Meu Nome Não é Johnny

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Ontem, assisti ao filme “Meu Nome não é Johnny“, que é tão bom quanto o livro. (Aqui há uma diferença em relação ao “Tropa de Elite”, pois o livro “Elite da Tropa” não é tão bom quanto o filme, especialmente a segunda parte, que deixa muito a desejar).

O caso do João Estrela (retratado no filme e no livro “Meu Nome não é Johnny”) me fez imediatamente lembrar da sentença proferida pelo Mário Jambo, que disponibilizei aqui no site.

Agora estou mais convicto de que o Mário Jambo realmente acertou no seu julgamento, embora só o tempo dirá se realmente as suas boas intenções frutificarão… (Curiosamente, a “personagem” da sentença do Mário Jambo se chamava “Estela”).

No livro (e de modo menos intenso, no filme), fica bastante claro que a sensibilidade da juíza federal que analisou o caso foi fundamental para a vida de João Estrela. Lendo aquilo, veio um peso enorme nas minhas costas lembrando-me da importância da função judicial…

A propósito, o nome da Juíza é Marilena Soares Reis Franco, que não tive o prazer de conhecer. Ela faleceu em 1998 e dá o nome ao prédio da Justiça Federal no Rio de Janeiro.

A parte mais “jurídica” da história é difícil de comentar sem ter acesso à integra do processo ou mesmo da sentença. Pelo que pude entender, o ponto principal da sentença, que beneficiou João Estrela, foi a parte em que foi afastada a formação de quadrilha/associação para o tráfico (ver argumentação abaixo). Pra ser sincero, acho que, do ponto de vista técnico, a juíza errou nesse ponto, pois a associação para o tráfico era patente, embora eu não tenha visto as provas que foram para os autos. Digo isso sobretudo pela ligação do João Estrela com a “Conexão Nelore”, que foi confessada tanto no livro quanto no filme.

No mais, um livro/filme que vale a pena.

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5 Respostas to “Meu Nome Não é Johnny”

  1. Francesco Says:

    boa noite. mais um filme para suas aulas: “o suspeito” (rendition, 2007). Está nos cinemas de Belo Horizonte.

    Abu Graibe (não sei como se escreve, então… vai no fonético) e Guantanamo são fichinha…

  2. Vinícius Maia Says:

    Em conversa que eu tive com um magistrado, recentemente, falei-lhe da morosidade do judiciário e das vicissitudes que encontram aqueles que procuram o Poder Judiciário. Ele, com muita clareza e sensibilidade, respondeu-me que eu tinha apenas o meu processo, enquanto ele tinha mais de 8 mil, não processos, mas sim destinos.
    O magistrado tem uma grande carga nas suas costas, hoje começo a entender esse fato, uma decisão pode mudar toda uma vida. É uma pena que alguns juízes descurem-se dessa idéia.

  3. George Marmelstein Says:

    Francesco,
    com certeza, assistirei ao referido filme. Pela sinopse, parece interessantíssimo:
    “Ao descobrir que seu marido simplesmente desapareceu de um vôo em direção aos Estados Unidos, Isabella El-Ibrahim começa uma desesperada luta para descobrir seu paradeiro.
    O drama fica mais complicado quando um observador da CIA começa a presenciar um método não-ortodoxo de interrogatório e tortura.
    Tudo isso, pois, de acordo com a lei Extreme Rendition, um suspeito de terrorismo pode ser levado para seu país de origem e lá ser interrogado por autoridades norte-americanas”.

  4. Fábio Says:

    O filme mostra claramente que basta ter dinheiro e boas conexões para ficar solto neste País. Inclusive, nunca demais lembrar que Lampião já dizia na década de 30 que bastam 40 contos-de-rés para não ser preso…
    É muito ingenuidade achar que nosso “querido” Johnny contou tudo no livro… Além da patente configuração do crime de associação para o tráfico, conforme Vossa Excelência bem assinalou, ressai o equivocado, no mínimo, afastamento da imputabilidade em razão do vício em drogas. A Lei nº 6.368, art. 19, não é “ponte de ouro” para o viciado delinquir. Vamos pensar um pouco, o nosso “querido” Johnny organiza todo o esquema, chega a montar uma peixaria de fachada, vija de lá para cá, a “serviço” e a lazer, e eis que… Tchã, tchã, tchã, o Cara não sabia o que estava fazendo por estar sob os efeitos do vício… Incrível! Não sei nada de nada. Nem de Direito, nem muito menos de comportamento humano… Quer dizer que basta dar uma cheirada que posso sair matando, roubando, delinquindo? Pelo amor de deus! Não duvido nada que até hoje o Johnny seja o Rei da Cocada Branca lá do Rio…

  5. George Marmelstein Says:

    Fábio,

    também acho que o filme e o livro retrataram uma visão um pouco distorcida acerca de João Estrela, que era um criminoso da pior espécie, ou seja, um traficante internacional de drogas, explorando “mulas” para lucrar às suas custas.

    Mesmo assim, não se pode deixar de pensar que ele também era réu primário e colaborou com o julgamento.

    Também acho que a sua punição foi muito branda, mas – se for verdade o que ficou retratado no filme e no livro – funcionou, no sentido de que proporcionou a sua reintegração à sociedade.

    No mais, é difícil, para um ser humano, julgar outro ser humano. Daí porque, diante de tudo, no final das contas ainda acho que o Mário Jambo e a Marilena acertaram nos seus julgamentos, ainda que ao arrepio da fria letra da lei.

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