Roma e Maquiavel

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Terminei de assistir os 22 episódios do seriado “Roma”, que passa na HBO. Dizem que foi o mais caro seriado já produzido. Não sei se é verdade. O que sei é que é um seriado fantástico. Muito bom mesmo, especialmente para aqueles que gostam de história. Os produtores foram bastante felizes em tentar retratar a realidade social daquele momento histórico, demonstrando como eram os costumes e os valores da época. Era algo impressionante. A vida humana tinha preço. O ser humano era um mero objeto. Escravidão, prostituição, orgias eram normais. A guerra era constante. Os governantes (César – Marco Antônio – Otávio), já naquela época (antes de Cristo), tinham plena noção dos truquinhos maquiavélicos para conquistar e se manter no poder – e olha que Maquiavel escreveu “O Príncipe” em 1512, muito depois do que ocorreu no período retratado em “Roma”.
E já que mencionamos Maquiavel, gostaria de falar algumas coisinhas.
O que se vê em “Roma” é exatamente o que Maquiavel aconselhava. Ele dizia que o soberano, na condução dos negócios públicos, deveria fazer o possível para se manter no poder. Segundo Maquiavel, existiriam dois modos de manter o poder. Um com base nas leis, outro com base na força: “o primeiro é próprio do homem, o segundo dos animais. Não sendo, porém, muitas vezes suficiente o primeiro, convém recorrer ao segundo. Por conseguinte, a um príncipe é importante saber comportar-se como homem e como animal”. Na sua ótica, “um príncipe não deve ter outro objetivo ou outro pensamento, nem cultivar outra arte, a não ser a da guerra, juntamente com as regras e a disciplina que ela requer”. E mais: “Quem num mundo cheio de perversos pretende seguir em tudo os princípios da bondade, caminha para a própria perdição. Daí se conclui que o príncipe desejoso de manter-se no poder tem de aprender os meios de não ser bom e a fazer uso ou não deles, conforme as necessidades”.
As palavras de ordem defendida por Maquiavel eram: fazer guerras, conquistar e subjugar outros países, aniquilar o inimigo, exterminar os adversários e seus descendentes, destruir e espoliar os que ameaçam o poder do soberano, vencer pela força ou pela fraude, instituir o medo e o respeito e por aí vai. Suas idéias podem ser sintetizadas na conhecida máxima “os fins justificam os meios”, embora, curiosamente, essa frase não esteja escrita, de modo expresso, na obra de Maquiavel.
Como se observa, aquilo que se vê em “Roma” é um reprodução quase literal do que Maquiavel defendia.
E o curioso é que há muita gente que recomenda a leitura de Maquiavel como se os conselhos que ele apresenta fossem corretos, dignos de serem seguidos. Quase todos os grandes políticos dizem orgulhosamente que “O Príncipe” é o seu livro de cabeceira, quando, na verdade, esse livro defende a total ausência de ética na condução dos negócios públicos.
Não vejo como alguém é capaz de ler Maquiavel e não ficar chocado com aqueles conselhos. Na minha opinião, Maquiavel deve ser lido da mesma forma como se assiste “Roma”, ou seja, como objeto de diversão. Deve-se ler, compreender o momento histórico e só. Não se deve achar que aquelas idéias são corretas.
Por fim, uma dica: não deixe de assistir “Roma”, que é legal pra caramba.
P.S. No final, a Cleópatra se suicida… ;-)
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Uma resposta to “Roma e Maquiavel”

  1. ian thomaz avelino Says:

    adorei a forma, do pensamento, mais acho: que as grandes idéias de maquiavel ainda imperam, só que de forma mais branda, algo que nao percebemos…
    entre no meu orkut “ianboladao007@yahoo.com.br”

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