções que simbolizaram a luta contra a opressão em diversos países (clique aqui). É meio “luta armada”, mas é legal. A propósito, o site tem muita coisa interessante, além das músicas. Vale dar uma olhada com calma.

Enfim, um post para ouvir…

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5 Respostas to “Grândola, Vila Morena”

  1. h. perpetuo Says:

    “tanto por ser um manifesto contra a opressão quanto por ser uma ode à democracia”, que pena professor, que aqui no Brasil, nos dias de hoje, muitos não dão o menor valor em musicas com esse tipo de mensagem, pelo por esse lado, o lado dos adolecentes.

  2. h. perpetuo Says:

    * não por esse lado, o lado dos adolecentes

  3. Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato. Says:

    Quanto a manifestações sobre o desrespeito ou violação dos Direitos Fundamentais, a melhor e mais breve foi criada por Garcia Marquez, no livro “Ninguém Escreve ao Coronel”: Mierda!

    Aliás, esta é a palavra que mais serve para substituir outros termos. Ela e seus quejandos. M..da, B..ta, et caterva e et cetera.

  4. Adriano Tardoque Says:

    Um belo exemplo de articulação e reivindicação democrática que dever transpor as barreiras do tempo e tocar reflexivamente a todos que almejam transformações sociais com base nos direitos humanos.

    Grande abraço!

  5. Pamela Says:

    Que bons desenhos Vicente!Embora ne3o peecbra por completo, je1 percebi que houve hipopf3tamos em Vila Vie7osa e que foram proveitosos- e pelos vistos continuam a andar por aed.Do retiro em Vila Vie7osa tens desenhos muito bons, posts de 21 e 30 de Abril e de 2 de Junho. Mas antes mesmo dessa ocasie3o, tens um desenho fabuloso pela maneira como trabalhaste a atmosfera, o enquadramento e a luz: as cadeiras e mesa no interior de cozinha a 5 de Abril.

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