Quando eu tinha mais ou menos quinze anos de idade, li “Os Sete Minutos”, de Irving Wallace. Foi uma obra que marcou minha vida por ter sido o primeiro livro com mais de quinhentas páginas que consegui terminar de ler de cabo a rabo. Uma leitura eletrizante, daquelas que você não consegue mais largar o livro.
Na semana passada, estava bisbilhotando uma livraria quando encontrei uma edição de bolso do referido livro a preço de banana. O livro, com quase novecentas páginas, custava menos de vinte reais (a editora é a “Bestbolso”). Resolvi comprar e repetir a leitura já com o olhar de um professor de direito constitucional.
O livro é realmente fantástico. Vale a pena a leitura tanto pelo romance em si quanto pelo aspecto jurídico.
Apesar de ter sido escrito nos anos 70, a discussão permanece atual: um livreiro foi preso por vender exemplares de um livro chamado “Os Sete Minutos”, escrito por um tal de JJ Jadway, que supostamente teria um conteúdo obsceno. Pela legislação norte-americana, a venda de material obsceno seria crime (como aqui no Brasil). A estória gira em torno do processo judicial daí decorrente. Para apimentar ainda mais a narrativa, foi sugerido que o livro teria estimulado um adolescente a cometer um estupro (o que nos faz lembrar de uma discussão atualíssima a respeito da influência dos filmes e jogos de computador no comportamento de crianças e adolescentes).
Como se vê, mais uma vez os direitos fundamentais são o foco central de uma boa estória. O autor, apesar de não ter formação jurídica, conseguiu apresentar bons argumentos em favor dos dois pontos de vista contraditórios. Pra dizer a verdade, os argumentos utilizados em favor da liberdade de expressão lembraram muito o pensamento de Ronald Dworkin, que, por sinal, defende que a pornografia está protegida pela primeira emenda. Vale ressaltar que os artigos de Dworkin foram escritos depois da publicação de “Os Sete Minutos”.
Para finalizar, só me resta sugerir a leitura do referido livro. E quem quiser fazer sugestões semelhantes, fique à vontade para incluir nos comentários.

Agosto 24, 2008 às 12:07 am |
Obrigado pela indicação, vou procurar lê-lo.
Aproveitando as maravilhas do livro de bolso (custo benefício), sugiro:
como humilde sugestão, fica o clássico Crime e Castigo de Dostoiéwski, principalmente por se tratar de uma narrativa que envolve um (ex) Estudante de Direito (Raskólnikov), e um suposto delírio que o acomete, colocando em relevo a questão social da Antiga Rússia em que se desenrola o enredo, tendo ccomo pontos primordiais, a meu sentir, além da trama do homicídio da velha usurária, o primeiro diálogo travado entre Rasólnikov e outro personagem de nome Lújin, em que o autor traz à baila os supostos motivos pelos quais a criminalidade estava, naquele momento, envolvento pessoas de “classes mais abastadas”, e também sobre a famosa teoria das pessoas ordinárias e das pessoas extraordinárias, com os olhos voltados às sagas Napoleônicas, todos, pontos que conseguimos transportar para a atualidade sem que se de um “pulo de tigre”, tão abominada na historiografia geral, e principalmente jurídica.
a versão poket pode ser adquirida por duas editoras: Martin Claret – 555 p.(R$ 18,00) e L&M poket – 592 p. (R$ 22,00), que ainda reputo caros, porém, em comparação com a edição mais elaborada da Editora 34 – 568 p. ( R$ 64,00), é um bom exemplo de custo benefício.
Setembro 3, 2008 às 2:59 pm |
[...] Aliás, basta ler o livro “Os Sete Minutos”, de Irwing Wallace, que já comentei aqui, para se convencer de que falsos moralismos não são suficientes para justificar uma limitação [...]
Setembro 17, 2008 às 12:26 am |
[...] nesse caso. Aliás, basta ler o livro “Os Sete Minutos”, de Irwing Wallace, que já comentei aqui, para se convencer de que falsos moralismos não são suficientes para justificar uma limitação [...]
Dezembro 25, 2008 às 5:20 pm |
Como posso adquirir este livro? Agradeço informação,
Julho 27, 2009 às 11:46 am |
Grande indicação!
Já o li e achei verdadeiramente magninífico.
Novembro 5, 2009 às 2:30 pm |
li e achei magnifico, e é tanto que estou lendo pela seguda vez
Fevereiro 8, 2010 às 2:56 pm |
Não sou profissional na area do direito, estou lendo o livro, mas, ainda estou por meio da página 400. A conclusão que tiro até onde li, é que, imitando a realidade, as pessoas e consequentemente às sociedades, são hipócritas ao condenar nos outros algo que elas mesmas carregam. Tem curiosidade de conhecer mas, que por medo, não conhecem e por tanto, tendem a odiar os que tem coragem de ir até o ponto que os instigam, sem, contudo, causar dano a outrem. Fico pensando o quanto fantasias e realizações das mesmas, podem prejudicar os outros, desde que ninguém seje obrigadoa a fazer o que não deseje, ou enganado de alguma forma, acho que fazer sexo e falar de sexo abertamente é uma forma de exercer a liberdade.