Navegar é preciso

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“Tudo vale a pena
Quando a alma não é pequena…”
Fernando Pessoa

Ora pois, meus caros amigos. Eis que abro a minha caixa de e-mail e leio uma mensagem que fez meu coração bater mais rápido: era da Universidade de Coimbra, informando que eu havia sido admitido no programa de doutoramento “Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI“, coordenado por Boaventura Sousa Santos e J.J. Gomes Canotilho.

É daquelas notícias que, apesar de esperada, pois me candidatei em julho, pega a gente de surpresa. Afinal, as aulas começarão em novembro.

1665 e 1666 foram considerados os anos “mirabilis” de Sir Isaac Newton, pois foi nesse período que ele desenvolveu sua teoria científica que revolucionou o mundo desde então. Do mesmo modo, o ano de 1905 foi o ano miraculoso de Albert Einstein, pois foi aí que ele desenvolveu sua teoria da relatividade, igualmente revolucionária e genial. De minha parte, o ano de 2008 tem sido o meu ano “mirabilis”, pois foi quando eu desenvolvi a teoria da katchanga! :-) Brincadeiras à parte, acho que tem sido um ano especial, tanto pelo lançamento do livro como agora pelo início de meu curso de doutorado, se der tudo certo.

Já escrevi aqui uma idéia geral do que pretendia desenvolver durante o meu futuro doutorado. A idéia básica, em resumo, era defender que, por força da laicidade do Estado, toda lei que tenha como fundamento uma justificativa religiosa destituída de base científica, já refutada empiricamente, seria inconstituional. Tenho refletido e talvez eu mude ligeiramente o foco. Pretendo tirar um pouco a abordagem do viés religioso para defender a inconstitucionalidade de toda lei anti-racional. (Parêntesis explicativo: por “anti-racional” deve-se entender todo pensamento que já tenha sido refutado cientificamente, ou seja, que não tenha passado pelo “teste de falseabilidade” do método científico). Sei que não será uma caminhada fácil, pois o próprio método científico não é infalível. Mas terei pelo menos dois anos para tentar justificar meu ponto de vista.

É lógico que não deixarei de escrever no blog. Aliás, talvez o ritmo de posts até mesmo aumente, já que minha preocupação será 100% em produzir a tese de doutorado, caso dê tudo certo. Digo “caso dê tudo certo”, pois ainda é preciso conseguir a autorização do TRF5, o que não é tão fácil.

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8 Respostas to “Navegar é preciso”

  1. Ermiro Neto Says:

    Parabéns, George!

    Também fui aprovado no mestrado e embarco para Coimbra na semana que vem.

    Abraços!

  2. Marcelo Soares Says:

    Após mais uma noite dormindo às cinco da manhã, terminando “Os 7 Minutos”, tiro meu chapéu para a notícia. Parabéns. O tema escolhido é de grande importância.

  3. Hugo dias perpetuo Says:

    Espetacular o seu estilo de visão, muito amplo, efetivamente magnífico, não é mera bajulação da minha parte, pois sua pessoa ( em certos pontos ) se assemelha a minha…..rsss… Tenho 20 anos George, acadêmico apenas 1 ano, ainda estou regando minha semente, porem os meus conceitos sobre religião e ciência seguem sua teoria (Tive esse pensamento quando comprei o livro“ Quem somos nós” mistura de física quântica, religião e ciência, – confesso que ate chorei – ), certamente o senhor já deu umas folheadas nesse livro, se ainda não, lhe empresto, vai ajudar em certos pontos, e é isso. Espero te conhecer um dia, certamente vou conhecer, não tenha duvidas ( espero que não seja me julgando…. rss.. brincadeira, isso jamais vai acontecer ).
    Comecei a ler os blog agora, e o senhor disse que não vai abandonar, espero que não.
    Minha manografia vai ser baseada em controle de constitucionalidade, direitos fundamentais e consciência humana, to tentado achar um modo pra harmonizar tudo, e seus comentários estão sendo satisfatório, dou meu sangue e tenho Fé que vou conseguir, a mesma Fé que eu tenho que sua tese será efetivamente uma soma para nosso ordenamento jurídico

    Abraço……

  4. Wyllamar Says:

    Parabéns! Como leitor do seu blog, fico muito contente com esta notícia.

    A idéia da sua tese é excelente e difícil também de ser sintetizada, pois como bem sabemos, o direito é fruto da cultura e, portanto, expressa os sentimentos de determinado povo, ou seja, uma norma que outrora era inconcebível por não ser condizente com o sentimento social daquela época ( ou com os conhecimentos científicos), em outros tempos ganha um significado diferente em relação à nova perspectiva social, tornando-se perfeitamente aceita.

    Neste sentido, Miguel Reale já afirmava em sua obra que “ Os valores não são uma realidade ideal que o homem contempla como se fosse um modelo definitivo, ou que só possa realizar de maneira indireta, como quem faz uma cópia. Os valores são, ao contrário, algo que o homem realiza em sua própria experiência e que vai assumindo expressões diversas e exemplares, através do tempo”(REALE, Miguel. Filosofia do Direito. 20 ed. São Paulo: Saraiva, 2002.), ou seja, os valores que fundamentavam o que era “racional” ontem pode não sê-los amanhã.

    Tenho certeza que o senhor fará um trabalho brilhante sobre o tema!
    Mais uma vez, parabéns!

  5. Emanuel de Melo Says:

    Parabéns, Dr. George…sua aplicação profissional, tanto na Justiça Federal como na academia é um verdadeiro paradigma a ser seguido.

  6. Rodrigo Haines Sul Says:

    Parabens,

    Voce merece.

    Eu estou nos Eua e posso dizer que vale a pena e experiencia internacional.

    Abracos e boa sorte.

  7. Samuel Martins Says:

    George,

    Parabéns, tenho certeza que representará com grandeza a juventude constitucionalista do Brasil.

    Samuel

  8. Samuel Martins Says:

    George,

    Meus Parabéns!! Tenho certeza que representará com grandeza a juventude constitucionalista do Brasil.

    Samuel

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