A citação de hoje será em homenagem a Hegel, cujas idéias, confesso, conheço muito pouco porque nunca consegui passar da primeira página. O texto abaixo é um comentário de Schopenhauer à obra de Hegel:
“Se se quiser embrutecer desde cedo um jovem e torná-lo incapaz de qualquer idéia, não há meio mais eficaz do que o assíduo estudo das obras originais de Hegel; porque essa monstruosa acumulação de palavras que se chocam e se contradizem de modo a que o espírito se atormenta inutilmente tentando pensar alguma coisa enquanto as lê, até ficar cansado e murchar, aniquila nele paulatinamente a faculdade de pensar de modo tão radical que, a partir daí, passam a ter para ele valor de pensamentos as flores retóricas insípidas e vazias de sentido (…). Se alguma vez um preceptor temer que o seu pupilo se torne demasiadamente sagaz para os seus planos, poderá evitar essa desgraça com o estudo assíduo da filosofia de Hegel”.
Schopenhauer, Parerga e Paralipomena
Extraído do livro: A Filofosofia com Humor, de Pedro González Calero
Junho 16, 2009 ás 9:18 pm |
Arthur se garante demais. Meu favorito, disparado.
Coincidentemente, George, hoje mesmo eu estava tentanto ler uns trechos do livro “Princípios de Filosofia do Direito”, do Hegel. E sempre que tento ler algo que Hegel escreveu eu compreendo de modo experimental o significado de “analfabetismo funcional”.
Junho 17, 2009 ás 6:34 pm |
Só para registrar:
“Nós alemães, somos hegelianos, mesmo que nunca tivesse existido um Hegel, na medida em que (ao contrário de todos os latinos) damos instintivamente ao vir-a-ser, ao desenvolvimento, um valor mais profundo e mais rico do que aquilo que ‘é’ – nós mal acreditamos que se justifique o conceito de ‘ser’”.
Nietzsche
Junho 17, 2009 ás 9:50 pm |
Pois é, Daniel. Mas pelo menos somos pentacampeões, algo que eles ainda estão muito longe de “vir-a-ser”…
George
Junho 19, 2009 ás 1:23 am |
Para contribuir com o tema, um excerto de Hugo de São Vítor:
“(…) e também os escritos daquelas pessoas que nestes nossos tempos [século XII] costumamos chamar filósofos, os quais, porém, costumam alongar uma matéria breve em longas controvérias de palavras e obscurecer com palavras obscuras um sentido fácil”.
A obscuridade continua em voga.
Julho 8, 2009 ás 5:30 pm |
Até que encontro um site honestamente contundentemente confrontante diante de retóricas arco-íris: Do nada para lugar nenhum!
Parabéns, George, por sua lucidez!
Rosângela