Teoria dos Direitos Fundamentais, de Robert Alexy

by

As traduções de livros jurídicos alemães para o português costumam ser sofríveis. Sempre preferi ler as versões em espanhol ou até mesmo em inglês do que ler a tradução brasileira de autores germânicos.

Mas como toda regra tem a sua exceção, eis que ela surge. A tradução do livro “Teoria dos Direitos Fundamentais”, de Robert Alexy, publicada recentemente pela Malheiros, está espetacular.

Eu já imaginava que seria assim, pois a tradução foi realizada por Virgílio Afonso da Silva que, além de dominar muito bem o alemão, foi orientado pelo próprio Alexy durante o seu doutorado. Virgílio talvez seja hoje, aqui no Brasil, quem melhor conhece a teoria dos direitos fundamentais.

Fazendo uma comparação entre a versão espanhola do livro de Alexy, que li durante o mestrado, e a versão brasileira, que li na semana passada durante a viagem para Floripa, não tenho a menor dúvida de que a versão brasileira ficou muito melhor. Aliás, uma das características dos textos escritos por Virgílio – que ele conseguiu refletir na tradução – é justamente a clareza da linguagem, o que merece ser destacado, diante da escassez de autores brasileiros com essa preocupação.

Apesar disso, ressalto que não é um livro tão fácil de ler. Não é, com toda certeza, um livro para iniciantes. Jamais recomendaria para meus alunos da graduação, nem para concurseiros, a não ser que se queira conhecer a fundo a teoria dos direitos fundamentais. O público-alvo certamente é o aluno da pós-graduação, especialmente do mestrado.

Por falar em livro, já fui informado pela Editora Atlas que o meu Curso de Direitos Fundamentais já está pronto. Em breve, mais notícias…

About these ads

24 Respostas to “Teoria dos Direitos Fundamentais, de Robert Alexy”

  1. Jorge Araujo Says:

    George,
    Não só do Alemão, mas até do Inglês a tradução é péssima. Agradeço a dica e vou tratar de comprar.
    Abraços!

  2. Mateus Says:

    Isso também acontece na área penal, com raras exceções, como as excelentemente feitas por Luis Greco.

    Quanto ao excelente conhecimento da teoria dos DFs pelo Virgílio, isso é inegável, mas é difícil falar em alguém que melhor a conheça (por isso o “talvez” do George) – com outros bons nomes como Martins e Dimitri.

  3. Emanuel de Melo Says:

    Caro Dr. George,

    Fui estagiário da 9ª Vara ano passado, e agora estou no mestrado da nossa querida UFC. Estou aprendendo muito com a doutrina apresentada pelo senhor neste blog, espero ler logo sua obra!

    Posto esta mensagem porque estou tentando, com todas as minhas forças, ler o “Constitucionalismo discursivo”, obra que reúne diversos artigos de Alexy, e que apresenta uma tradução bem complicada, para dizer o mínimo, da lavra de Afonso Heck. É possível encontrar alguns desses artigos em inglês ou espanhol na internet??? Já tentei procurar, mas não obtive êxito.

    Só para ilustrar, vejamos esta passagem, quando o autor está discorrendo sobre a colisão de direitos fundamentais em sentido amplo:

    “Não menos significativas são as colisões de direitos fundamentais em sentido amplo, portanto, as colisões de direitos fundamentais com bens coletivos. Um exemplo para isso oferece a resolução de abolição de saibro que afeta a água subterrânea do tribunal constitucional federal alemão” (ALEXY, Robert. Constitucionalismo discursivo. Tradução de Luís Afonso Heck. 2ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2008. p, 60).

    Ora, não sabia que o Bundesverfassungsgericht está localizado numa ilha! E olhe que é um simples caso de colocar a frase na ordem direta…

    Tenho o exemplar em espanhol do clássico “Teoria dos direitos fundamentais”, mas fiquei ainda mais empolgado para adquirir a versão em português após a leitura do comentário postado.

    Obrigado pela atenção e parabéns pelo blog.

    Saudosamente,

    Emanuel

  4. George Marmelstein Lima Says:

    Mateus,

    gostei muito do Teoria Geral dos Direitos Fundamentais do Leonardo Martins e Dimitri Dimoulis, pois eles elevaram a discussão para um outro nível.

    Mas os textos do Virgílio também são tão de altíssimo nível. De fato, não dá pra dizer que é melhor.

    O grande mérito deles é apresentar a doutrina germânica com olhar crítico, o que não costumava ser feito aqui no Brasil.

    George

  5. George Marmelstein Lima Says:

    Emanuel,

    também li o “Constitucionalismo Discursivo” com muita dificuldade. Aliás, nem consegui ler todos os ensaios, pois foi uma leitura muito penosa.

    Talvez você encontre alguma coisa em espanhol no site da Biblioteca do México: http://www.bibliojuridica.com (aliás, fonte inesgotável de doutrina).

    Sei que tem o livro “Jueces y Ponderación”, do Alexy, onde há alguns textos que talvez se assemelhem aos que estão no “Constitucionalismo Discursivo”.

    George

  6. silasgrecco Says:

    Olá! Gostei muito da sua web! Obrigado pela sugestão! As traduções sempre são muito sofríveis. Tenho uma dica, que você já pode ter lido, o livro se chama “Crítica a idéia de sanção” de Jean-Marie Guyau, o títula fala por si só, é uma leitura perfeita.

    Um bom Dia!
    Silas Grecco

  7. Marcel Mutim Says:

    Sem dúvida!!! A tradução feita por Virgílio Afonso da Silva é excelente. Não há como comparar com qualquer outra tradução da Teoria dos Direitos Fundamentais. Recomendo a leitura dessa obra em português. Parabéns ao tradutor!

  8. Anónimo Says:

    vai tumar no c´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´´

  9. DENISE Says:

    Vou fazer prova de mestrado e preciso de textos de Direito Constitucional em Inglês, principalmente do Robert Alexy.

    Teria alguém link onde eu possa encontrar?

    Att.

  10. Sérgio Gazel Says:

    Aguardo ansiosoo sua obra que trata dos Direitos Fundamentais. Sou jornalista, graduado em Direito e aprecio muito a questão “bem aprofundada” – dos direitos fundamentais – mesmo porque, futuramente também pretendo escrever sobre o assunto.
    Muito grato pelo aprendizado via blog…
    abs.
    Sérgo Gazel.

  11. Vinícius Santos Says:

    Você disse em outro lugar deste blog o seguinte: “Em segundo lugar, não falo alemão e, portanto, tive que me contentar em analisar uma tradução do texto. As traduções do alemão para o português, pelo menos na área jurídica, sempre deixam muito a desejar. Muitas vezes, é melhor ler o texto em espanhol ou até mesmo em inglês do que ler pela tradução portuguesa. No entanto, o texto analisado foi traduzido pelo jurista brasileiro Luís Afonso Heck, que domina bem o assunto” (http://direitosfundamentais.net/2008/06/16/impostor-intelectual-analise-sokaliana-da-%E2%80%9Cformula-peso%E2%80%9D-de-robert-alexy/).

    Até por uma questão de lógica e coerência, a seguinte afirmação é estranhíssima: “As traduções de livros jurídicos alemães para o português costumam ser sofríveis. Sempre preferi ler as versões em espanhol ou até mesmo em inglês do que ler a tradução brasileira de autores germânicos. Mas como toda regra tem a sua exceção, eis que ela surge. A tradução do livro “Teoria dos Direitos Fundamentais”, de Robert Alexy, publicada recentemente pela Malheiros, está espetacular”.

    O que se pode concluir daquilo que você escreveu é o seguinte: você achou a tradução “espetacular” pelo fato de ela ser “fácil” de ler.

    Leio em alemão, e concordo que, de modo geral, o nível das traduções do alemão para o português é sofrível. Porém, entendo que não é a tradução do Virgílio Afonso da Silva que aumentou o nível. Normalmente, não são feitas “traduções” do alemão para o português, mas apenas “versões”. E o Virgílio Afonso da Silva repetiu a história, fez apenas uma “versão”.

    A tradução dele contém omissões e erros crassos, chega a ser constrangedor para alguém que estudou na Alemanha com o próprio Alexy. A versão em espanhol continua sendo melhor. Basta ver como o Virgílio Afonso da Silva traduziu “norma associada” para o português, um dos pontos vitais da teoria do Alexy…

    Um dos poucos tradutores que realmente faz “traduções” para o português é o L. A. Heck, por isso as pessoas estranham e costumam reclamar da “dificuldade” da leitura dos textos por ele traduzidos: estão acostumadas com versões. Quando que uma pessoa que acha “penoso” ler uma verdadeira “tradução” para o português irá ler algum texto escrito em alemão? Eu respondo: nunca. E, caso leia, o que dirá da dificuldade? Isso tudo, claro, considerando que a pessoa tem condições de compreender o texto, o que nem sempre é o caso.

    Reclamar do “nível” das traduções, e criticar quem realmente traduz, e elogiar quem faz fracas versões, mesmo tendo potencial para fazer algo muito melhor, data venia, é dose! Parafraseando o Damatta, é isso que faz do Brasil, Brasil.

    Aliás, o título do seu outro texto, “Impostor Intelectual?”, é algo que poderia ser muito bem aplicado à quem comenta sobre a qualidade de traduções do alemão para o português sem ler alemão, não concordas?

    Desculpe a franqueza, mas, como dizia Aristóteles, “Amicus Plato, sed magis amica Veritas”.

  12. George Marmelstein Lima Says:

    Vinícius,

    não ligue para os meus comentários em relação aos germanófilos. Tenho graves complexos intelecutais por não falar alemão e isso naturalmente provoca em mim uma necessidade inconsciente de procurar algum defeito naqueles que idolatram o direito germânico como se fosse o que há de mais avançado e infalível no mundo.

    Fico me remoendo por dentro e reclamo sem razão pelo fato de que chegamos a um ponto em que citar alemão é mais importante do que ter boas idéias… Como infantil eu sou.

    Aliás, mesmo que você não domine cem por cento o alemão e nunca tenha lido um livro inteiro nessa língua, basta incluir algumas palavras alemãs entre parêntesis que o seu texto já parecerá especial, como se tivesse sido tocado por um conhecimento divino. É uma tentativa de legitimação pelo deslumbramento (Legitimation durch die Faszination*). Contam-se nos dedos os juristas brasileiros que podem se gabar de dominar o alemão perfeitamente a ponto de lerem textos em alemão com a mesma velocidade e facilidade com que são lidos os textos em português. A maioria consulta os textos de autores germânicos por meio de traduções e finge que leu no original, espalhando expressões alemãs no meio de seus fracos argumentos. E ainda tem gente que acredita nessa tapeação e admira a capacidade intelectual desses estelionatários. É lamentável constatar que a maioria das pessoas acredita em tudo o que ler, especialmente quando a linguagem é rebuscada. Dá pra acreditar nisso?

    Quanto às traduções, creio que você tem razão apenas em parte. De fato, não posso reclamar da fidelidade entre o original e a tradução se não domino a língua original. Porém, posso criticar o estilo. Não creio que uma tradução seja tão somente ser fiel ao pensamento do autor. Uma tradução bem feita também significa fazer com que o leitor compreenda o contexto em que foi escrito o texto original. As traduções para o inglês são melhores justamente por isso. Os tradutores não estão preocupados tão somente em traduzir, mas fornecer ao leitor uma boa leitura. No Brasil e também aqui em Portugal, a maioria dos que traduzem para o alemão estão se lixando para o leitor. Cometem erros básicos de português e usam uma linguagem fria que é quase impossível ler com prazer.

    George Marmelstein
    * Se a tradução estiver errada, a culpa é do Google Tradutor. De minha parte, acho que a vida é muito curta para se aprender alemão, sobretudo porque não sou acadêmico “full time”.

  13. George Marmelstein Lima Says:

    Vinícius,

    não ligue para os meus comentários em relação aos germanófilos. Tenho graves complexos intelecutais por não falar alemão e isso naturalmente provoca em mim uma necessidade inconsciente de procurar algum defeito naqueles que idolatram o direito germânico como se fosse o que há de mais avançado e infalível no mundo.

    Fico me remoendo por dentro e reclamo sem razão pelo fato de que chegamos a um ponto em que citar alemão é mais importante do que ter boas idéias… Como infantil eu sou.

    Aliás, mesmo que você não domine cem por cento o alemão e nunca tenha lido um livro inteiro nessa língua, basta incluir algumas palavras alemãs entre parêntesis que o seu texto já parecerá especial, como se tivesse sido tocado por um conhecimento divino. É uma tentativa de legitimação pelo deslumbramento (Legitimation durch die Faszination*). Contam-se nos dedos os juristas brasileiros que podem se gabar de dominar o alemão perfeitamente a ponto de lerem textos em alemão com a mesma velocidade e facilidade com que são lidos os textos em português. A maioria consulta os textos de autores germânicos por meio de traduções e finge que leu no original, espalhando expressões alemãs no meio de seus fracos argumentos. E ainda tem gente que acredita nessa tapeação e admira a capacidade intelectual desses estelionatários. É lamentável constatar que a maioria das pessoas acredita em tudo o que ler, especialmente quando a linguagem é rebuscada. Dá pra acreditar nisso?

    Quanto às traduções, creio que você tem razão apenas em parte. De fato, não posso reclamar da fidelidade entre o original e a tradução se não domino a língua original. Porém, posso criticar o estilo. Não creio que uma tradução seja tão somente ser fiel ao pensamento do autor. Uma tradução bem feita também significa fazer com que o leitor compreenda o contexto em que foi escrito o texto original. As traduções para o inglês são melhores justamente por isso. Os tradutores não estão preocupados tão somente em traduzir, mas fornecer ao leitor uma boa leitura. No Brasil e também aqui em Portugal, a maioria dos que traduzem do alemão estão se lixando para o leitor. Cometem erros básicos de português e usam uma linguagem fria que é quase impossível ler com prazer.

    George Marmelstein
    * Se a tradução estiver errada, a culpa é do Google Tradutor. De minha parte, acho que a vida é muito curta para se aprender alemão, sobretudo porque não sou acadêmico “full time”.

  14. George Marmelstein Lima Says:

    PS: lógico que há ótimas traduções do alemão para o português. Mas não é tão fácil encontrá-las. O texto do Virgílio, a meu ver, respeita o leitor e isso já um grande avanço.

  15. Vinícius Santos Says:

    Concordo plenamente com as partes em que você diz que atualmente “citar alemão é mais importante do que ter boas idéias” e que “basta incluir algumas palavras alemãs entre parêntesis que o seu texto já parecerá especial, como se tivesse sido tocado por um conhecimento divino”. Porém, acrescento que ninguém terá boas ideias (para os dias de hoje, século XXI), sem conhecimento das melhores teorias existentes no mundo. Leitura e domínio das melhores obras é essencial.

    Mas penso que isso é o reflexo da autocrítica de nós, brasileiros, em relação ao nível do nosso Direito, e uma tentativa de buscar soluções para melhorá-lo. Quando é citado um autor alemão e palavras alemãs, e isso resulta em algo inédito por aqui, ou pelo menos um texto de alto nível expondo uma teoria de origem alemã, tudo bem. Porém, muitas vezes o que se vê é que um determinado texto não cita autores alemães para trazer uma ideia diferente, inexistente entre os autores brasileiros, ou expor uma teoria de origem alemã, mas apenas para “enfeitar” o texto, escrevendo as mesmas ideias de sempre, que inúmeros brasileiros já escreveram com menos “firulas”. A lista de “grandes e renomados” autores que fazem isso é bastante longa.

    E por que citar os autores alemães, e não pessoas de outros lugares do mundo? Não deixo de reconhecer a importância de outros fatores, mas vejo nisso um pouco do resultado da política brasileira. Nós temos duas grandes escolas de Direito Constitucional (e de filosofia e teoria do Direito) no mundo atual: a de língua inglesa (especialmente a americana) e a de língua alemã. Considero as outras de um nível inferior, em qualidade e quantidade, embora eventualmente produzam alguns bons juristas. Com o antiamericanismo vigente no Brasil, os leitores acabaram se voltando para os alemães (nas áreas citadas, isso não é apenas uma questão de sistema jurídico diferente), sentindo até um certo constrangimento em citar autores de língua inglesa, em especial os americanos. Ao longo da vida, tive professores que sentiam um grande prazer em atribuir más notas à trabalhos feitos com base em autores americanos, e esses mesmos professores sempre deram as melhores notas para quem fez trabalhos baseados em autores alemães (ou de língua alemã). Mas não podemos esquecer que muitos dos grandes juristas que construíram aquilo que temos de melhor no Brasil encontraram inspiração nos juristas de língua inglesa, como os grandes Ruy Barbosa e Joaquim Nabuco. Penso que certas coisas não passam de uma mistura indevida de ciência e ideologia. Nem todos têm maturidade para superar isso.

    Quanto à qualidade da tradução do Virgílio Afonso da Silva, a sua resposta me deixou claro aquilo que eu havia escrito antes: você achou a tradução “espetacular” pelo fato de ela ser “fácil” de ler. Mas o que faz de uma tradução espetacular é a sua fidelidade ao original, não a “facilidade” de ela ser lida. E, para avaliar a fidelidade da tradução ao original, é necessário ler no idioma original. O resto é uma questão estética, embora tenha a sua relevância (secundária).

    E em relação à parte do “respeito pelo leitor”, devo dizer que nós temos um conceito diferente de respeito.

    Respeito, para mim, neste caso, não é diminuir o nível linguístico (e, consequentemente, material) do texto original para que ele se adapte ao horizonte do leitor como normalmente é feito nas más traduções. Respeito na minha concepção é ser fiel ao original, permitir que o leitor lusófono possa compreender o texto original da mesma maneira que alguém que consegue ler o texto no idioma original. Isso permite o crescimento intelectual do leitor através da leitura. O horizonte da obra não é encurtado para se adaptar ao horizonte do leitor, o leitor é que amplia o seu horizonte através da leitura.

    É a mesma coisa que é feita em países de língua inglesa, por lá a tolerância com “versões” em vez de “traduções” é baixa, por isso é que tais povos são desenvolvidos intelectualmente. A primeira tradução de “Ser e Tempo” do Heidegger para o inglês acabou sendo refeita, o mesmo aconteceu com a primeira tradução da “Teoria Pura” do Kelsen. E isso por que? Eram traduções ruins por serem “difíceis” de se ler? Não! São traduções de leitura fácil, porém, com vários erros, estando mais próximas de versões.

    Sem falar que quem normalmente traduz para o inglês (assim como para o alemão) é um especialista não apenas no idioma, mas também no autor traduzido. Por aqui, muitas editoras como a Martins Fontes, por exemplo, publicam traduções de obras jurídicas e filosóficas feitas por tradutores profissionais, geralmente formados em letras, mas que não tem intimidade alguma com o assunto, o que rende traduções de baixo nível técnico, embora normalmente muito agradáveis de se ler.

    Esse tipo de coisa como normalmente é feito, é uma maneira de deixar as coisas como elas estão, impossibilitar a evolução dos juristas brasileiros e as mudanças, porém, nós não somos nenhuma Suécia para achar que mudança é ruim (aliás, a Suécia só é a Suécia porque por lá não existe aversão a mudanças). Olhando para o nosso Direito, se percebe a necessidade de um melhoramento técnico dos nossos juristas. Você viu a decisão do STF no caso Battisti (na parte em que os ministros decidiram que o presidente não estava “obrigado” a cumprir a decisão do Tribunal)? Aquilo é um ótimo exemplo do nosso nível.

    Por tudo isso é que fiquei decepcionado com a baixa qualidade da tradução do Virgílio Afonso da Silva. Esperava muito mais dele. A tradução é fácil de ser lida, porém de baixa qualidade técnica. Talvez a editora tenha uma parte nisso, mas é o nome dele que está creditado na capa como tradutor.

    Bom, mas se alguém faz tudo isso e ainda é aplaudido, o que o estimularia a fazer algo melhor? Quando o nível de exigência é baixo, dificilmente alguém se sentirá estimulado a fazer algo realmente bom, pois, ao fazê-lo, provavelmente será até mesmo alvo de críticas.

    Saudações.

  16. George Marmelstein Lima Says:

    Vinícius,

    concordo com quase tudo que você disse, inclusive no que se refere à fidelidade com o pensamento do autor.

    Não tenho como comparar a qualidade da tradução feita pelo Virgílio com o texto original, pois não domino o alemão. A minha comparação foi em relação à versão espanhola. Não vi falhas graves de compreensão entre a tradução do Virgílio e a versão espanhola, se bem que não fiz uma comparação rigorosa. A leitura da versão espanhola foi realizada uns quatro anos antes da leitura da versão do Virgílio.

    Além disso, partindo do fato de que o Alexy é o orientador do Virgílio, presumi que ele se manteria fiel ao pensamento do jusfilósofo alemão. Quem, no Brasil, teria mais autoridade para realizar essa tradução?

    Certamente, deve ser difícil conseguir traduzir um texto alemão para o português, já que as línguas possuem estrutura completamente diferente. Mas o mesmo também ocorre com a tradução do alemão para o inglês e para o espanhol. Então, por que as traduções inglesas e espanholas de livros alemães são melhores? Me parece que é pelo fato de os tradutores respeitarem a estrutura da língua inglesa e espanhola. Eles não fazem com que o texto pareça um texto alemão escrito em língua inglesa ou espanhola. Aqui no Brasil, as traduções parecem feitas pelo Google Tradutor. O texto fica quebrado, denso, sem graça, difícil de compreender. Então, acaba desestimulando o leitor.

    Por isso, acho que um bom tradutor deveria fazer um esforço para não apenas se manter fiel ao pensamento do autor original, mas também para fazer com o que o texto se torne palatável.

    George

  17. Sérgio Says:

    Vinícius Santos,
    Acento indicativo de crase antes de palavra masculina e, ainda por cima, no plural, não dá (“Ao longo da vida, tive professores que sentiam um grande prazer em atribuir más notas à trabalhos feitos com base em autores americanos”). Fico pensando, cá com meus botões, como você deve ser hábil para manejar as declinações alemãs …
    Não nos esqueçamos da língua pátria …
    Abraço

  18. Vinícius Santos Says:

    Puxa, Sérgio, realmente o crase estava errado.

    Por consequência, isso faz de mim inábil com a declinação alemã (?) e invalida tudo o que eu disse aqui. hehehehe

    Abraço

  19. alexandre pato Says:

    estou no primeiro período de Dieito e eu preciso ler esse livro olha q coisa,enquanto vc falou que “Apesar disso, ressalto que não é um livro tão fácil de ler. Não é, com toda certeza, um livro para iniciantes. Jamais recomendaria para meus alunos da graduação, nem para concurseiros, a não ser que se queira conhecer a fundo a teoria dos direitos fundamentais. O público-alvo certamente é o aluno da pós-graduação, especialmente do mestrado.”

  20. Marcos K Says:

    Dileto Professor George,

    Permito-me a liberdade de tratá-lo dessa forma (mesmo não tendo sido aluno seu), pois em minha escala pessoal de valores o professor ocupa posição de grande privilégio. Isso porque entendo que devemos valorizar aquelas pessoas que têm a humildade de expor suas ideias, sujeitando-as ao crivo alheio, no intuito único de promover a educação de seus pupilos.

    Gostaria de parabenizá-lo pela iniciativa de disponibilizar este espaço de discussão, democrático, que visivelmente tem agradado seus usuários.
    Apenas a título de contribuição, corroborando com a opinião acima expressada por você sobre a tradução brasileira da Teoria de Alexy, deixo registrada mais uma opinião (que não é minha, como se perceberá) a seguir transcrita:

    “A tradução de textos acadêmicos pressupõe não apenas o domínio de ambos os idiomas – como toda e qualquer tradução -, mas também um amplo conhecimento da matéria a ser traduzida. Para mim, é uma alegria especial que a ‘Teoria dos Direitos Fundamentais’ tenha encontrado em VIRGÍLIO AFONSO DA SILVA um tradutor que satisfaz perfeitamente a ambas as condições. Fico feliz que um exímio conhecedor da língua alemã e reconhecido especialista na dogmática dos direitos fundamentais tenha assumido a imensa tarefa de traduzir este livro para a língua portuguesa. A ele fica aqui o meu profundo agradecimento.

    Kiel, fevereiro de 2008.

    Robert Alexy”

    (Prefácio à Edição Brasileira da Teoria dos Direitos Fundamentais-2008)

    Um forte abraço, Professor, com os votos de muita saúde e sucesso!
    Marcos K.

  21. Anónimo Says:

    Prezado Vinícius e George,

    Vinícius, talvez o George tenha sido açodado em fazer o elogio à tradução do Prof. Virgílio, malgrado ele tenha utilizado como referência a tradução para o espanhol e vc tenha utilizado o original, diretamente no alemão.

    Também concordo com vc que não seja função do tradutor tornar a obra mais ‘palatável’, para isso pauperizando o raciocínio do autor. O leitor é quem deve alcançar a obra – e não o contrário.

    O problema da sua postagem foi o ‘tom': pernóstico, quase grosseiro.

    Certamente o que direi agora não fará diferença alguma para vc, mesmo assim não consigo deixar de te sugerir fazer uma crítica mais ‘polida’. Quando se perde o tom, o leitor esquece o objeto da crítica e se foca na parte da ‘baixaria’. Prova disso foi a postagem que, em seguida, recortou um erro no seu texto – ‘lapsus calami’, certamente – para ‘questionar’ o seu alemão.

    Assim, a sua crítica, procedente, terminou ofuscada pelo desejo quase não velado em querer ‘desmascarar’ o George.

    Vinícius, o George mantém este blog há alguns anos – acompanho desde a época em que ele era juiz em Mossoró. É um espaço para o debate, para informação. Ele não tem, pelo menos não sinto, nenhum tom ‘doutrinal’, não se vende como ‘jurisconsulto’ nem coisa parecida. Talvez por isso sua crítica tenha soado grosseira – mas, repito, o que não retira o valor e a quase total procedência.

    No mais, um abraço para o George, que mantém este espaço para os curiosos (leigos, como eu) e para os leitores bem formados, como vc. Que suas postagens continuem, porque uma crítica sempre nos deixa mais autocríticos e, às vezes, menos autoconfiantes.

    Boa noite,

  22. dane_b1@yahoo.com.br Says:

    Lamentável! Despejando toda a arrogância que possui, gabando-se de ser o mais lido, mais intelectual, dominar alemão e o escambal, mas comete erros de português. Acento grave antes do pronome relativo “quem”, caro Vinicíos ?

    Uma boa tradução certamente não é aquela que, simplesmente, mantem-se o mais fiel possível ao origunal, mas aquela em que o autor foi capaz de, sem perder a essência do texto original, transmitir a ideia de forma que seus leitores possam entender, sem adquirir uma forte dor de cabeça no processo.

  23. André Says:

    Meu prof. da disciplina “Princípios Constitucionais” , Fernando Leal ( Uerj ) está fazendo o Doutorado dele justamente com o Alexy como orientador.Vou perguntar o que ele acha das traduções e depois posto aqui .

  24. André Says:

    Meu prof. da disciplina “Princípios Constitucionais” , Fernando Leal R. , está fazendo o Doutorado dele justamente tendo o Alexy como orientador.Vou perguntar a ele o que acha das traduções e depois posto aqui .

Os comentários estão fechados.


Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 3.665 outros seguidores

%d bloggers like this: