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	<title>Comentários em: Teoria dos Direitos Fundamentais, de Robert Alexy</title>
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		<title>Por: Anónimo</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2008/09/16/teoria-dos-direitos-fundamentais-de-robert-alexy/#comment-7102</link>
		<dc:creator><![CDATA[Anónimo]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Nov 2011 01:01:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Prezado Vinícius e George,

Vinícius, talvez o George tenha sido açodado em fazer o elogio à tradução do Prof. Virgílio, malgrado ele tenha utilizado como referência a tradução para o espanhol e vc tenha utilizado o original, diretamente no alemão.

Também concordo com vc que não seja função do tradutor tornar a obra mais &#039;palatável&#039;, para isso pauperizando o raciocínio do autor. O leitor é quem deve alcançar a obra - e não o contrário.

O problema da sua postagem foi o &#039;tom&#039;: pernóstico, quase grosseiro.

Certamente o que direi agora não fará diferença alguma para vc, mesmo assim não consigo deixar de te sugerir fazer uma crítica mais &#039;polida&#039;. Quando se perde o tom, o leitor esquece o objeto da crítica e se foca na parte da &#039;baixaria&#039;. Prova disso foi a postagem que, em seguida, recortou um erro no seu texto - &#039;lapsus calami&#039;, certamente - para &#039;questionar&#039; o seu alemão.

Assim, a sua crítica, procedente, terminou ofuscada pelo desejo quase não velado em querer &#039;desmascarar&#039; o George.

Vinícius, o George mantém este blog há alguns anos - acompanho desde a época em que ele era juiz em Mossoró. É um espaço para o debate, para informação. Ele não tem, pelo menos não sinto, nenhum tom &#039;doutrinal&#039;, não se vende como &#039;jurisconsulto&#039; nem coisa parecida. Talvez por isso sua crítica tenha soado grosseira - mas, repito, o que não retira o valor e a quase total procedência.

No mais, um abraço para o George, que mantém este espaço para os curiosos (leigos, como eu) e para os leitores bem formados, como vc. Que suas postagens continuem, porque uma crítica sempre nos deixa mais autocríticos e, às vezes, menos autoconfiantes.

Boa noite,]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Prezado Vinícius e George,</p>
<p>Vinícius, talvez o George tenha sido açodado em fazer o elogio à tradução do Prof. Virgílio, malgrado ele tenha utilizado como referência a tradução para o espanhol e vc tenha utilizado o original, diretamente no alemão.</p>
<p>Também concordo com vc que não seja função do tradutor tornar a obra mais &#8216;palatável&#8217;, para isso pauperizando o raciocínio do autor. O leitor é quem deve alcançar a obra &#8211; e não o contrário.</p>
<p>O problema da sua postagem foi o &#8216;tom&#8217;: pernóstico, quase grosseiro.</p>
<p>Certamente o que direi agora não fará diferença alguma para vc, mesmo assim não consigo deixar de te sugerir fazer uma crítica mais &#8216;polida&#8217;. Quando se perde o tom, o leitor esquece o objeto da crítica e se foca na parte da &#8216;baixaria&#8217;. Prova disso foi a postagem que, em seguida, recortou um erro no seu texto &#8211; &#8216;lapsus calami&#8217;, certamente &#8211; para &#8216;questionar&#8217; o seu alemão.</p>
<p>Assim, a sua crítica, procedente, terminou ofuscada pelo desejo quase não velado em querer &#8216;desmascarar&#8217; o George.</p>
<p>Vinícius, o George mantém este blog há alguns anos &#8211; acompanho desde a época em que ele era juiz em Mossoró. É um espaço para o debate, para informação. Ele não tem, pelo menos não sinto, nenhum tom &#8216;doutrinal&#8217;, não se vende como &#8216;jurisconsulto&#8217; nem coisa parecida. Talvez por isso sua crítica tenha soado grosseira &#8211; mas, repito, o que não retira o valor e a quase total procedência.</p>
<p>No mais, um abraço para o George, que mantém este espaço para os curiosos (leigos, como eu) e para os leitores bem formados, como vc. Que suas postagens continuem, porque uma crítica sempre nos deixa mais autocríticos e, às vezes, menos autoconfiantes.</p>
<p>Boa noite,</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Marcos K</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2008/09/16/teoria-dos-direitos-fundamentais-de-robert-alexy/#comment-4557</link>
		<dc:creator><![CDATA[Marcos K]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 23:39:32 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.wordpress.com/?p=346#comment-4557</guid>
		<description><![CDATA[Dileto Professor George,

Permito-me a liberdade de tratá-lo dessa forma (mesmo não tendo sido aluno seu), pois em minha escala pessoal de valores o professor ocupa posição de grande privilégio. Isso porque entendo que devemos valorizar aquelas pessoas que têm a humildade de expor suas ideias, sujeitando-as ao crivo alheio, no intuito único de promover a educação de seus pupilos.

Gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa de disponibilizar este espaço de discussão, democrático, que visivelmente tem agradado seus usuários.
Apenas a título de contribuição, corroborando com a opinião acima expressada por você sobre a tradução brasileira da Teoria de Alexy, deixo registrada mais uma opinião (que não é minha, como se perceberá) a seguir transcrita:

&quot;A tradução de textos acadêmicos pressupõe não apenas o domínio de ambos os idiomas - como toda e qualquer tradução -, mas também um amplo conhecimento da matéria a ser traduzida. Para mim, é uma alegria especial que a &#039;Teoria dos Direitos Fundamentais&#039; tenha encontrado em VIRGÍLIO AFONSO DA SILVA um tradutor que satisfaz perfeitamente a ambas as condições. Fico feliz que um exímio conhecedor da língua alemã e reconhecido especialista na dogmática dos direitos fundamentais tenha assumido a imensa tarefa de traduzir este livro para a língua portuguesa. A ele fica aqui o meu profundo agradecimento. 

Kiel, fevereiro de 2008.

Robert Alexy&quot;

(Prefácio à Edição Brasileira da Teoria dos Direitos Fundamentais-2008)

Um forte abraço, Professor, com os votos de muita saúde e sucesso!
Marcos K.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Dileto Professor George,</p>
<p>Permito-me a liberdade de tratá-lo dessa forma (mesmo não tendo sido aluno seu), pois em minha escala pessoal de valores o professor ocupa posição de grande privilégio. Isso porque entendo que devemos valorizar aquelas pessoas que têm a humildade de expor suas ideias, sujeitando-as ao crivo alheio, no intuito único de promover a educação de seus pupilos.</p>
<p>Gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa de disponibilizar este espaço de discussão, democrático, que visivelmente tem agradado seus usuários.<br />
Apenas a título de contribuição, corroborando com a opinião acima expressada por você sobre a tradução brasileira da Teoria de Alexy, deixo registrada mais uma opinião (que não é minha, como se perceberá) a seguir transcrita:</p>
<p>&#8220;A tradução de textos acadêmicos pressupõe não apenas o domínio de ambos os idiomas &#8211; como toda e qualquer tradução -, mas também um amplo conhecimento da matéria a ser traduzida. Para mim, é uma alegria especial que a &#8216;Teoria dos Direitos Fundamentais&#8217; tenha encontrado em VIRGÍLIO AFONSO DA SILVA um tradutor que satisfaz perfeitamente a ambas as condições. Fico feliz que um exímio conhecedor da língua alemã e reconhecido especialista na dogmática dos direitos fundamentais tenha assumido a imensa tarefa de traduzir este livro para a língua portuguesa. A ele fica aqui o meu profundo agradecimento. </p>
<p>Kiel, fevereiro de 2008.</p>
<p>Robert Alexy&#8221;</p>
<p>(Prefácio à Edição Brasileira da Teoria dos Direitos Fundamentais-2008)</p>
<p>Um forte abraço, Professor, com os votos de muita saúde e sucesso!<br />
Marcos K.</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: alexandre pato</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2008/09/16/teoria-dos-direitos-fundamentais-de-robert-alexy/#comment-4458</link>
		<dc:creator><![CDATA[alexandre pato]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 17:04:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.wordpress.com/?p=346#comment-4458</guid>
		<description><![CDATA[estou no primeiro período de Dieito e eu preciso ler esse livro olha q coisa,enquanto vc falou que &quot;Apesar disso, ressalto que não é um livro tão fácil de ler. Não é, com toda certeza, um livro para iniciantes. Jamais recomendaria para meus alunos da graduação, nem para concurseiros, a não ser que se queira conhecer a fundo a teoria dos direitos fundamentais. O público-alvo certamente é o aluno da pós-graduação, especialmente do mestrado.&quot;]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>estou no primeiro período de Dieito e eu preciso ler esse livro olha q coisa,enquanto vc falou que &#8220;Apesar disso, ressalto que não é um livro tão fácil de ler. Não é, com toda certeza, um livro para iniciantes. Jamais recomendaria para meus alunos da graduação, nem para concurseiros, a não ser que se queira conhecer a fundo a teoria dos direitos fundamentais. O público-alvo certamente é o aluno da pós-graduação, especialmente do mestrado.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Vinícius Santos</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2008/09/16/teoria-dos-direitos-fundamentais-de-robert-alexy/#comment-4340</link>
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Feb 2010 08:14:16 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.wordpress.com/?p=346#comment-4340</guid>
		<description><![CDATA[Puxa, Sérgio, realmente o crase estava errado.

Por consequência, isso faz de mim inábil com a declinação alemã (?) e invalida tudo o que eu disse aqui. hehehehe

Abraço]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Puxa, Sérgio, realmente o crase estava errado.</p>
<p>Por consequência, isso faz de mim inábil com a declinação alemã (?) e invalida tudo o que eu disse aqui. hehehehe</p>
<p>Abraço</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Sérgio</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2008/09/16/teoria-dos-direitos-fundamentais-de-robert-alexy/#comment-4266</link>
		<dc:creator><![CDATA[Sérgio]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 02:54:34 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Vinícius Santos,
Acento indicativo de crase antes de palavra masculina e, ainda por cima, no plural, não dá (&quot;Ao longo da vida, tive professores que sentiam um grande prazer em atribuir más notas à trabalhos feitos com base em autores americanos&quot;). Fico pensando, cá com meus botões, como você deve ser hábil para manejar as declinações alemãs ...
Não nos esqueçamos da língua pátria ...
Abraço]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Vinícius Santos,<br />
Acento indicativo de crase antes de palavra masculina e, ainda por cima, no plural, não dá (&#8220;Ao longo da vida, tive professores que sentiam um grande prazer em atribuir más notas à trabalhos feitos com base em autores americanos&#8221;). Fico pensando, cá com meus botões, como você deve ser hábil para manejar as declinações alemãs &#8230;<br />
Não nos esqueçamos da língua pátria &#8230;<br />
Abraço</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: George Marmelstein Lima</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2008/09/16/teoria-dos-direitos-fundamentais-de-robert-alexy/#comment-4087</link>
		<dc:creator><![CDATA[George Marmelstein Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 11:22:48 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.wordpress.com/?p=346#comment-4087</guid>
		<description><![CDATA[Vinícius,

concordo com quase tudo que você disse, inclusive no que se refere à fidelidade com o pensamento do autor.

Não tenho como comparar a qualidade da tradução feita pelo Virgílio com o texto original, pois não domino o alemão. A minha comparação foi em relação à versão espanhola. Não vi falhas graves de compreensão entre a tradução do Virgílio e a versão espanhola, se bem que não fiz uma comparação rigorosa. A leitura da versão espanhola foi realizada uns quatro anos antes da leitura da versão do Virgílio.

Além disso, partindo do fato de que o Alexy é o orientador do Virgílio, presumi que ele se manteria fiel ao pensamento do jusfilósofo alemão. Quem, no Brasil, teria mais autoridade para realizar essa tradução?

Certamente, deve ser difícil conseguir traduzir um texto alemão para o português, já que as línguas possuem estrutura completamente diferente. Mas o mesmo também ocorre com a tradução do alemão para o inglês e para o espanhol. Então, por que as traduções inglesas e espanholas de livros alemães são melhores? Me parece que é pelo fato de os tradutores respeitarem a estrutura da língua inglesa e espanhola. Eles não fazem com que o texto pareça um texto alemão escrito em língua inglesa ou espanhola. Aqui no Brasil, as traduções parecem feitas pelo Google Tradutor. O texto fica quebrado, denso, sem graça, difícil de compreender. Então, acaba desestimulando o leitor. 

Por isso, acho que um bom tradutor deveria fazer um esforço para não apenas se manter fiel ao pensamento do autor original, mas também para fazer com o que o texto se torne palatável. 

George]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Vinícius,</p>
<p>concordo com quase tudo que você disse, inclusive no que se refere à fidelidade com o pensamento do autor.</p>
<p>Não tenho como comparar a qualidade da tradução feita pelo Virgílio com o texto original, pois não domino o alemão. A minha comparação foi em relação à versão espanhola. Não vi falhas graves de compreensão entre a tradução do Virgílio e a versão espanhola, se bem que não fiz uma comparação rigorosa. A leitura da versão espanhola foi realizada uns quatro anos antes da leitura da versão do Virgílio.</p>
<p>Além disso, partindo do fato de que o Alexy é o orientador do Virgílio, presumi que ele se manteria fiel ao pensamento do jusfilósofo alemão. Quem, no Brasil, teria mais autoridade para realizar essa tradução?</p>
<p>Certamente, deve ser difícil conseguir traduzir um texto alemão para o português, já que as línguas possuem estrutura completamente diferente. Mas o mesmo também ocorre com a tradução do alemão para o inglês e para o espanhol. Então, por que as traduções inglesas e espanholas de livros alemães são melhores? Me parece que é pelo fato de os tradutores respeitarem a estrutura da língua inglesa e espanhola. Eles não fazem com que o texto pareça um texto alemão escrito em língua inglesa ou espanhola. Aqui no Brasil, as traduções parecem feitas pelo Google Tradutor. O texto fica quebrado, denso, sem graça, difícil de compreender. Então, acaba desestimulando o leitor. </p>
<p>Por isso, acho que um bom tradutor deveria fazer um esforço para não apenas se manter fiel ao pensamento do autor original, mas também para fazer com o que o texto se torne palatável. </p>
<p>George</p>
]]></content:encoded>
	</item>
	<item>
		<title>Por: Vinícius Santos</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2008/09/16/teoria-dos-direitos-fundamentais-de-robert-alexy/#comment-4083</link>
		<dc:creator><![CDATA[Vinícius Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Nov 2009 01:40:37 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://direitosfundamentais.wordpress.com/?p=346#comment-4083</guid>
		<description><![CDATA[Concordo plenamente com as partes em que você diz que atualmente “citar alemão é mais importante do que ter boas idéias” e que “basta incluir algumas palavras alemãs entre parêntesis que o seu texto já parecerá especial, como se tivesse sido tocado por um conhecimento divino”. Porém, acrescento que ninguém terá boas ideias (para os dias de hoje, século XXI), sem conhecimento das melhores teorias existentes no mundo. Leitura e domínio das melhores obras é essencial.

Mas penso que isso é o reflexo da autocrítica de nós, brasileiros, em relação ao nível do nosso Direito, e uma tentativa de buscar soluções para melhorá-lo. Quando é citado um autor alemão e palavras alemãs, e isso resulta em algo inédito por aqui, ou pelo menos um texto de alto nível expondo uma teoria de origem alemã, tudo bem. Porém, muitas vezes o que se vê é que um determinado texto não cita autores alemães para trazer uma ideia diferente, inexistente entre os autores brasileiros, ou expor uma teoria de origem alemã, mas apenas para “enfeitar” o texto, escrevendo as mesmas ideias de sempre, que inúmeros brasileiros já escreveram com menos “firulas”. A lista de “grandes e renomados” autores que fazem isso é bastante longa.

E por que citar os autores alemães, e não pessoas de outros lugares do mundo? Não deixo de reconhecer a importância de outros fatores, mas vejo nisso um pouco do resultado da política brasileira. Nós temos duas grandes escolas de Direito Constitucional (e de filosofia e teoria do Direito) no mundo atual: a de língua inglesa (especialmente a americana) e a de língua alemã. Considero as outras de um nível inferior, em qualidade e quantidade, embora eventualmente produzam alguns bons juristas. Com o antiamericanismo vigente no Brasil, os leitores acabaram se voltando para os alemães (nas áreas citadas, isso não é apenas uma questão de sistema jurídico diferente), sentindo até um certo constrangimento em citar autores de língua inglesa, em especial os americanos. Ao longo da vida, tive professores que sentiam um grande prazer em atribuir más notas à trabalhos feitos com base em autores americanos, e esses mesmos professores sempre deram as melhores notas para quem fez trabalhos baseados em autores alemães (ou de língua alemã). Mas não podemos esquecer que muitos dos grandes juristas que construíram aquilo que temos de melhor no Brasil encontraram inspiração nos juristas de língua inglesa, como os grandes Ruy Barbosa e Joaquim Nabuco. Penso que certas coisas não passam de uma mistura indevida de ciência e ideologia. Nem todos têm maturidade para superar isso.

Quanto à qualidade da tradução do Virgílio Afonso da Silva, a sua resposta me deixou claro aquilo que eu havia escrito antes: você achou a tradução “espetacular” pelo fato de ela ser “fácil” de ler. Mas o que faz de uma tradução espetacular é a sua fidelidade ao original, não a “facilidade” de ela ser lida. E, para avaliar a fidelidade da tradução ao original, é necessário ler no idioma original. O resto é uma questão estética, embora tenha a sua relevância (secundária).

E em relação à parte do “respeito pelo leitor”, devo dizer que nós temos um conceito diferente de respeito.

Respeito, para mim, neste caso, não é diminuir o nível linguístico (e, consequentemente, material) do texto original para que ele se adapte ao horizonte do leitor como normalmente é feito nas más traduções. Respeito na minha concepção é ser fiel ao original, permitir que o leitor lusófono possa compreender o texto original da mesma maneira que alguém que consegue ler o texto no idioma original. Isso permite o crescimento intelectual do leitor através da leitura. O horizonte da obra não é encurtado para se adaptar ao horizonte do leitor, o leitor é que amplia o seu horizonte através da leitura.

É a mesma coisa que é feita em países de língua inglesa, por lá a tolerância com “versões” em vez de “traduções” é baixa, por isso é que tais povos são desenvolvidos intelectualmente. A primeira tradução de “Ser e Tempo” do Heidegger para o inglês acabou sendo refeita, o mesmo aconteceu com a primeira tradução da “Teoria Pura” do Kelsen. E isso por que? Eram traduções ruins por serem “difíceis” de se ler? Não! São traduções de leitura fácil, porém, com vários erros, estando mais próximas de versões.

Sem falar que quem normalmente traduz para o inglês (assim como para o alemão) é um especialista não apenas no idioma, mas também no autor traduzido. Por aqui, muitas editoras como a Martins Fontes, por exemplo, publicam traduções de obras jurídicas e filosóficas feitas por tradutores profissionais, geralmente formados em letras, mas que não tem intimidade alguma com o assunto, o que rende traduções de baixo nível técnico, embora normalmente muito agradáveis de se ler.

Esse tipo de coisa como normalmente é feito, é uma maneira de deixar as coisas como elas estão, impossibilitar a evolução dos juristas brasileiros e as mudanças, porém, nós não somos nenhuma Suécia para achar que mudança é ruim (aliás, a Suécia só é a Suécia porque por lá não existe aversão a mudanças). Olhando para o nosso Direito, se percebe a necessidade de um melhoramento técnico dos nossos juristas. Você viu a decisão do STF no caso Battisti (na parte em que os ministros decidiram que o presidente não estava “obrigado” a cumprir a decisão do Tribunal)? Aquilo é um ótimo exemplo do nosso nível.

Por tudo isso é que fiquei decepcionado com a baixa qualidade da tradução do Virgílio Afonso da Silva. Esperava muito mais dele. A tradução é fácil de ser lida, porém de baixa qualidade técnica. Talvez a editora tenha uma parte nisso, mas é o nome dele que está creditado na capa como tradutor.

Bom, mas se alguém faz tudo isso e ainda é aplaudido, o que o estimularia a fazer algo melhor? Quando o nível de exigência é baixo, dificilmente alguém se sentirá estimulado a fazer algo realmente bom, pois, ao fazê-lo, provavelmente será até mesmo alvo de críticas.

Saudações.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Concordo plenamente com as partes em que você diz que atualmente “citar alemão é mais importante do que ter boas idéias” e que “basta incluir algumas palavras alemãs entre parêntesis que o seu texto já parecerá especial, como se tivesse sido tocado por um conhecimento divino”. Porém, acrescento que ninguém terá boas ideias (para os dias de hoje, século XXI), sem conhecimento das melhores teorias existentes no mundo. Leitura e domínio das melhores obras é essencial.</p>
<p>Mas penso que isso é o reflexo da autocrítica de nós, brasileiros, em relação ao nível do nosso Direito, e uma tentativa de buscar soluções para melhorá-lo. Quando é citado um autor alemão e palavras alemãs, e isso resulta em algo inédito por aqui, ou pelo menos um texto de alto nível expondo uma teoria de origem alemã, tudo bem. Porém, muitas vezes o que se vê é que um determinado texto não cita autores alemães para trazer uma ideia diferente, inexistente entre os autores brasileiros, ou expor uma teoria de origem alemã, mas apenas para “enfeitar” o texto, escrevendo as mesmas ideias de sempre, que inúmeros brasileiros já escreveram com menos “firulas”. A lista de “grandes e renomados” autores que fazem isso é bastante longa.</p>
<p>E por que citar os autores alemães, e não pessoas de outros lugares do mundo? Não deixo de reconhecer a importância de outros fatores, mas vejo nisso um pouco do resultado da política brasileira. Nós temos duas grandes escolas de Direito Constitucional (e de filosofia e teoria do Direito) no mundo atual: a de língua inglesa (especialmente a americana) e a de língua alemã. Considero as outras de um nível inferior, em qualidade e quantidade, embora eventualmente produzam alguns bons juristas. Com o antiamericanismo vigente no Brasil, os leitores acabaram se voltando para os alemães (nas áreas citadas, isso não é apenas uma questão de sistema jurídico diferente), sentindo até um certo constrangimento em citar autores de língua inglesa, em especial os americanos. Ao longo da vida, tive professores que sentiam um grande prazer em atribuir más notas à trabalhos feitos com base em autores americanos, e esses mesmos professores sempre deram as melhores notas para quem fez trabalhos baseados em autores alemães (ou de língua alemã). Mas não podemos esquecer que muitos dos grandes juristas que construíram aquilo que temos de melhor no Brasil encontraram inspiração nos juristas de língua inglesa, como os grandes Ruy Barbosa e Joaquim Nabuco. Penso que certas coisas não passam de uma mistura indevida de ciência e ideologia. Nem todos têm maturidade para superar isso.</p>
<p>Quanto à qualidade da tradução do Virgílio Afonso da Silva, a sua resposta me deixou claro aquilo que eu havia escrito antes: você achou a tradução “espetacular” pelo fato de ela ser “fácil” de ler. Mas o que faz de uma tradução espetacular é a sua fidelidade ao original, não a “facilidade” de ela ser lida. E, para avaliar a fidelidade da tradução ao original, é necessário ler no idioma original. O resto é uma questão estética, embora tenha a sua relevância (secundária).</p>
<p>E em relação à parte do “respeito pelo leitor”, devo dizer que nós temos um conceito diferente de respeito.</p>
<p>Respeito, para mim, neste caso, não é diminuir o nível linguístico (e, consequentemente, material) do texto original para que ele se adapte ao horizonte do leitor como normalmente é feito nas más traduções. Respeito na minha concepção é ser fiel ao original, permitir que o leitor lusófono possa compreender o texto original da mesma maneira que alguém que consegue ler o texto no idioma original. Isso permite o crescimento intelectual do leitor através da leitura. O horizonte da obra não é encurtado para se adaptar ao horizonte do leitor, o leitor é que amplia o seu horizonte através da leitura.</p>
<p>É a mesma coisa que é feita em países de língua inglesa, por lá a tolerância com “versões” em vez de “traduções” é baixa, por isso é que tais povos são desenvolvidos intelectualmente. A primeira tradução de “Ser e Tempo” do Heidegger para o inglês acabou sendo refeita, o mesmo aconteceu com a primeira tradução da “Teoria Pura” do Kelsen. E isso por que? Eram traduções ruins por serem “difíceis” de se ler? Não! São traduções de leitura fácil, porém, com vários erros, estando mais próximas de versões.</p>
<p>Sem falar que quem normalmente traduz para o inglês (assim como para o alemão) é um especialista não apenas no idioma, mas também no autor traduzido. Por aqui, muitas editoras como a Martins Fontes, por exemplo, publicam traduções de obras jurídicas e filosóficas feitas por tradutores profissionais, geralmente formados em letras, mas que não tem intimidade alguma com o assunto, o que rende traduções de baixo nível técnico, embora normalmente muito agradáveis de se ler.</p>
<p>Esse tipo de coisa como normalmente é feito, é uma maneira de deixar as coisas como elas estão, impossibilitar a evolução dos juristas brasileiros e as mudanças, porém, nós não somos nenhuma Suécia para achar que mudança é ruim (aliás, a Suécia só é a Suécia porque por lá não existe aversão a mudanças). Olhando para o nosso Direito, se percebe a necessidade de um melhoramento técnico dos nossos juristas. Você viu a decisão do STF no caso Battisti (na parte em que os ministros decidiram que o presidente não estava “obrigado” a cumprir a decisão do Tribunal)? Aquilo é um ótimo exemplo do nosso nível.</p>
<p>Por tudo isso é que fiquei decepcionado com a baixa qualidade da tradução do Virgílio Afonso da Silva. Esperava muito mais dele. A tradução é fácil de ser lida, porém de baixa qualidade técnica. Talvez a editora tenha uma parte nisso, mas é o nome dele que está creditado na capa como tradutor.</p>
<p>Bom, mas se alguém faz tudo isso e ainda é aplaudido, o que o estimularia a fazer algo melhor? Quando o nível de exigência é baixo, dificilmente alguém se sentirá estimulado a fazer algo realmente bom, pois, ao fazê-lo, provavelmente será até mesmo alvo de críticas.</p>
<p>Saudações.</p>
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	</item>
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		<title>Por: George Marmelstein Lima</title>
		<link>http://direitosfundamentais.net/2008/09/16/teoria-dos-direitos-fundamentais-de-robert-alexy/#comment-4078</link>
		<dc:creator><![CDATA[George Marmelstein Lima]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 09:31:11 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[PS: lógico que há ótimas traduções do alemão para o português. Mas não é tão fácil encontrá-las. O texto do Virgílio, a meu ver, respeita o leitor e isso já um grande avanço.]]></description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>PS: lógico que há ótimas traduções do alemão para o português. Mas não é tão fácil encontrá-las. O texto do Virgílio, a meu ver, respeita o leitor e isso já um grande avanço.</p>
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