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	<title>Comentários em: A Ética da Eternidade – Parte I (uma explicação prévia)</title>
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	<description>Get Up, Stand Up, Stand Up For Your Rights!</description>
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		<title>Por: Evald Rodrigues</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Evald Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 20:02:00 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Prezados George e Hélio,

Vi a postagem recente questionando a razão do cruxifixo nas salas de julgamento do Judiciário e aproveitei para elaborar alguns outros comentários.

Sou advogado aqui no RS e tivemos aqui no nosso TJ essa discussão do crucifixo ante a laicidade do Estado e um dos argumentos que prevaleceu foi que para além de considerações outras a crucifixão de Jesus lembraria permanentemente a consciência do juiz do julgamento mais injusto da história, como reconhecido por estudiosos.  

De fato, não lembro o que motivou a manutenção da cruz nas salas do Judiciário daqui, a discussão foi superada e os crucifixos mantidos, o que achei muito bom porque hoje tudo é válido menos aquele que deu a vida por nós, porém, sou católico fervoroso e portanto suspeitíssimo heheheh.

Por outro lado, estou lendo a biografia de São Pio de Pietrelcina escrita por Renato Alezzi (Ed. Paulinas), considerado &quot;o santo do século XX&quot; e que possuía dons extraordinários, bilocação, vidência, levitação, os &quot;estigmas&quot; de Jesus Cristo, etc.
 
A par disso tudo, que são questões de crença, no meu entender o seu maior dom foi o de ter uma vida ABSOLUTAMENTE SANTA E ÉTICA como testemunhado em longas pesquisas inclusive da sua infância por pessoas alheias a igreja. Teve uma vida sempre voltada à abertura para o próximo, à servidão absoluta ao ponto de assumir para si (e isto também é questão de crença, perdão!) sofrimentos físicos em troca da salvação da alma de seus filhos espirituais, experiências místicas que estão longe do nosso entendimento mas que são retratadas ao longo da história de vários santos. 

Dentro de legado de São Pio, que tinha um amor especial pelos doentes idosos porque Cristo estava neles &quot;duas vezes&quot;, o santo, pobre e humilde, foi o responsável pela idéia e edificação de um dos maiores hospitais da Europa, centro de referência para pesquisas, reconhecidamente um dos hospitais mais importantes da Itália, pela sua extensão e equipamentos de última geração, e que encontra-se em San Giovanni Rotondo, Italia. 

Essa &quot;Casa Alívio do Sofrimento&quot;, fundada há 50 anos por padre Pio, possui mais de 1000 leitos, foi construída no meio do nada e idealizado por um humilde frade capucchino que convertia pessoas a tapas, mas logo recebia os agredidos de braços abertos com um amor que nunca mais desligava aquela alma dele. São Pio sofreu duras penas físicas e morais e assumiu desde muito cedo como missão espiritual &quot;dividir&quot; com Jesus os sofrimentos da cruz pelas almas e teve experiências místicas extraordinárias, assim como fenômenos físicos inexplicáveis atestados por diversos médicos distintos ao longo de sua vida, inclusive do exército, como suas febres que chegavam a atingir incríveis 53°C e tinham de ser medidas por termômetros de água, sendo que no dia seguinte estava em pé celebrando missa. 

São Pio era franciscano e sua ordem era voltada completamente à oração e a contemplação. Acreditava que o excesso de estudo prejudicava o tempo de oração e afastava a alma da simplicidade, eis que o conhecimento naturalmente levava a alma a centrar-se em si e tolhia a comunicação salutar com o invisível, dentro da radicalidade do pensamento de São Francisco de Assis, que seguia essa linha e não a dos agostinianos.

Caro George, sem entrar tanto no mérito das orientações acadêmicas, e seguindo mais a linha do pensamento popular, das verdades que se manifestam na simplicidade e que são muitas (senão a grande maioria), eu penso que uma rápida leitura dos Evangelhos, da vida de Jesus seja a mais perfeita aula de ética, de filosofia e de psicologia possível, como, aliás, muitos estudiosos ateus, cada um em seu campo, reconhece ao estudar os evangelhos, tomando Jesus como uma grande &quot;personalidade&quot; e não o próprio Deus que veio a nós em carne e sangue (com a ressalva de que respeito absolutamente a crença alheia).

Parabéns por ser essa pessoa simples, essa pessoa e profissional aberto, bem-humorado, esse estudioso apaixonado, e por esse espaço privilegiado de estudo e de &quot;caridade&quot; informativa.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Prezados George e Hélio,</p>
<p>Vi a postagem recente questionando a razão do cruxifixo nas salas de julgamento do Judiciário e aproveitei para elaborar alguns outros comentários.</p>
<p>Sou advogado aqui no RS e tivemos aqui no nosso TJ essa discussão do crucifixo ante a laicidade do Estado e um dos argumentos que prevaleceu foi que para além de considerações outras a crucifixão de Jesus lembraria permanentemente a consciência do juiz do julgamento mais injusto da história, como reconhecido por estudiosos.  </p>
<p>De fato, não lembro o que motivou a manutenção da cruz nas salas do Judiciário daqui, a discussão foi superada e os crucifixos mantidos, o que achei muito bom porque hoje tudo é válido menos aquele que deu a vida por nós, porém, sou católico fervoroso e portanto suspeitíssimo heheheh.</p>
<p>Por outro lado, estou lendo a biografia de São Pio de Pietrelcina escrita por Renato Alezzi (Ed. Paulinas), considerado &#8220;o santo do século XX&#8221; e que possuía dons extraordinários, bilocação, vidência, levitação, os &#8220;estigmas&#8221; de Jesus Cristo, etc.</p>
<p>A par disso tudo, que são questões de crença, no meu entender o seu maior dom foi o de ter uma vida ABSOLUTAMENTE SANTA E ÉTICA como testemunhado em longas pesquisas inclusive da sua infância por pessoas alheias a igreja. Teve uma vida sempre voltada à abertura para o próximo, à servidão absoluta ao ponto de assumir para si (e isto também é questão de crença, perdão!) sofrimentos físicos em troca da salvação da alma de seus filhos espirituais, experiências místicas que estão longe do nosso entendimento mas que são retratadas ao longo da história de vários santos. </p>
<p>Dentro de legado de São Pio, que tinha um amor especial pelos doentes idosos porque Cristo estava neles &#8220;duas vezes&#8221;, o santo, pobre e humilde, foi o responsável pela idéia e edificação de um dos maiores hospitais da Europa, centro de referência para pesquisas, reconhecidamente um dos hospitais mais importantes da Itália, pela sua extensão e equipamentos de última geração, e que encontra-se em San Giovanni Rotondo, Italia. </p>
<p>Essa &#8220;Casa Alívio do Sofrimento&#8221;, fundada há 50 anos por padre Pio, possui mais de 1000 leitos, foi construída no meio do nada e idealizado por um humilde frade capucchino que convertia pessoas a tapas, mas logo recebia os agredidos de braços abertos com um amor que nunca mais desligava aquela alma dele. São Pio sofreu duras penas físicas e morais e assumiu desde muito cedo como missão espiritual &#8220;dividir&#8221; com Jesus os sofrimentos da cruz pelas almas e teve experiências místicas extraordinárias, assim como fenômenos físicos inexplicáveis atestados por diversos médicos distintos ao longo de sua vida, inclusive do exército, como suas febres que chegavam a atingir incríveis 53°C e tinham de ser medidas por termômetros de água, sendo que no dia seguinte estava em pé celebrando missa. </p>
<p>São Pio era franciscano e sua ordem era voltada completamente à oração e a contemplação. Acreditava que o excesso de estudo prejudicava o tempo de oração e afastava a alma da simplicidade, eis que o conhecimento naturalmente levava a alma a centrar-se em si e tolhia a comunicação salutar com o invisível, dentro da radicalidade do pensamento de São Francisco de Assis, que seguia essa linha e não a dos agostinianos.</p>
<p>Caro George, sem entrar tanto no mérito das orientações acadêmicas, e seguindo mais a linha do pensamento popular, das verdades que se manifestam na simplicidade e que são muitas (senão a grande maioria), eu penso que uma rápida leitura dos Evangelhos, da vida de Jesus seja a mais perfeita aula de ética, de filosofia e de psicologia possível, como, aliás, muitos estudiosos ateus, cada um em seu campo, reconhece ao estudar os evangelhos, tomando Jesus como uma grande &#8220;personalidade&#8221; e não o próprio Deus que veio a nós em carne e sangue (com a ressalva de que respeito absolutamente a crença alheia).</p>
<p>Parabéns por ser essa pessoa simples, essa pessoa e profissional aberto, bem-humorado, esse estudioso apaixonado, e por esse espaço privilegiado de estudo e de &#8220;caridade&#8221; informativa.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Hélio</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/05/04/a-etica-da-eternidade-%e2%80%93-parte-i-uma-explicacao-previa/#comment-3727</link>
		<dc:creator><![CDATA[Hélio]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 17:54:18 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.net/?p=1520#comment-3727</guid>
		<description><![CDATA[Me desculpe sou leigo no assunto, mas gosto desta matéria, ja pesquisei e não consigo encontrar resposta, ou se encontro não consigo entendela. Um aluno de Direito me perguntou porque tem uma Cruz na entrada do STJ em Brasilia, não consegui responder mesmo pesquisando, voltando as minhas memorias, já estando dentro de alguns tribunais, realmente existe sempre  uma cruz na parede, seria apenas religioso ou teria a Cruz a  sacralidade da vida Humana.                              Por favor, se possivel me tire esta dúvida.                                                                                                                                                                                                                                                                                    Muito obrigado.                                                                                 Helio.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Me desculpe sou leigo no assunto, mas gosto desta matéria, ja pesquisei e não consigo encontrar resposta, ou se encontro não consigo entendela. Um aluno de Direito me perguntou porque tem uma Cruz na entrada do STJ em Brasilia, não consegui responder mesmo pesquisando, voltando as minhas memorias, já estando dentro de alguns tribunais, realmente existe sempre  uma cruz na parede, seria apenas religioso ou teria a Cruz a  sacralidade da vida Humana.                              Por favor, se possivel me tire esta dúvida.                                                                                                                                                                                                                                                                                    Muito obrigado.                                                                                 Helio.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Dilson</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/05/04/a-etica-da-eternidade-%e2%80%93-parte-i-uma-explicacao-previa/#comment-3628</link>
		<dc:creator><![CDATA[Dilson]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Aug 2009 00:53:53 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Caro Professor George,

Estou muito feliz por ter encontrado o seu blog! Estou lendo tudo!!!! Mas só um detalhe: a Bíblia não disse que a Terra era o centro do universo. Ela afirma que a Terra é redonda e que flutua pelo espaço, podemos ver Isaías 40:22; Jó 37:12 e Jó 26:7. 

Muito bom este blog!

Parabéns pelas contribuições!]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Professor George,</p>
<p>Estou muito feliz por ter encontrado o seu blog! Estou lendo tudo!!!! Mas só um detalhe: a Bíblia não disse que a Terra era o centro do universo. Ela afirma que a Terra é redonda e que flutua pelo espaço, podemos ver Isaías 40:22; Jó 37:12 e Jó 26:7. </p>
<p>Muito bom este blog!</p>
<p>Parabéns pelas contribuições!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: George Marmelstein Lima</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/05/04/a-etica-da-eternidade-%e2%80%93-parte-i-uma-explicacao-previa/#comment-3137</link>
		<dc:creator><![CDATA[George Marmelstein Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2009 15:56:43 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.net/?p=1520#comment-3137</guid>
		<description><![CDATA[Grande André,

obrigado pelas suas valiosas observações. Acho que você captou bem a minha atual &quot;crise&quot; de racionalidade: quanto mais a razão nos fornece informações, mais ela nos mostra a sua insuficiência. Mas essa insuficiência, certamente, não é uma fraqueza, mas uma virtude para que percebamos que sempre temos algo a aprender.

Quanto à intenção do agente, concordo com você. Mas acho que o que o Peter Singer quis dizer foi que ajudar os outros sabendo que isso pode nos beneficiar no futuro também não é algo errado.

Acho que o lugar da razão na ética é precisamente demonstrar que agir eticamente não é necessariamente agir contra os nossos próprios interesses. Quem age eticamente também será beneficiado a longo prazo. Podemos perder um pouco de imediato, mas iremos colher frutos no futuro com a nossa boa ação.

Grande abraço,

George]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Grande André,</p>
<p>obrigado pelas suas valiosas observações. Acho que você captou bem a minha atual &#8220;crise&#8221; de racionalidade: quanto mais a razão nos fornece informações, mais ela nos mostra a sua insuficiência. Mas essa insuficiência, certamente, não é uma fraqueza, mas uma virtude para que percebamos que sempre temos algo a aprender.</p>
<p>Quanto à intenção do agente, concordo com você. Mas acho que o que o Peter Singer quis dizer foi que ajudar os outros sabendo que isso pode nos beneficiar no futuro também não é algo errado.</p>
<p>Acho que o lugar da razão na ética é precisamente demonstrar que agir eticamente não é necessariamente agir contra os nossos próprios interesses. Quem age eticamente também será beneficiado a longo prazo. Podemos perder um pouco de imediato, mas iremos colher frutos no futuro com a nossa boa ação.</p>
<p>Grande abraço,</p>
<p>George</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Andre Dias Fernandes</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/05/04/a-etica-da-eternidade-%e2%80%93-parte-i-uma-explicacao-previa/#comment-3134</link>
		<dc:creator><![CDATA[Andre Dias Fernandes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 May 2009 22:04:26 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.net/?p=1520#comment-3134</guid>
		<description><![CDATA[Amigo George:

Essa senhora “razão” é muito convencida: pensa que sabe tudo, que pode explicar tudo que existe, acha que só ela está certa e todos os outros estão errados, mas esquece que é tão falível e limitada quanto aquele que a criou -- o homem...

Ela é tão convencida que acha que não precisa de ninguém para viver, mas não sabe que seria muito mais feliz e completa se, humildemente, aceitasse a amizade e a colaboração da senhora “fé”...

A mim me parece que a virtude está meio, como diziam os escolásticos (“in medio stat virtus”): na história, sempre que se exagera para um lado, sobrevém uma reação contrária, igualmente exagerada. No caso, depois de uma longa predominância do elemento “fé” na idade média, muitas vezes despida de racionalidade/razoabilidade, sobreveio a reação iluminista tendente a conferir primazia ou exclusividade ao elemento “razão”. A síntese decorrente dessa tensão dialética seria a fé iluminada pela razão e vice-versa. Mas os ranços ainda existem, como vc bem apontou.

Quanto à questão da recompensa (parte III), parece-me que seria um exagero afirmar que a intenção do agente é irrelevante para a ética, à consideração de que o importante seria apenas a conduta ética em si e o resultado dela.

O cristianismo valoriza sobremaneira a intenção do sujeito. Eis um exemplo claro (Mt 6, 1-6):
1.	Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus.    
2.	Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.    
3.	Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita;    
4.	para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.    
5.	E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.    
6.	Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. (Mt 6, 1-6)

Outros exemplos: a oferta da pobre viúva (Lc 21, 1-4), a condenação do adultério cogitado mesmo que não tentado (Mt 5, 27-28: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.”), etc.

A essa luz, a intenção do agente serviria para graduar a recompensa a que este faria jus: quanto mais altruísta e desinteressada a ação, maior seria a recompensa.

Nessa óptica, aquele que faz o bem a outrem apenas para que Deus lhe recompense na vida eterna receberá uma recompensa menor do que aquele que faz o bem a outrem por genuína compaixão. Ambos serão recompensados, mas não na mesma medida. Observe-se que em Mt 6, 1-2, até mesmo os fariseus receberam alguma recompensa pelas suas boas obras (o reconhecimento público), embora esta não se compare com aquela que Deus reserva para os verdadeiramente altruístas.

Isso parece tão racional que o próprio Direito Penal perquire a intenção do agente para definir se a conduta é ou não passível de pena, bem como para graduá-la.

A lógica está, dentre outras coisas, em que uma conduta dolosa merece uma reprovação maior do que uma meramente culposa porque o que age com dolo, pela sua disposição anímica, é mais propenso a reproduzir a conduta futuramente.

Dessarte, salvo melhor juízo, a intenção do agente, o seu leitmotiv, é eticamente relevante, até porque quem pratica uma conduta ética por autêntico altruísmo (a sua recompensa está em ver a felicidade do outro, e não em benefício para si próprio) tende a repeti-la futuramente em situações idênticas ou análogas, ainda que não vislumbre recompensa em benefício próprio, pois seu querer se alicerça em outros fundamentos, mais firmes, sólidos e elevados.

No mais, amigo George, folgo em ver uma contínua e instigante evolução do seu pensamento, designadamente no que concerne à religião e à ciência jurídica.

Os posts e os seus comentários estão cada vez mais interessantes e profundos!

Abração,

André Fernandes.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Amigo George:</p>
<p>Essa senhora “razão” é muito convencida: pensa que sabe tudo, que pode explicar tudo que existe, acha que só ela está certa e todos os outros estão errados, mas esquece que é tão falível e limitada quanto aquele que a criou &#8212; o homem&#8230;</p>
<p>Ela é tão convencida que acha que não precisa de ninguém para viver, mas não sabe que seria muito mais feliz e completa se, humildemente, aceitasse a amizade e a colaboração da senhora “fé”&#8230;</p>
<p>A mim me parece que a virtude está meio, como diziam os escolásticos (“in medio stat virtus”): na história, sempre que se exagera para um lado, sobrevém uma reação contrária, igualmente exagerada. No caso, depois de uma longa predominância do elemento “fé” na idade média, muitas vezes despida de racionalidade/razoabilidade, sobreveio a reação iluminista tendente a conferir primazia ou exclusividade ao elemento “razão”. A síntese decorrente dessa tensão dialética seria a fé iluminada pela razão e vice-versa. Mas os ranços ainda existem, como vc bem apontou.</p>
<p>Quanto à questão da recompensa (parte III), parece-me que seria um exagero afirmar que a intenção do agente é irrelevante para a ética, à consideração de que o importante seria apenas a conduta ética em si e o resultado dela.</p>
<p>O cristianismo valoriza sobremaneira a intenção do sujeito. Eis um exemplo claro (Mt 6, 1-6):<br />
1.	Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus.<br />
2.	Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.<br />
3.	Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita;<br />
4.	para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.<br />
5.	E, quando orardes, não sejais como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.<br />
6.	Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará. (Mt 6, 1-6)</p>
<p>Outros exemplos: a oferta da pobre viúva (Lc 21, 1-4), a condenação do adultério cogitado mesmo que não tentado (Mt 5, 27-28: “Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.”), etc.</p>
<p>A essa luz, a intenção do agente serviria para graduar a recompensa a que este faria jus: quanto mais altruísta e desinteressada a ação, maior seria a recompensa.</p>
<p>Nessa óptica, aquele que faz o bem a outrem apenas para que Deus lhe recompense na vida eterna receberá uma recompensa menor do que aquele que faz o bem a outrem por genuína compaixão. Ambos serão recompensados, mas não na mesma medida. Observe-se que em Mt 6, 1-2, até mesmo os fariseus receberam alguma recompensa pelas suas boas obras (o reconhecimento público), embora esta não se compare com aquela que Deus reserva para os verdadeiramente altruístas.</p>
<p>Isso parece tão racional que o próprio Direito Penal perquire a intenção do agente para definir se a conduta é ou não passível de pena, bem como para graduá-la.</p>
<p>A lógica está, dentre outras coisas, em que uma conduta dolosa merece uma reprovação maior do que uma meramente culposa porque o que age com dolo, pela sua disposição anímica, é mais propenso a reproduzir a conduta futuramente.</p>
<p>Dessarte, salvo melhor juízo, a intenção do agente, o seu leitmotiv, é eticamente relevante, até porque quem pratica uma conduta ética por autêntico altruísmo (a sua recompensa está em ver a felicidade do outro, e não em benefício para si próprio) tende a repeti-la futuramente em situações idênticas ou análogas, ainda que não vislumbre recompensa em benefício próprio, pois seu querer se alicerça em outros fundamentos, mais firmes, sólidos e elevados.</p>
<p>No mais, amigo George, folgo em ver uma contínua e instigante evolução do seu pensamento, designadamente no que concerne à religião e à ciência jurídica.</p>
<p>Os posts e os seus comentários estão cada vez mais interessantes e profundos!</p>
<p>Abração,</p>
<p>André Fernandes.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: George Marmelstein Lima</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/05/04/a-etica-da-eternidade-%e2%80%93-parte-i-uma-explicacao-previa/#comment-3089</link>
		<dc:creator><![CDATA[George Marmelstein Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2009 19:18:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.net/?p=1520#comment-3089</guid>
		<description><![CDATA[Fernando, 

e o pior é que já mandei bloquear as contas do Ceará, meu time do coração! :-)

A questão não é se a cruz interfere ou não na parcialidade, mas se interfere na demonstração de imparcialidade, ou seja, na forma como as pessoas vêem o tribunal. 

Tenho certeza de que a existência da cruz não altera em nada o julgamento dos ministros. Suas crenças estão na sua cabeça e isso ninguém tira.

George]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Fernando, </p>
<p>e o pior é que já mandei bloquear as contas do Ceará, meu time do coração! :-)</p>
<p>A questão não é se a cruz interfere ou não na parcialidade, mas se interfere na demonstração de imparcialidade, ou seja, na forma como as pessoas vêem o tribunal. </p>
<p>Tenho certeza de que a existência da cruz não altera em nada o julgamento dos ministros. Suas crenças estão na sua cabeça e isso ninguém tira.</p>
<p>George</p>
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		<title>Por: Fernando</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/05/04/a-etica-da-eternidade-%e2%80%93-parte-i-uma-explicacao-previa/#comment-3086</link>
		<dc:creator><![CDATA[Fernando]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2009 18:17:52 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.net/?p=1520#comment-3086</guid>
		<description><![CDATA[Agora fico pensando se a cruz no tribunal tiraria a imparcialidade do julgador, assim como um adesivo, no laptop do juiz, do Corinthians, como já vi alguns juízes usando. O juiz corinthiano poderia intervir parcialmente em casos envolvendo times de futebol? 

A distinção entre direito e moral é bem difícil, senão impossível, aprendemos com Dworkin. Por mais que se possa questionar a cruz sob o prisma da igualdade, do direito das minorias etc, acredito que sob a questão da parcialidade, é muito difiícil.  

Enfim, o Ministro Direito decidiria contra as pesquisas com células-tronco com cruz ou sem cruz no STF!]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Agora fico pensando se a cruz no tribunal tiraria a imparcialidade do julgador, assim como um adesivo, no laptop do juiz, do Corinthians, como já vi alguns juízes usando. O juiz corinthiano poderia intervir parcialmente em casos envolvendo times de futebol? </p>
<p>A distinção entre direito e moral é bem difícil, senão impossível, aprendemos com Dworkin. Por mais que se possa questionar a cruz sob o prisma da igualdade, do direito das minorias etc, acredito que sob a questão da parcialidade, é muito difiícil.  </p>
<p>Enfim, o Ministro Direito decidiria contra as pesquisas com células-tronco com cruz ou sem cruz no STF!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: George Marmelstein Lima</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/05/04/a-etica-da-eternidade-%e2%80%93-parte-i-uma-explicacao-previa/#comment-3083</link>
		<dc:creator><![CDATA[George Marmelstein Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2009 08:53:30 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.net/?p=1520#comment-3083</guid>
		<description><![CDATA[Fernando, como afirmei, minha tese não será sobre o princípio da laicidade do Estado, mas sobre a transformação da ética em direito.

Mas foi por causa de discussões como essa do feriado religioso que percebi que escrever sobre o laicismo, defendendo uma racionalização radical da legislação, seria inútil. Particularmente, não vejo nenhum mal em se estabelecer feriados religiosos. Esses feriados não causam conflitos, nem intolerância. Em outras palavras: não geram uma situação de desarmonia, nem estimulam conflitos éticos. Por outro lado, acabar com os feriados sim causaria um grande descontentamento, inclusive entre aqueles que não são religiosos de carteirinha, mas que gostam do feriado por si mesmo. Já pensou acabar com a semana santa, ou com o natal ou com o São João? 

O laicisimo não deve ser confundido com o ateísmo. Assim como pode haver feriados para personalidades históricas laicas, como Tiradentes, por exemplo, é perfeitamente possível admitir a existência de feriados de natureza religiosa. 

É um pouco diferente de uma cruz colocada em uma sala de julgamento de um tribunal. O tribunal deve julgar de forma laica. Logo, a cruz pode ser um indicativo de uma determina concepção religiosa que pode, sem dúvida, interferir no julgamento. Julgar uma questão envolvendo, por exemplo, a sacralidade da vida humana tendo uma cruz acima de seus ombros, talvez não gere para um público mais amplo a sensação de que o julgamento estará sendo laico e imparcial.

Sei que a minha fundamentação não está tão consistente quanto o tema requer, mas é o que um simples comentário permite.

George]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Fernando, como afirmei, minha tese não será sobre o princípio da laicidade do Estado, mas sobre a transformação da ética em direito.</p>
<p>Mas foi por causa de discussões como essa do feriado religioso que percebi que escrever sobre o laicismo, defendendo uma racionalização radical da legislação, seria inútil. Particularmente, não vejo nenhum mal em se estabelecer feriados religiosos. Esses feriados não causam conflitos, nem intolerância. Em outras palavras: não geram uma situação de desarmonia, nem estimulam conflitos éticos. Por outro lado, acabar com os feriados sim causaria um grande descontentamento, inclusive entre aqueles que não são religiosos de carteirinha, mas que gostam do feriado por si mesmo. Já pensou acabar com a semana santa, ou com o natal ou com o São João? </p>
<p>O laicisimo não deve ser confundido com o ateísmo. Assim como pode haver feriados para personalidades históricas laicas, como Tiradentes, por exemplo, é perfeitamente possível admitir a existência de feriados de natureza religiosa. </p>
<p>É um pouco diferente de uma cruz colocada em uma sala de julgamento de um tribunal. O tribunal deve julgar de forma laica. Logo, a cruz pode ser um indicativo de uma determina concepção religiosa que pode, sem dúvida, interferir no julgamento. Julgar uma questão envolvendo, por exemplo, a sacralidade da vida humana tendo uma cruz acima de seus ombros, talvez não gere para um público mais amplo a sensação de que o julgamento estará sendo laico e imparcial.</p>
<p>Sei que a minha fundamentação não está tão consistente quanto o tema requer, mas é o que um simples comentário permite.</p>
<p>George</p>
]]></content:encoded>
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