Arquivo de Julho, 2010

Boaventura no Programa do Jô

Julho 31, 2010

O professor Boaventura de Sousa Santos, que é, ao lado do professor Canotilho, um dos coordenadores do meu curso de doutorado, foi entrevistado ontem (dia 30/7/2010) no programa do Jô. Ele falou um pouco sobre as tradições de Coimbra, de sua experiência nas favelas brasileiras nos anos 70 (onde pesquisou o “Direito de Pasárgada“), entre outros assuntos.

Vale conferir:

***

Tive oportunidade de participar da “Queima das Fitas“, que ele comentou. Trata-se de uma festa muito interessante mesmo. Para se ter uma idéia da dimensão do evento, eis uma foto da serenata:

Aqui, uma foto no restaurante Casarão em Coimbra (Boaventura, minha esposa e eu):

Os preferidos dos Juízes Federais

Julho 21, 2010

A AJUFE resolveu consultar os juízes federais para saber quais seriam os melhores nomes para ocuparem a vaga do STF que será aberta com a aposenstadoria do Eros Grau. Somente poderiam ser escolhidos membros da magistratura federal (de qualquer instância, inclusive do STJ). Depois da votação, seria formada uma lista sêxtupla dos mais votados a ser entregue ao Presidente Lula.

Embora tal procedimento tenha um efeito muito mais simbólico, já que dificilmente o Presidente da República dará ouvidos à vontade de juízes federais, parece-me que a lista espelha o posicionamento de boa parte dos magistrados de primeira instância. Nomes como Fausto de Sanctis ou Odilon de Oliveira, que são conhecidos pela postura de combate à alta criminalidade, estão entre os mais votados.

É certo que há muitos juízes federais que não concordam com a atuação dos referidos magistrados, e, mesmo entre os que os admiram (meu caso), há aqueles que não aprovam incondicionalmente o conteúdo de suas decisões. Mesmo assim, parece-me que boa parte da magistratura federal não compactua com o estado de coisas a que chegamos em matéria de criminalidade organizada, inclusive a de colarinho branco, mala preta, meias compridas e cuecas frouxas.

De minha parte, mais uma vez, sinto-me orgulhoso por ser juiz federal de primeira instância, especialmente porque todos os escolhidos são de altíssimo nível.

Aqui o release enviado pela comunição social da Ajufe:

Lista sêxtupla vai ser entregue, pela AJUFE, ao Presidente Lula nas próximas semanas

Hoje, (21), saiu o resultado da eleição promovida pela AJUFE, com sugestão de nomes de Magistrados Federais para preencher futuras vagas de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A lista sêxtupla é composta por Juízes Federais e será apresentada ao Presidente da República nas próximas semanas. “É importante que haja representatividade de Magistrados Federais de carreira no STF”, disse o Presidente da AJUFE, Gabriel Wedy.

Para Wedy, essa consulta promovida pela AJUFE é o resgate da representatividade dos Juízes Federais do Brasil no STF e também demonstra uma oxigenação na nossa democracia interna. “Temos que resgatar a importância do Juiz Federal na nossa democracia e no regime republicano”, acrescentou.

“Estamos cumprindo mais uma vez uma promessa de campanha. Realizamos uma consulta ampla e democrática onde foram indicados seis nomes pela categoria e esses nomes serão apresentados pessoalmente nas próximas semanas ao Presidente da República, disse o Presidente da AJUFE.

A lista sêxtupla, em ordem alfabética:

Fausto Martin De Sanctis
Leomar Barros Amorim de Sousa
Odilon de Oliveira
Reynaldo Soares da Fonseca
Ricardo César Mandarino Barreto
Teori Albino Zavascki

Projeto de Doutoramento – A Judicialização da Ética

Julho 20, 2010

Coloquei no scribd o projeto de tese de doutoramento que apresentei no final de junho na Universidade de Coimbra.

Essa fase do curso é decisiva, pois é uma linha divisora entre dois momentos do curso: a parte de aulas e a parte da investigação. É preciso apresentar um projeto de cerca de cinqüenta páginas contendo os objetivos da pesquisa. O trabalho é submetido a uma avaliação por três professores (o orientador e mais dois), com formações diversificadas. Há uma espécie de “banca”, semelhante ao do doutorado (só que no caso do doutorado são oito professores avaliando). Ou você segue em frente, caso seja aprovado, ou é melhor desistir. Ainda há possibilidade de a aprovação ser condicionada a certas correções. No meu caso, o trabalho foi aprovado de plano, sem precisar de alterações complementares, o que seria perfeitamente normal.

Fiquei extremamente feliz com a aprovação, sobretudo porque o trabalho foi bastante elogiado (e também criticado em alguns pontos, obviamente). Embora eu seja particularmente fã de críticas, os elogios, nesse caso, foram muito bem-vindos, pois até aquele momento eu ainda não havia recebido qualquer tipo de elogio de um professor português. Aliás, é extremamente raro que um estudante brasileiro receba elogios de professores portugueses.

No meu caso, havia um professor de filosofia do direito (o orientador: Dr. Aroso Linhares), de sociologia (Dr. António Casimiro) e de direito constitucional (Dr. João Loureiro). Todos gostaram do tema da tese: a Judicialização da Ética. E também gostaram da abordagem que está sendo dada, já que fiz questão de não repetir os mantras consolidados pela doutrina constitucional brasileira. Pelo contrário. A abordagem é crítica e tem o intuito de demonstrar que a jurisdição constitucional dos direitos fundamentais tem problemas filosóficos difíceis de serem solucionados.

No projeto, fiz questão de levantar mais dúvidas do que fornecer respostas: as respostas virão (ou não) na tese propriamente dita. Mas já deixei fincada a bandeira do ponto de chegada: a transformação da ética em direito e a idéia de expansão do círculo ético como fundamento de legitimidade da atuação judicial.

Convido-os não apenas à leitura, mas sobretudo à crítica. Trata-se de uma investigação que devo concluir em dois anos ou mais. Está bem no começo, pois.

Enfim, o projeto está aqui. O sumário é este:

Sumário

Considerações Prévias. 5

1 Problematização. 7

1.1 Um mundo judicializado. 7

1.2 O Leviatã vestiu a toga?. 23

1.3 O outro lado da moeda: o poder eticamente fundado. 41

1.4 A “aposta” jurisprudencialista. 51

2 Justificativa. 56

2.1 Acordando do sono dogmático. 56

2.2 Não tão simples assim… 61

3 Estrutura Provisória da Tese a ser Desenvolvida. 84

3.1 O(s) Significado(s) do Direito (Usos da palavra Direito) 84

3.2 O Sentido do Direito. 85

3.3 A Solução Institucional dos Conflitos Intersubjetivos. 85

3.4 Fontes do Direito e Comunidade Interpretativa. 85

3.5 Como Solucionar Problemas Jurídicos?. 86

3.6 O Problema da Objetividade/Subjetividade na Solução dos Conflitos Valorativos 87

3.7 Quem Deve Dizer o Direito?. 88

3.8 Questões de Ética Prática nos Tribunais. 88

Referências Bibliográficas (Consultadas e Citadas) 90


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