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	<title>Comentários em: Contra os rótulos acadêmicos</title>
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		<title>Por: Catarina Vitorino</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/02/12/contra-os-rotulos-academicos/#comment-2684</link>
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Vitorino]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 10:52:27 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Caro Prof. George,

Gosto da discussão &quot;sobre temas sociológicos e políticos dentro de uma abordagem multicultural. Também considero que seja &quot;uma saudável mistura de conhecimentos&quot; que envolve uma visão mais aberta a conceitos e valores que vigem na sociedade em que vivemos (numa Era considerada da informação e do conhecimento). A diversidade cultural é brilhante e presente, não há como negar o quanto acrescenta e nos possibilita observar o diferente como merecedor de igual respeito, deixando de lado tamanha rotulação. Parabéns pela defesa! 

Uma abraço]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Prof. George,</p>
<p>Gosto da discussão &#8220;sobre temas sociológicos e políticos dentro de uma abordagem multicultural. Também considero que seja &#8220;uma saudável mistura de conhecimentos&#8221; que envolve uma visão mais aberta a conceitos e valores que vigem na sociedade em que vivemos (numa Era considerada da informação e do conhecimento). A diversidade cultural é brilhante e presente, não há como negar o quanto acrescenta e nos possibilita observar o diferente como merecedor de igual respeito, deixando de lado tamanha rotulação. Parabéns pela defesa! </p>
<p>Uma abraço</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por: Catarina Vitorino</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/02/12/contra-os-rotulos-academicos/#comment-2683</link>
		<dc:creator><![CDATA[Catarina Vitorino]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Mar 2009 10:50:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Caro Prof. George,

Gosto da discussão &quot;sobre temas sociológicos e políticos dentro de uma abordagem multicultural. Também considero que seja &quot;uma saudável mistura de conhecimentos&quot; que envolve uma visão mais aberta a conceitos e valores que vige na sociedade em que vivemos (numa Era considerada da informação e do conhecimento). A diversidade cultural é brilhante e presente, não há como negar o quanto acrescenta e nos possibilita observar o diferente como merecedor de igual respeito, deixando de lado tamanha rotulação. Parabéns pela defesa! 

Uma abraço]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Caro Prof. George,</p>
<p>Gosto da discussão &#8220;sobre temas sociológicos e políticos dentro de uma abordagem multicultural. Também considero que seja &#8220;uma saudável mistura de conhecimentos&#8221; que envolve uma visão mais aberta a conceitos e valores que vige na sociedade em que vivemos (numa Era considerada da informação e do conhecimento). A diversidade cultural é brilhante e presente, não há como negar o quanto acrescenta e nos possibilita observar o diferente como merecedor de igual respeito, deixando de lado tamanha rotulação. Parabéns pela defesa! </p>
<p>Uma abraço</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Teoria Feminista do Direito e Prostituição &#171; Direitos Fundamentais - Blog</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/02/12/contra-os-rotulos-academicos/#comment-2639</link>
		<dc:creator><![CDATA[Teoria Feminista do Direito e Prostituição &#171; Direitos Fundamentais - Blog]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 18:36:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[[...] há também muitos homens que são adeptos da teoria feminista. Assim, já na linha do movimento “abaixo os rótulos”, proponho que ouçamos os argumentos que as feministas têm a oferecer, sem desprezar de plano [...]]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>[...] há também muitos homens que são adeptos da teoria feminista. Assim, já na linha do movimento “abaixo os rótulos”, proponho que ouçamos os argumentos que as feministas têm a oferecer, sem desprezar de plano [...]</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Caio Graco</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/02/12/contra-os-rotulos-academicos/#comment-2638</link>
		<dc:creator><![CDATA[Caio Graco]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 04:35:21 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[George, era exatamente a esse episódio que eu me referia...]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>George, era exatamente a esse episódio que eu me referia&#8230;</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato.</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/02/12/contra-os-rotulos-academicos/#comment-2636</link>
		<dc:creator><![CDATA[Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato.]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 01:13:29 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Quem sabe se os intentos do Padre Antônio Vieira de entregar o nordeste aos Holandeses tivessem dado certo, a formação jurídica de FC Pontes de Miranda (que ocorreu no nordeste) permitisse a criação de obras completas que pudessem ser lidas em alguns dias. E quem sabe o nordeste fosse realmente levado a sério! E não apenas se falasse em transposição do velho chico para facilitar a irrigação do polígono da maconha!]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Quem sabe se os intentos do Padre Antônio Vieira de entregar o nordeste aos Holandeses tivessem dado certo, a formação jurídica de FC Pontes de Miranda (que ocorreu no nordeste) permitisse a criação de obras completas que pudessem ser lidas em alguns dias. E quem sabe o nordeste fosse realmente levado a sério! E não apenas se falasse em transposição do velho chico para facilitar a irrigação do polígono da maconha!</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: hugo segundo</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/02/12/contra-os-rotulos-academicos/#comment-2635</link>
		<dc:creator><![CDATA[hugo segundo]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Feb 2009 01:04:19 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&quot;Em 3 ou 4 dias leio a coleção completa do Pontes de Miranda....&quot;

Não poderia haver mais eloqüente atestado de falta de conhecimento a respeito do que se escreve, pois nem os índices das obras dele poderiam ser lidos nesse tempo.

E, por sinal, Pontes de Miranda conhecia matemática também.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Em 3 ou 4 dias leio a coleção completa do Pontes de Miranda&#8230;.&#8221;</p>
<p>Não poderia haver mais eloqüente atestado de falta de conhecimento a respeito do que se escreve, pois nem os índices das obras dele poderiam ser lidos nesse tempo.</p>
<p>E, por sinal, Pontes de Miranda conhecia matemática também.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato.</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/02/12/contra-os-rotulos-academicos/#comment-2632</link>
		<dc:creator><![CDATA[Thiago. - O Primeiro, e Verdadeiro- O Mais Chato.]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 17:52:35 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.net/?p=1158#comment-2632</guid>
		<description><![CDATA[Também a propósito, leia-se criticamente o seguinte conto  e a atitude do Professor Loteca e de seus admiradores. O curioso é que vejo muitos de meus antigos professores no conto. (Babel ou a Apologia do Falso Intelectual) de autoria do Prof. Arnaldo Godoy, no livro Chuva de Sapos, S/D.


Babel ou a Apologia do Falso Intelectual (*)
(A mim mesmo.)

11 de dezembro de 1996. Nesse dia a pequena cidade, que pode ser qualquer uma, viveu uma euforia inusitada, uma comemoração inesquecível. Urras, vivas, bravos, apupos, foguetes, gritos, palmas, apitos, relinchos.

Frenesi em torno do mais célebre habitante, o professor Loteca. O título era honorário, ele nunca entrara numa sala de aula. E o nome não era da pia batismal nem dos assentos cartorários. Fora dado por um antigo prefeito que creditara à cidade uma sorte muita grande em contar com o professor. Sorte maior do que uma vitória no jogo da loteria. Daí, Loteca.
Ninguém sabia de onde ele vinha. Sabia-se que ele chegara à cidade há mais de dez anos. Surgiu no horizonte com um traje escuro que raramente tirava e com uma mala de couro, que a julgar pelos selos, estampas e carimbos, estivera em muitos e insondáveis lugares. A mala era um mistério, como ele mesmo.

Também ninguém sabia verdadeiramente do que ele vivia, de onde tirava o pão, se fora casado, se tinha filhos, parentes ou religião, embora fosse amigo do padre. Era o professor quem cuidava da contabilidade da igreja. Vivia num pequeno quarto, num cubículo, onde deixava suas poucas roupas e seus livros, que nos últimos anos foram pouco abertos. Eu pude orçá-los, catalogá-los, e eis o resultado da sumária pesquisa:

a) um código penal, brochura, com um marcador indicando a seção dos crimes contra o patrimônio;
b) uma monografia, chamada de “Comentários ao artigo 171 do Código Penal”. Para os jejunos em ciências jurídicas, o artigo 171 do Código Penal descreve o crime de estelionato: “Obter para si, ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena – reclusão de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa” 
c) uma velha carteira emitida pelo serviço de atendimento ao prisioneiro exemplar;
d) um dicionário de filosofia, cuja dedicatória pude copiar e que reproduzo: “A v. que passa as horas meditando nas ações humanas, uma guia para um reencontro com a verdade e com a existência”. Anoto que o nome do doador era ilegível;
e) dois romances policiais, um dos quais ilustrado com cenas de violência explícita; o professor sublinhara com caneta vermelha a descrição do esquartejamento;
f) uma Bíblia, convencional, dos Gedeões, e outra, em linguagem de hoje, edição evangélica.

O professor era da a escrever e redigia cartas e mais cartas para pessoas humildes. Para algumas ele cuidava da escrita e de depósitos bancários, serviços que fazia a honorários módicos, que diretamente sacava das contas. É oportuno registrar que ninguém se sentia lesado por ele. Ele era muito querido, admirado por sua erudição. Não havia dia em que as pessoas não disputassem sua companhia na mesa.

Naquele 11 de dezembro o professor estava radiante, ou “maniqueísta”, como ele gostava de dizer quando abraçava todos. Se ele tivesse a documentação exigida pela justiça Eleitoral certamente seria prefeito ou vereador. Mas ele perdera os papéis, em algum lugar...

Estava “maniqueísta” porque naquele 11 de dezembro recebera um telegrama. De Paris! Formou-se uma interminável fila na porta do correio. Todos queriam tocar o telegrama com suas próprias mãos...Ele era...de Paris...Ninguém na cidade colocara as mãos em coisa vinda de tão longe. O agente do correio estava encabulado, estranho. Ele era presbítero de igreja protestante. Parece que, impaciente, ele não via a hora de sair da agência. Recebera um dinheiro inesperado e queria comprar algumas coisinhas para sua mulher. O agente estava com um ar de remorso. Coisa de protestante, ou de quem andou prevaricando.
Em pouco tempo toda cidade sabia da nova. 

O professor vencera um concurso de contos, ganhara o prêmio Guimarães Rosa, outorgado por altíssima e cultíssima comissão de lieteratos. Certamente dificílimo. O professor levara o nome da pequena cidade para o coração da Europa.

Difícil era explicar o que era um concurso. Mais difícil ainda era explicar o que era um conto. Alguém disse que concurso era como uma corrida de cavalos. Um bando de animais correndo atrás de um prêmio ridículo. Assim, todos entenderam o que é um concurso. Mas o que é um conto é duro explicar.

a) conto é uma história curta, disse alguém;
b) conto é uma mentira com cara de verdade, disse outro;
c) conto é uma receita de doutor para dor de barriga, disse um terceiro;
d) conto é o que se escreve na nota de um ou dois contos, disse mais um;
e) conto é o que a gente diz que é conto, disse o Seu Carlos de Andrade, dono da farmácia;
f) conto é o desenho do paraíso, disse o coroinha:
g) conto é uma história de crime, disse o Seu Edgard;
h) conto é o que aconteceu na missa do Galo, disse o seu Assis, que trabalhava com seu machado, ele cortava lenha;
i) conto é o que a gente sente dentro da gente, disse a Dona Clarice;
j) conto é um morango mofado, disse o menino Caio, que aliás morreu pouco tempo depois;

Não importa. Não chegaram a conclusão alguma. Mas sabiam que era algo muito importante. Muito importante mesmo.
E pelo fim da tarde a cidade reuniu-se junto à torre da companhia de luz. Intuitivamente repetiam o que certamente se passaria, na mesma hora, na Torre Eiffel. Embora não dessem conta, o charme era protagonizar-se por aqui, o que certamente estava acontecendo lá. Paris. Paris. Paris.

Um ar de orgulho, se superioridade, envolvia a expressão de toda a gente. De boca a boca a constatação de que apenas dois brasileiros haviam brilhado na França. Santos Dumont com o 14-Bis (que ninguém também sabia o que era) e o professor Loteca, com o conto, que também ninguém sabia o que era. Os jornais do Brasil certamente não deixariam de noticiar a façanha. Pena que jornais não chegavam na cidade. Mas isso é apenas um pormenor, de somenos importância, que não tirava autoridade e legitimidade do Professor.

- Mais cumu é qui intendero no istrangero? Perguntava Matilde, dona da pensão, que já ouvira dizer que nossa língua não era muito bem entendida no mundo todo.
- Ele escreveu em outra língua, justificava o padre, que não continha seu orgulho para com o conterrâneo;
- Outra língua? Era a pergunta que a cidade estupefata se fazia. Como é que alguém poderia chamar porta por outro nome? E maia, e arroz, e feijão, e tubaína, e arreio, e charrete, e missa, e dia, e árvore, e chuva, e bode, e vaca, e noite, e São João, e casa, e cama, e mesa, e banho, e escada, e prego, e martelo, e enxada, e adubo, e vela, e lenha, e banha? Como seria (para eles) que todas essas coisas são internacionais, especialmente o feijão (como é que alguém viveria sem feijão) mas, nomes diferentes? É, só o professor para escrever em outra língua...

Eu também devo registrar que o professor tinha desafetos. Pessoas enciumadas de seu cabedal de conhecimentos. O professor não deixava por menos. Quando encontrava um inimigo lançava invectivas:
- Não tenho medo de ninguém. Estou sempre pronto para discutir e provar meus pontos de vista. Como diria Kennedy, a sorte favorece os audaciosos...

Ante uma citação tão apropriada e tão precisa, os inimigos saíam de mansinho. Roíam por dentro. Gelavam até a medula. Tremiam de raiva. Como alguém pode saber tanto?

A honestidade dessa narrativa exige que eu diga que o professor não tinha idéias próprias...Citava o tempo todo. E muito bem... E quando queria valer-se de idéia alheia, iniciava a citação com uma locução que o celebrizou: “segundo aquela máxima”...” E tocava o barco. Anoto algumas preciosidades que certamente orientarão o bem falar e o bem citar:

a) Segundo aquela máxima de Sócrates, nada vem do nada;
b) Segundo aquela máxima de Juvenal, a natureza não dá saltos;
c) Segundo aquela máxima de Pilatos, uma mente sã numa cabeça bonita;
d) Segundo aquela máxima de Herodes, vinde a mim as criancinhas;
e) Segundo aquela máxima de Ovídio, amar é uma arte;
f) Segundo aquela máxima de Napoleão, melhor do que perder a guerra é ganhar a guerra;
g) Segundo aquela máxima de Cristo, crescei-vos e multiplicai-vos;
a) Segundo aquela máxima de Descartes, é o início que coroa a obra;
h) Segundo aquela máxima de Getúlio Vargas, o homem é o gato do homem;
i) Segundo aquela máxima de D. João VI, independência ou morte;
j) Segundo aquela máxima de Tibério, Alea est jacta alea Alea (esta ele citava assim mesmo, em grego, do Novo Testamento)

Vestido apropriadamente, de escuro, o Professor Loteca foi à torre de eletricidade viver sua apoteose, ou nostalgia, como ele preferia dizer. Que noite nostálgica!!

Com dificuldade, parando para abraçar a todos, ele chegou ao estrado que o machadeiro Assis montou para a solenidade.
Falou e encantou a multidão. Disse que escrevera duas versões do seu conto, uma em latim e outra em francês, e que não era poético vertê-los para o português.

Eu reproduzo sua palavras:
“- Conterrâneos e contemporâneos: conterrâneos porque vivemos na mesma terra e contemporâneos porque sonos iguais, pensamos com as mesmas têmporas. (aplausos). Faço o uso da palavra porque segundo aquela máxima do Vaidoso São Francisco, minha grandeza é também a do Brasil! (aplausos). Lamento que não entendam a língua que usei em minhas obras mas os sons são universais e a beleza das idéias tocará todos os corações, como a espada de São Jorge tocou o anjo Gabriel!” (aplausos).

E abrindo um pedaço de papel, começou a ler seus contos, o primeiro em latim (o que emocionou o padre) e o outro em francês (o que emocionou o relojoeiro). 

Ei-los:
“Puela cantat. Magistra educat. Aquila volat. Puellae cantant. Magistrae educant. Aquilae volant. Discipula salat. Poeta recitat. Agricola laborat. Ranae natant. Reginae regnant. Nautae navigant” (aplausos)

E continuou, agora, com a segunda versão:
“Bonjour mês enfants! Bonjour, monsieur Le Prefesseur! Nous allons commencer notre leçon. Ou est Le livre? Le livre est sur la table. Le livre est-il ouvert ou fermé? Le livre est ouvert; il n’est pás fermé! Que voyez-vous ici? Je vois cinq crayons de couleur. Les couleurs de ces crayons sont-elles belles? Oui, Monsieur le Professeur; ells sont belles. Nommez des objets scolaires. Le livre, le cahier, le crayon, les crayons de couleur, la gomme, le stylo, le porte-plume, la plume” (Aplausos. Mais aplausos. Ainda aplausos. Mais aplausos).

Em seguida, o professor explicou que precisava ir a Paris receber o prêmio. Mas não tinha como. Era honrado, honesto, mas pobre. O prefeito adiantou-se com um cheque em branco, para todas as despesas. Todos queriam colaborar. O professor tinha em mãos toda a riqueza da cidade. Ele agradecia. Até os inimigos invejosos fizeram questão de doar seus níqueis.

Era muita cultura para uma cidade tão pequena, tão pacata. Que nunca esqueceu aquele 11 de dezembro. Foi o último dia que viram o professor, que jamais voltou. Ninguém esqueceria. Especialmente a mulher do agente do correio, que foi encontrado morto, esquartejado, como na cena do livro do professor. Perto do morto, o filhinho que chorava. A criança tinha o nariz escorrendo e usava uma camiseta azul, onde lia-se: Torre de Babel.&quot; (* in: Chuva de Sapos, GODOY, Arnaldo Sampaio de Morais. S/E/ S/D)]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Também a propósito, leia-se criticamente o seguinte conto  e a atitude do Professor Loteca e de seus admiradores. O curioso é que vejo muitos de meus antigos professores no conto. (Babel ou a Apologia do Falso Intelectual) de autoria do Prof. Arnaldo Godoy, no livro Chuva de Sapos, S/D.</p>
<p>Babel ou a Apologia do Falso Intelectual (*)<br />
(A mim mesmo.)</p>
<p>11 de dezembro de 1996. Nesse dia a pequena cidade, que pode ser qualquer uma, viveu uma euforia inusitada, uma comemoração inesquecível. Urras, vivas, bravos, apupos, foguetes, gritos, palmas, apitos, relinchos.</p>
<p>Frenesi em torno do mais célebre habitante, o professor Loteca. O título era honorário, ele nunca entrara numa sala de aula. E o nome não era da pia batismal nem dos assentos cartorários. Fora dado por um antigo prefeito que creditara à cidade uma sorte muita grande em contar com o professor. Sorte maior do que uma vitória no jogo da loteria. Daí, Loteca.<br />
Ninguém sabia de onde ele vinha. Sabia-se que ele chegara à cidade há mais de dez anos. Surgiu no horizonte com um traje escuro que raramente tirava e com uma mala de couro, que a julgar pelos selos, estampas e carimbos, estivera em muitos e insondáveis lugares. A mala era um mistério, como ele mesmo.</p>
<p>Também ninguém sabia verdadeiramente do que ele vivia, de onde tirava o pão, se fora casado, se tinha filhos, parentes ou religião, embora fosse amigo do padre. Era o professor quem cuidava da contabilidade da igreja. Vivia num pequeno quarto, num cubículo, onde deixava suas poucas roupas e seus livros, que nos últimos anos foram pouco abertos. Eu pude orçá-los, catalogá-los, e eis o resultado da sumária pesquisa:</p>
<p>a) um código penal, brochura, com um marcador indicando a seção dos crimes contra o patrimônio;<br />
b) uma monografia, chamada de “Comentários ao artigo 171 do Código Penal”. Para os jejunos em ciências jurídicas, o artigo 171 do Código Penal descreve o crime de estelionato: “Obter para si, ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento: Pena – reclusão de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa”<br />
c) uma velha carteira emitida pelo serviço de atendimento ao prisioneiro exemplar;<br />
d) um dicionário de filosofia, cuja dedicatória pude copiar e que reproduzo: “A v. que passa as horas meditando nas ações humanas, uma guia para um reencontro com a verdade e com a existência”. Anoto que o nome do doador era ilegível;<br />
e) dois romances policiais, um dos quais ilustrado com cenas de violência explícita; o professor sublinhara com caneta vermelha a descrição do esquartejamento;<br />
f) uma Bíblia, convencional, dos Gedeões, e outra, em linguagem de hoje, edição evangélica.</p>
<p>O professor era da a escrever e redigia cartas e mais cartas para pessoas humildes. Para algumas ele cuidava da escrita e de depósitos bancários, serviços que fazia a honorários módicos, que diretamente sacava das contas. É oportuno registrar que ninguém se sentia lesado por ele. Ele era muito querido, admirado por sua erudição. Não havia dia em que as pessoas não disputassem sua companhia na mesa.</p>
<p>Naquele 11 de dezembro o professor estava radiante, ou “maniqueísta”, como ele gostava de dizer quando abraçava todos. Se ele tivesse a documentação exigida pela justiça Eleitoral certamente seria prefeito ou vereador. Mas ele perdera os papéis, em algum lugar&#8230;</p>
<p>Estava “maniqueísta” porque naquele 11 de dezembro recebera um telegrama. De Paris! Formou-se uma interminável fila na porta do correio. Todos queriam tocar o telegrama com suas próprias mãos&#8230;Ele era&#8230;de Paris&#8230;Ninguém na cidade colocara as mãos em coisa vinda de tão longe. O agente do correio estava encabulado, estranho. Ele era presbítero de igreja protestante. Parece que, impaciente, ele não via a hora de sair da agência. Recebera um dinheiro inesperado e queria comprar algumas coisinhas para sua mulher. O agente estava com um ar de remorso. Coisa de protestante, ou de quem andou prevaricando.<br />
Em pouco tempo toda cidade sabia da nova. </p>
<p>O professor vencera um concurso de contos, ganhara o prêmio Guimarães Rosa, outorgado por altíssima e cultíssima comissão de lieteratos. Certamente dificílimo. O professor levara o nome da pequena cidade para o coração da Europa.</p>
<p>Difícil era explicar o que era um concurso. Mais difícil ainda era explicar o que era um conto. Alguém disse que concurso era como uma corrida de cavalos. Um bando de animais correndo atrás de um prêmio ridículo. Assim, todos entenderam o que é um concurso. Mas o que é um conto é duro explicar.</p>
<p>a) conto é uma história curta, disse alguém;<br />
b) conto é uma mentira com cara de verdade, disse outro;<br />
c) conto é uma receita de doutor para dor de barriga, disse um terceiro;<br />
d) conto é o que se escreve na nota de um ou dois contos, disse mais um;<br />
e) conto é o que a gente diz que é conto, disse o Seu Carlos de Andrade, dono da farmácia;<br />
f) conto é o desenho do paraíso, disse o coroinha:<br />
g) conto é uma história de crime, disse o Seu Edgard;<br />
h) conto é o que aconteceu na missa do Galo, disse o seu Assis, que trabalhava com seu machado, ele cortava lenha;<br />
i) conto é o que a gente sente dentro da gente, disse a Dona Clarice;<br />
j) conto é um morango mofado, disse o menino Caio, que aliás morreu pouco tempo depois;</p>
<p>Não importa. Não chegaram a conclusão alguma. Mas sabiam que era algo muito importante. Muito importante mesmo.<br />
E pelo fim da tarde a cidade reuniu-se junto à torre da companhia de luz. Intuitivamente repetiam o que certamente se passaria, na mesma hora, na Torre Eiffel. Embora não dessem conta, o charme era protagonizar-se por aqui, o que certamente estava acontecendo lá. Paris. Paris. Paris.</p>
<p>Um ar de orgulho, se superioridade, envolvia a expressão de toda a gente. De boca a boca a constatação de que apenas dois brasileiros haviam brilhado na França. Santos Dumont com o 14-Bis (que ninguém também sabia o que era) e o professor Loteca, com o conto, que também ninguém sabia o que era. Os jornais do Brasil certamente não deixariam de noticiar a façanha. Pena que jornais não chegavam na cidade. Mas isso é apenas um pormenor, de somenos importância, que não tirava autoridade e legitimidade do Professor.</p>
<p>- Mais cumu é qui intendero no istrangero? Perguntava Matilde, dona da pensão, que já ouvira dizer que nossa língua não era muito bem entendida no mundo todo.<br />
- Ele escreveu em outra língua, justificava o padre, que não continha seu orgulho para com o conterrâneo;<br />
- Outra língua? Era a pergunta que a cidade estupefata se fazia. Como é que alguém poderia chamar porta por outro nome? E maia, e arroz, e feijão, e tubaína, e arreio, e charrete, e missa, e dia, e árvore, e chuva, e bode, e vaca, e noite, e São João, e casa, e cama, e mesa, e banho, e escada, e prego, e martelo, e enxada, e adubo, e vela, e lenha, e banha? Como seria (para eles) que todas essas coisas são internacionais, especialmente o feijão (como é que alguém viveria sem feijão) mas, nomes diferentes? É, só o professor para escrever em outra língua&#8230;</p>
<p>Eu também devo registrar que o professor tinha desafetos. Pessoas enciumadas de seu cabedal de conhecimentos. O professor não deixava por menos. Quando encontrava um inimigo lançava invectivas:<br />
- Não tenho medo de ninguém. Estou sempre pronto para discutir e provar meus pontos de vista. Como diria Kennedy, a sorte favorece os audaciosos&#8230;</p>
<p>Ante uma citação tão apropriada e tão precisa, os inimigos saíam de mansinho. Roíam por dentro. Gelavam até a medula. Tremiam de raiva. Como alguém pode saber tanto?</p>
<p>A honestidade dessa narrativa exige que eu diga que o professor não tinha idéias próprias&#8230;Citava o tempo todo. E muito bem&#8230; E quando queria valer-se de idéia alheia, iniciava a citação com uma locução que o celebrizou: “segundo aquela máxima”&#8230;” E tocava o barco. Anoto algumas preciosidades que certamente orientarão o bem falar e o bem citar:</p>
<p>a) Segundo aquela máxima de Sócrates, nada vem do nada;<br />
b) Segundo aquela máxima de Juvenal, a natureza não dá saltos;<br />
c) Segundo aquela máxima de Pilatos, uma mente sã numa cabeça bonita;<br />
d) Segundo aquela máxima de Herodes, vinde a mim as criancinhas;<br />
e) Segundo aquela máxima de Ovídio, amar é uma arte;<br />
f) Segundo aquela máxima de Napoleão, melhor do que perder a guerra é ganhar a guerra;<br />
g) Segundo aquela máxima de Cristo, crescei-vos e multiplicai-vos;<br />
a) Segundo aquela máxima de Descartes, é o início que coroa a obra;<br />
h) Segundo aquela máxima de Getúlio Vargas, o homem é o gato do homem;<br />
i) Segundo aquela máxima de D. João VI, independência ou morte;<br />
j) Segundo aquela máxima de Tibério, Alea est jacta alea Alea (esta ele citava assim mesmo, em grego, do Novo Testamento)</p>
<p>Vestido apropriadamente, de escuro, o Professor Loteca foi à torre de eletricidade viver sua apoteose, ou nostalgia, como ele preferia dizer. Que noite nostálgica!!</p>
<p>Com dificuldade, parando para abraçar a todos, ele chegou ao estrado que o machadeiro Assis montou para a solenidade.<br />
Falou e encantou a multidão. Disse que escrevera duas versões do seu conto, uma em latim e outra em francês, e que não era poético vertê-los para o português.</p>
<p>Eu reproduzo sua palavras:<br />
“- Conterrâneos e contemporâneos: conterrâneos porque vivemos na mesma terra e contemporâneos porque sonos iguais, pensamos com as mesmas têmporas. (aplausos). Faço o uso da palavra porque segundo aquela máxima do Vaidoso São Francisco, minha grandeza é também a do Brasil! (aplausos). Lamento que não entendam a língua que usei em minhas obras mas os sons são universais e a beleza das idéias tocará todos os corações, como a espada de São Jorge tocou o anjo Gabriel!” (aplausos).</p>
<p>E abrindo um pedaço de papel, começou a ler seus contos, o primeiro em latim (o que emocionou o padre) e o outro em francês (o que emocionou o relojoeiro). </p>
<p>Ei-los:<br />
“Puela cantat. Magistra educat. Aquila volat. Puellae cantant. Magistrae educant. Aquilae volant. Discipula salat. Poeta recitat. Agricola laborat. Ranae natant. Reginae regnant. Nautae navigant” (aplausos)</p>
<p>E continuou, agora, com a segunda versão:<br />
“Bonjour mês enfants! Bonjour, monsieur Le Prefesseur! Nous allons commencer notre leçon. Ou est Le livre? Le livre est sur la table. Le livre est-il ouvert ou fermé? Le livre est ouvert; il n’est pás fermé! Que voyez-vous ici? Je vois cinq crayons de couleur. Les couleurs de ces crayons sont-elles belles? Oui, Monsieur le Professeur; ells sont belles. Nommez des objets scolaires. Le livre, le cahier, le crayon, les crayons de couleur, la gomme, le stylo, le porte-plume, la plume” (Aplausos. Mais aplausos. Ainda aplausos. Mais aplausos).</p>
<p>Em seguida, o professor explicou que precisava ir a Paris receber o prêmio. Mas não tinha como. Era honrado, honesto, mas pobre. O prefeito adiantou-se com um cheque em branco, para todas as despesas. Todos queriam colaborar. O professor tinha em mãos toda a riqueza da cidade. Ele agradecia. Até os inimigos invejosos fizeram questão de doar seus níqueis.</p>
<p>Era muita cultura para uma cidade tão pequena, tão pacata. Que nunca esqueceu aquele 11 de dezembro. Foi o último dia que viram o professor, que jamais voltou. Ninguém esqueceria. Especialmente a mulher do agente do correio, que foi encontrado morto, esquartejado, como na cena do livro do professor. Perto do morto, o filhinho que chorava. A criança tinha o nariz escorrendo e usava uma camiseta azul, onde lia-se: Torre de Babel.&#8221; (* in: Chuva de Sapos, GODOY, Arnaldo Sampaio de Morais. S/E/ S/D)</p>
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		<title>Por: h. perpetuo</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2009/02/12/contra-os-rotulos-academicos/#comment-2630</link>
		<dc:creator><![CDATA[h. perpetuo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 13:19:15 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[tava off pq Bolanos? seja bem vindo novamente.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>tava off pq Bolanos? seja bem vindo novamente.</p>
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