Os Sete Minutos – de Irving Wallace

By George Marmelstein Lima

Quando eu tinha mais ou menos quinze anos de idade, li “Os Sete Minutos”, de Irving Wallace. Foi uma obra que marcou minha vida por ter sido o primeiro livro com mais de quinhentas páginas que consegui terminar de ler de cabo a rabo. Uma leitura eletrizante, daquelas que você não consegue mais largar o livro.

Na semana passada, estava bisbilhotando uma livraria quando encontrei uma edição de bolso do referido livro a preço de banana. O livro, com quase novecentas páginas, custava menos de vinte reais (a editora é a “Bestbolso”). Resolvi comprar e repetir a leitura já com o olhar de um professor de direito constitucional.

O livro é realmente fantástico. Vale a pena a leitura tanto pelo romance em si quanto pelo aspecto jurídico.

Apesar de ter sido escrito nos anos 70, a discussão permanece atual: um livreiro foi preso por vender exemplares de um livro chamado “Os Sete Minutos”, escrito por um tal de JJ Jadway, que supostamente teria um conteúdo obsceno. Pela legislação norte-americana, a venda de material obsceno seria crime (como aqui no Brasil). A estória gira em torno do processo judicial daí decorrente. Para apimentar ainda mais a narrativa, foi sugerido que o livro teria estimulado um adolescente a cometer um estupro (o que nos faz lembrar de uma discussão atualíssima a respeito da influência dos filmes e jogos de computador no comportamento de crianças e adolescentes).

Como se vê, mais uma vez os direitos fundamentais são o foco central de uma boa estória. O autor, apesar de não ter formação jurídica, conseguiu apresentar bons argumentos em favor dos dois pontos de vista contraditórios. Pra dizer a verdade, os argumentos utilizados em favor da liberdade de expressão lembraram muito o pensamento de Ronald Dworkin, que, por sinal, defende que a pornografia está protegida pela primeira emenda. Vale ressaltar que os artigos de Dworkin foram escritos depois da publicação de “Os Sete Minutos”.

Para finalizar, só me resta sugerir a leitura do referido livro. E quem quiser fazer sugestões semelhantes, fique à vontade para incluir nos comentários.

7 Respostas para “Os Sete Minutos – de Irving Wallace”

  1. Thiago. Diz:

    Obrigado pela indicação, vou procurar lê-lo.

    Aproveitando as maravilhas do livro de bolso (custo benefício), sugiro:

    como humilde sugestão, fica o clássico Crime e Castigo de Dostoiéwski, principalmente por se tratar de uma narrativa que envolve um (ex) Estudante de Direito (Raskólnikov), e um suposto delírio que o acomete, colocando em relevo a questão social da Antiga Rússia em que se desenrola o enredo, tendo ccomo pontos primordiais, a meu sentir, além da trama do homicídio da velha usurária, o primeiro diálogo travado entre Rasólnikov e outro personagem de nome Lújin, em que o autor traz à baila os supostos motivos pelos quais a criminalidade estava, naquele momento, envolvento pessoas de “classes mais abastadas”, e também sobre a famosa teoria das pessoas ordinárias e das pessoas extraordinárias, com os olhos voltados às sagas Napoleônicas, todos, pontos que conseguimos transportar para a atualidade sem que se de um “pulo de tigre”, tão abominada na historiografia geral, e principalmente jurídica.

    a versão poket pode ser adquirida por duas editoras: Martin Claret – 555 p.(R$ 18,00) e L&M poket – 592 p. (R$ 22,00), que ainda reputo caros, porém, em comparação com a edição mais elaborada da Editora 34 – 568 p. ( R$ 64,00), é um bom exemplo de custo benefício.

  2. Fé de mais não cheira bem: o caso da polêmica foto da Carol Castro nua « Direitos Fundamentais - Blog Diz:

    [...] Aliás, basta ler o livro “Os Sete Minutos”, de Irwing Wallace, que já comentei aqui, para se convencer de que falsos moralismos não são suficientes para justificar uma limitação [...]

  3. Ainda a Carol Castro « Direitos Fundamentais - Blog Diz:

    [...] nesse caso. Aliás, basta ler o livro “Os Sete Minutos”, de Irwing Wallace, que já comentei aqui, para se convencer de que falsos moralismos não são suficientes para justificar uma limitação [...]

  4. Delfim Andrade Diz:

    Como posso adquirir este livro? Agradeço informação,

  5. Antonio Marcos Costa Diz:

    Grande indicação!

    Já o li e achei verdadeiramente magninífico.

  6. Edmilson Rocha das Chagas Diz:

    li e achei magnifico, e é tanto que estou lendo pela seguda vez

  7. Danilo Alvarenga Felipe Diz:

    Não sou profissional na area do direito, estou lendo o livro, mas, ainda estou por meio da página 400. A conclusão que tiro até onde li, é que, imitando a realidade, as pessoas e consequentemente às sociedades, são hipócritas ao condenar nos outros algo que elas mesmas carregam. Tem curiosidade de conhecer mas, que por medo, não conhecem e por tanto, tendem a odiar os que tem coragem de ir até o ponto que os instigam, sem, contudo, causar dano a outrem. Fico pensando o quanto fantasias e realizações das mesmas, podem prejudicar os outros, desde que ninguém seje obrigadoa a fazer o que não deseje, ou enganado de alguma forma, acho que fazer sexo e falar de sexo abertamente é uma forma de exercer a liberdade.

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